A canalhada suprema

“Acreditamos saber que existe uma saída, mas não sabemos onde está. Não havendo
ninguém do lado de fora que nos possa indicá-la, devemos procurá-la por nós
mesmos. O que o labirinto ensina não é onde está a saída, mas quais
são os caminhos que não levam a lugar algum “.
Norberto Bobbio

(…) … “Não havendo ninguém do lado de fora que nos possa indicá-la (“uma saída”.). Mesmo com o destaque logo abaixo do título de hoje, neste começo de Coluna, dos dizeres de um dos maiores cientistas políticos, o italiano Bobbio,  enfatizo um destaque do destaque, pois não ter ninguém lá fora a indicar o caminho certo, e permanecemos no labirinto da política brasileira e, se tem saídas, parecem ser conspurcadas.

A propósito da condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro há mais de 27 anos de prisão e sem ver todo o ainda desenrolar da sentença do Supremo Tribunal Federal, se de fato ela irá para a cadeia, o assunto hoje é outro, relacionado à Brasília e as sentenças antigas que, por falta de espaço e interesse, não são manchetes, e os bandidos condenados naturalmente agradecem.

Paulo Maluf, que teve o mandato dele cassado após o processo se arrastar na Câmara dos Deputados, condenado pelo Supremo por corrupção, cumpre prisão domiciliar. Ele tem 94 anos. O ex-governador de São Paulo, indicado pela ditadura militar, fez acordo de não persecução civil com o Ministério Público e devolveu 210 milhões de reais aos cofres públicos. É presumível, não fará falta essa dinheirama, maior que muitos prêmios lotéricos e que deixaria qualquer brasileiro pobre feliz da vida. O que não é possível apagar é o que representa o verbo malufar.

A não persecução é uma prática processual prevista para casos de menor gravidade, ou seja, acordo firmado com o Ministério Público com a parte ladra, que se livra de uma condenação. Cabe ressaltar, se aplica o referido acordo para os casos de menor gravidade. Afinal, uma mixaria para o Maluf esses 210 milhões, não é mesmo, povo brasileiro sofrido e ignorante?

Outro acordo diz respeito à Assembleia Legislativa do Paraná. O deputado  Moacyr Fadel (PSD) recebeu 15 mil reais de propina de uma empresa de transporte público da cidade de Castro, onde já foi prefeito. O vídeo não deixa dúvidas, ele aparece botando a mão na grana. Confessou o crime, devolveu o dinheiro, pelo acordo de não persecução civil. Continua deputado estadual, belo e faceiro, cadeia é para o eleitor pobre e pobre eleitor, (dele, ou não). Afinal, 15 mil deve ser troco para ele.

Agora tem um canalha que serve como típico exemplo de impunidade, quando o crime compensa. De um deputado cassado, mas que nada impede de ele ser presidente nacional de um Partido, o Liberal – o mesmo de Bolsonaro – que circula com a desenvoltura tão cínica que nem parece que foi condenado no Mensalão, há mais de sete anos de prisão, cumprida em liberdade. No Brasil pode, um mandato cassado, que no caso em nada impede de dirigir um partido, receber polpudas verbas públicas. Aliás, ele não tem medo do Supremo (Tribunal Federal), pois não deixa de ser supremo sofisticado de um canalha, o Valdemar da Costa Neto.

Que saídas? Não tem ninguém digno lá fora? O próprio caminho na ida do eleitor às urnas e a saída após votar e voltar, é um labirinto.

Fases de Fazer Frases (I)

Razão de ser não é a mesma que razão de ter.

Fases de Fazer Frases (II)

Tão fundamental quanto escolher bons frutos é escolher boas sementes.

Fases de Fazer Frases (III)

A pior rebeldia é o ser rebelar-se consigo mesmo.

Fases de Fazer Frases (IV)

Quem não tem experiência a trocar, é quem mais precisa aprender.

Fases de Fazer Frases (V)

Não confundamos: A Rotam com arrotam.

Fases de Fazer Frases (VI)

Não confundamos: O ar do vapor com o pavor do ardor.

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

Sábado anterior um cartaz anunciava oferta no Paraná Supermercados, centro de Campo Mourão. A promoção era do Café Pelé. Aqui escrito corretamente, mas lá esqueceram do acento no segundo e, sendo outra palavra, pele.

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

A Santa Casa de Campo Mourão, Hospital que também atende cidades vizinhas, sempre é notícia, sejam fatos positivos ou não. Por vezes falta o reconhecimento devido por boa parcela da população.

A Santa Casa no mês de agosto bateu o recorde de atendimentos, 540, assim como ampliou o número de leitos, de 144 para 156. Ela possui resolutividade positiva.

Farpas e Ferpas (I)

Eleitor que recebe esmola a troco do voto, é o que mais amola?

Farpas e Ferpas (II)

Para o pobre, pego roubando, furtando, leva cacetada da polícia.

É o que dá não saber o que vem a ser não persecução….

Farpas e Ferpas (III)

“Manda quem pode, obedece quem tem juízo”, e quem perde, paga o prejuízo.

Sinal Amarelo (I)

Aberração é berrar sem ação.

Sinal Amarelo (II)

Quem muito quer ver, é bom fechar os olhos.

Trecho e trecho

“A pureza custa dinheiro”. [Fiódor Dostoiévski].

“A verdade é um filme sem cor que meu coração quer ver colorido”. [Zeca Baleiro].

Reminiscências em Preto e Branco

O Monumento Pró-Solo, localizado na Praça mourãoense Governador Bento Munhoz da Rocha Neto, será restaurado, noticiou este Jornal.

No embalo, que chegue a vez do nosso Relógio do Sol ganhar também a devida atenção. Ele está localizado no trevo saída para Cascavel e saída para Curitiba. Está lá sem qualquer referência a altura.

José Eugênio Maciel | [email protected]

* As opiniões contidas nesta coluna não refletem necessariamente a opinião do jornal