A honestidade descortinada

É muito mais honesto estar nu do que usar roupas transparentes

Erasmo de Rotterdam 

Alisson Sobral e Cristian Adam vieram ao apartamento onde moro para instalarem um blecaute. Acompanhando o eficiente trabalho dos dois jovens, tivemos uma ótima conversa, pois procuro não perder a ocasião para aprender. Os instaladores de cortina falaram da profissão e demonstraram satisfação pelo grande volume de trabalho.

Aprendi muito naquele relativo pouco espaço de tempo. O que eu não poderia imaginar é a enorme lição que eles me proporcionariam, clara, justa, autêntica e espontânea, digna de registro.

Quando terminaram o trabalho, ao me entregarem a nota fiscal, os paguei em dinheiro. Por causa do serviço realizado com sucesso, resolvi dar uma gorjeta para Alisson e Cristian. Os dois foram embora e eu logo iria retornar ao trabalho. Aguardando o elevador, ouço o interfone do meu apartamento tocar, na pressa, não retornei para atender.

Quando cheguei na portaria, os dois rapazes estavam lá. O motivo deles para falarem comigo era para devolver parte do dinheiro, pois, afinal, eu tinha informado o valor da gorjeta, e eles queriam devolver a outra parte – na verdade o dobro! – que eu sem querer lhes havia dado. A expressão facial de Alisson e Cristian era de fato atitude absolutamente natural de honestidade. Agradeci e percebi o sentimento deles de cultivar a consciência tranquila, de pessoas que pautam a vida pela correção, caráter, sem carecer de se promoverem, sem precisarem de enaltecimento.

Alisson e Cristian trabalham na Del Lar, tradicional empresa de Campo Mourão, há mais de vinte anos voltada para a venda e prestação de serviços nessa área, tendo como proprietário Nivaldo Correa, conceituado profissional. Eis a grande lição que obtive deles, demonstrando que existem muitas pessoas ilibadas, de atitudes probas reveladas sem que seja preciso descortinar,  demonstrar como se outrora a decência fosse escondida, menos ainda como se não transpassasse pelo blecaute. 

Fases de Fazer Frases

Não falta alguém atento para com a distração alheia.

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

Usuários do transporte coletivo público reclamam da demora na linha circular Lar-Paraná-centro de Campo Mourão, fato noticiado pela Tribuna. A Viação Mourãoense culpa o atraso devido ao trânsito. E o diretor de trânsito Nelson João Casaroli informa, a instalação do semáforo à entrada principal do bairro porá fim ao problema. Se consiste razão a empresa e a anunciada providência do diretor de trânsito, enquanto isso os passageiros continuarão a chegar atrasados ao trabalho? Descontadas as horas não trabalhadas? Quem paga a passagem todo mundo sabe, mas quem paga o pato, não?!

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

Ainda sobre o trânsito de Campo Mourão, o diretor Casaroli, que já foi comandante da Polícia Militar, sabe bem, lei é lei, é o ditado da caserna. Então é escandaloso o uso do estacionamento pelos estabelecimentos Moto Marques e a Honda, respectivamente localizados à rua Devete de Paula Xavier; e na avenida Irmãos Pereira, ambos no centro onde comercializam motocicletas. Em fragrante desrespeito às leis, as lojas colocam muitas motos estacionadas expostas à venda. E agora, diretor, com o espaço exclusivo determinado para o estacionamento para motos, já passou da  hora de multá-los, merecidamente, dada ao grande desrespeito.

Olhos, Vistos do Cotidiano (III)

Leitores assíduos desta Coluna, por se manifestarem, merecem o registro. Tendo morado por muitos anos em Campo Mourão e hoje residindo em Palotina, Ivânio José Baldicera está sempre por aqui, e quando fica por lá não deixa de acessar esta Tribuna, e claro, segundo ele, não deixa de ler o escrevinhador aqui. Ele até me chama pelo apelido de infância: Parabéns Gudé pelas 1800 colunas, uma pessoa agradável de conversa inteligente. (…)…

Amigo do meu saudoso pai Eloy, Dirceu Wanderbrook tem um inquestionável amor por  nossa terra e região. Lê também esta Coluna, já tendo feito sugestões a mim e ao Jornal, aliás valiosas. A professora Zélia, dedicada profissional do Colégio Estadual Campo Mourão, considera o conteúdo da Coluna importante, admiro muito o modo de escrever e a inteligência do professor Maciel, frisou. A todos a efusiva gratidão e o respeito.

Olhos, Vistos do Cotidiano (IV)

A respeito da Coluna anterior, o Jair Elias dos Santos, escritor e presidente da Academia Mourãoense de Letras, passou o tal texto adiante e fez o seu elogioso comentário, fazendo publicar o texto na rede social.

Olhos, Vistos do Cotidiano (V)

No mínimo curioso constar no edital de protestos o nome de uma conhecida imobiliária de Campo Mourão. Afinal de contas as imobiliárias exigem muito dos clientes o nome limpo, do contrário não tem negócio. Foi um descuido da imobiliária, mas se fosse o contrário…

Reminiscências em Preto e Branco

Existem palavras que são muito antigas, soam antigas. Pouco pronunciadas, elas são típicas das gerações antecedentes. O meu saudoso pai Eloy empregava muito a palavra desacorçoado, no sentido do desencorajado ou prostrado. Certa ocasião, na sala do escritório dele com um cliente, ambos dialogavam lamentando a falência de uma pessoa nos negócios, ele teve que fechar a loja, está desacorçoado. Recentemente, e só podia ser um senhor dos tempos idos – refiro-me a outro senhor proseando na praça S. José –  enquanto eu caminhava, cansei de esperá pela muié, deste jeito ela me desacorçoa, dissera ao amigo.  É, pai, a saudade de ti me desacorçoa, às vezes.