A graça da bênção, pai
“A qualidade de quem recebe um benefício é sempre
menor que o prazer daquele de quem o faz”.
Machado de Assis
Ao pedir-lhe a bênção, pai, ouvir “Deus te abençoe”, era receber a maior graça, desde criança e por toda a vida.
Na despedida há 31 anos espontaneamente os netos lhe pediram bênção, um dos fatos mais emocionantes daquele derradeiro luto.
No dia seguinte, ligo o televisor, o tema do Programa Meu Paraná, foi sobre a centenária ferrovia Curitiba – Paranaguá. O senhor começou a ganhar a vida como telegrafista ferroviário em Ponta Grossa. O programa terminou com a música Trenzinho do Caipira, feita (1930) do grande maestro Heitor Villa-Lobos. A canção tem a ver com trem. Muitas décadas antes o senhor me contou a história da música e sobre o autor, composição que também passei a apreciar. Ouvi-la naquele sábado depois da sua partida, pareceu mensagem do infinito azul, estava tudo bem.
Sentia-me superimportante quando o senhor me entregava a folha datilografada, o texto para a Coluna do Jornal do Meio Dia, da Rádio Difusora Colmeia, então localizada no prédio de esquina entre a avenida Capitão Índio Bandeira com a Rua Brasil. O senhor deixava para redigir sempre em cima da hora, algumas vezes eu corria ao atravessar a imensa Praça São José. (Os originais daquelas folhas datilografadas a saudosa mãe Elza me entregou para ser guardado com carinho, o que faço desde então).
“Documento nunca é demais, é ruim quando é de menos. Leve todos e nunca deixe retido qualquer um deles para ninguém. Depois da conferência, devem ser devolvidos”. A orientação foi no dia que eu, menor de idade, iniciava o que ainda não suponha que teria uma carreira de professor, ao ir com a mãe na prefeitura para assinar o livro de posse do magistério. E, nesse este momento de minha vida, o senhor observou, “Em sala de aula, quando você não souber responder o que os alunos te perguntarem, diga que não sabe, que pesquisará, pois humildade é sinônimo de hombridade e decência, além de caráter”.
O meu hábito de ler é aprendizado e herança do senhor e da mãe pela prática, incentivo, apoio. Além desta Tribuna, lia a Folha de Londrina, O Estado do Paraná, além dos livros. Gostava de sentar na poltrona na recepção do escritório, desde quando meus pés não alcançavam o chão, descoberta das palavras, histórias, notícias.
No dia de hoje, pai, não fico inteiramente triste pelo senhor não estar mais aqui. Fico afortunado, imensamente orgulhoso pelo pai que tive e possuo, do legado fraternal de sua luz, a vontade enorme de te contar tanta coisa boa que aconteceu comigo, e compartilharia meus erros, aflições e ouvir seus conselhos. Saudades de receber a sua sábia palavra amiga, correção, pois me conhecia e ouvia, ponderava com o seu vasto compreender e experiência.
Sua bênção, pai. És luz a continuar hoje em mim, guiou nos caminhos, muitos dos quais traçou para e comigo. Minha eterna gratidão!
Fases de Fazer Frases (I)
Não se guardam momentos felizes, vivem-se.
Fases de Fazer Frases (II)
Cada braço é abraços de amizades entrelaçadas.
Fases de Fazer Frases (III)
Amor não é posto numa ordem de importância, ele é maior que de tudo.
Fases de Fazer Frases (IV)
Tenhas a mesma fé que dá e a que recebe.
Fases de Fazer Frases (V)
Segredo é confidência que não se confidencia.
Fases de Fazer Frases (VI)
Ternura é a mais sublime delicadeza.
Olhos, Vistos do Cotidiano (I)
Sábado (1°) percorri trecho da presidente Kennedy, no bairro mais populoso e popular de Campo Mourão, quando deparei com uma situação de completo abandono, mato tomando conta dentro e fora de um prédio, verdadeiro escombro e que ainda é identificado com a logomarca: o que sobrou da então empresa de telefonia Oi. Uma vergonha.
Olhos, Vistos do Cotidiano (II)
Em sequência ao subtítulo acima e, por falar em horrível, é o que restou da mesma Oi, antiga Telepar, no centro de Campo Mourão. Praticamente junto ao terminal de ônibus, o prédio é um trambolho que enfeia a paisagem urbana desde quando foi edificado. Um caixote gigante
Olhos, Vistos do Cotidiano (III)
Tanto nacional como nas emissoras do grupo paranaense, a Globo ao informar sobre quem foi oficializado como candidato dos partidos de menor expressão, o nome que disputará as eleições, não merece sequer uma “fotinha”. Mesmo que sejam os chamados nanicos, não precisava diminuí-los mais ainda.
Farpas e Ferpas (I)
Mãos podem estar vazias, mas não abanando.
Farpas e Ferpas (II)
Para não correr risco, corra do risco
Farpas e Ferpas (III)
Não conte para a sorte que você tem medo do azar.
Sinal Amarelo (I)
Pratique o bem hoje, bem agora.
Sinal Amarelo (II)
Maior ignorância, ter orgulho de sê-lo.
Sinal Amarelo (III)
Caminho de vida, nossa maior bagagem.
Trecho e Trecho
“Da janela lateral, […] ….vejo uma igreja, um sinal de glória”. [Lô Borges].
“Por que será que a gente vive chorando os amigos mortos, e não aguenta os que continuam vivos? [Mário Quintana].
Reminiscências em Preto e Branco
“Você para burro só falta a pena!”, disse meu pai Eloy, quando imediatamente retruquei: “Mas burro não tem pena!” … Ele deu uma sonora gargalhada e, brincando, completou, “Então, meu filho, você é completinho”.
José Eugênio Maciel | [email protected]
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