A história para mudar de nome

Quando os ventos de mudança sopram, umas pessoas levantam

barreiras, outras constroem moinhos de vento

Erico Veríssimo

            O Estádio Olímpico João Havelange poderá mudar de nome. Mais conhecido como  Engenhão, a denominação oficial fere lei federal que proíbe a colocação de nomes de pessoas vivas. Mas a motivação maior para tirar o nome atual não é a lei, e sim o envolvimento do Havelange, 97 anos, por ter recebido dinheiro indevido da ISL, empresa de propaganda, já extinta, segundo apurou o comitê da FIFA – Federação Internacional de Futebol. Para fugir à punição, ele renunciou o cargo de presidente de honra da FIFA e também do Comitê Olímpico Internacional

            O deputado federal Heitor Ferrer informou dar entrada com projeto de lei propondo a mudança, o mesmo anunciado pelo vereador do Rio de Janeiro Elio Coelho. Eles estão certos, bem mais pelo motivo da legislação vetar homenagens a bens públicos a pessoas vivas, mas sim em razão do envolvimento de Havelange, que, ao renunciar, não falar do assunto e temer ser cassado como presidente de honra da FIFA. E seria profundamente contraditório ele continuar num cargo de honra não tendo honra. 

            Se a homenagem era digna, agora se tornou uma desonra, a merecer adequada reparação, mudar de nome.  Outro Estádio que tem o nome do corrupto é o de Uberlândia, mais conhecido por Recando do Sabiá. Os mineiros exigem mudar o nome.  

            Mudança de nome, seja de uma rua, escola, logradouro etc, sempre provoca alguma reação, e é comum manifestações contrárias. Em Criciúma, uma rua denominada há mais de 60 anos de Urussanga foi mudada recentemente para Humberto Locks. A tradição histórica levou os moradores catarinenses daquele bairro a protestarem.

            Eu sou contra a mudança de nomes quando é para homenagear uma outra pessoa, desmerecendo aquela já foi homenageada. Tanto é assim, quando vereador em Campo Mourão, obtive o apoio dos demais vereadores à época na aprovação de um projeto nesse sentido, ressalvando que a mudança poderia ocorrer desde que fosse para adequações necessárias, como de ortografia. A inspiração para tal projeto tem a ver com uma pessoa que não gostaria que o pai dela tivesse o nome de uma rua qualquer, se for assim é melhor não dar o nome, dissera ele, na verdade se oferecendo para que o pai fosse nome de algum próprio público. Devido à arrogância  não tomei a iniciativa e, ao que me consta, até hoje ele não tem nome de nada em Campo Mourão. Ora, a importância de alguém será eternizada se for uma grande escola ou uma movimentada avenida? E que se danem os nomes atuais?

            Há muitos anos um empresário – que já foi embora daqui, pretendeu mudar o nome da nossa principal avenida, de Capitão Índio Bandeira para avenida Brasil. Motivos? O nome atual era muito grande e aumentava o preço da propaganda na televisão e porque todas as avenidas principais de várias cidades paranaenses se chamavam Brasil, citando Maringá e Cascavel. Seria desmerecer a nossa história e cultura para atender a um capricho.

            Primeiramente, dar nome a um bem público deve obedecer a critérios bem claros e rigorosos, que de fato venham ao encontro da história, da cultura e a ligação da pessoa falecida que corresponda a tais exigências. Se tem o ditado que assevera existir vereador só serve para dar nome de rua, é possível afirmar que não se pode sempre compreender o adágio pejorativamente, ou seja, dar nome é algo muito sério a exigir conhecimento por parte do legislador, o mesmo valendo para deputados federais, senadores e deputados estaduais.     

            Convém ressaltar, a mudança pretendida, para retirar o nome de Havelange é perfeitamente necessária, uma vez que foi o próprio homenageado quem agiu com desonra, eis o típico risco de se enaltecer alguém vivo e ele posteriormente criar situações contrárias as motivações da homenagem. Então é o caso de mudar o nome mesmo! A medida de voltar atrás também serve para títulos de cidadania honorária, os bons serviços prestados à comunidade se anulariam quando a pessoa agisse contrariamente.         

Fases de Fazer Frases (I)

            Se deduz que seduz o que induz. 

Fases de Fazer Frases (II)

            A façanha assanha assaz o assacador.

Fases de Fazer Frases (III)

            Tudo leva a crer… E não crer tudo leva.

Fases de Fazer Frases (IV)

            Tudo leva a crer… E não crer, tudo eleva?

Fases de Fazer Frases (V)

            É preciso ser preciso quando tudo pareça impreciso, precisamente aparente.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Agora é lei, as empresas de planos de saúde não poderão recusar atendimento informando o usuário verbalmente. Elas devem comunicar tudo por escrito. É claro que muda a situação, pois  entre falar oralmente e ter que colocar tudo no papel há enorme – e comprometedora – diferença. 

Reminiscências em Preto e Branco

            O cigarro de palha está associado ao morador rural. Picar o fumo, preparar a palha de milho são traços do campo. Tem outro aspecto essencial, a calma pacienciosa com que o fumante prepara tudo e a tranquilidade com que fuma. Na cidade é raro presenciar a cena, mas possível. Um homem com mais setenta anos, aguardando alguém, estava próxima de uma agência bancária, a meticulosa maneira como preparou o fumo e deu tragadas silenciosamente esvaídas pela fumaça, chamaram minha atenção. Não é apologia do fumo,  apenas mencionar o hábito vagaroso do ancião tabagista.