A ‘lição’ da velha cartilha da APP
Fatos e opiniões, embora possam ser mantidos separados, não são
antagônicos um ao outro; eles pertencem ao mesmo domínio.
Hannah Arendt
Faça o que eu digo (mando) e não faça o que eu faço, dizeres que retratam a decisão da APP – Sindicato de deflagrar greve que começará nesta segunda (17) nas escolas públicas do Paraná. Convocados à assembleia ocorrida na terça (11), professores que estiveram em Curitiba não foram decidir pela paralisação. Na semana anterior a diretoria e as ditas instâncias democráticas já determinavam a greve.
O ambiente na capital foi praticamente o mesmo das escolas estaduais em Campo Mourão: fato consumado. O discurso e a prática, mais que distantes, se contradizem nas muitas ações da APP. Professores têm que agir conforme o Sindicato manda, ainda que a diretoria não aja com plenitude democrática. Quem esteve em Curitiba limitou-se a referendar o que a cúpula já tinha determinado.
Jamais pretenderei falar em nome de qualquer outro professor. Também não assino carta em branco para que outros falem por mim, tomem decisões sem me consultar. Se existirá clima hostil por causa de divergências é cedo para dizer, mas não será surpresa o sectarismo, o tom de voz elevado para ganhar no grito quando faltar argumentação. Não estou a buscar desculpa para não aderir à greve, o que não posso é engolir motivações que não são as da classe. A diversidade contempla a pluralidade de pensamento, opinião, e o conhecimento é conteúdo essencial no amplo debate que é respeitar divergências. É a diferença entre legalidade e legitimidade.
Motivos para protestos existem no Paraná, o governo anunciou que não irá reajustar os salários de todo o funcionalismo público, o governador Beto Richa não quer cumprir o que ele prometeu. Na greve anterior eu decidi segundo a minha consciência, fiz greve e escrevi a propósito dela. Ninguém me pressionou, me obrigou a agir, e quando digo ninguém, nenhum partido, corrente ideológica.
Não é estranho nem difícil apontar contradições da APP como instrumento a serviço de interesses partidários. Claro, qualquer educador como cidadão tem o direito de se filiar a um partido político. O que não é democrático um sindicato ser instrumento de qualquer partido. A APP se atrela a interesses e faz apropriação indevida como senhora da verdade, voz única da educação, da sociedade ante ao poder público.
Sumiram os jornais da APP que antes foram espalhados aos milhares, quando a diretoria assumiu publicamente a posição político-partidária nas eleições presidenciais, disputadas por Dilma e Aécio. Em nome de todos os professores paranaenses, segundo eles. A polarização entre PT e PSDB sempre foi acerbada, sempre gera atritos não pelas polêmicas que poderiam ser salutares, mas prepondera fechamento de questão.
Na pauta estadual tem os pagamentos de progressões em atrasos, bem como equiparação salarial. A APP não se esqueceu de incluir a apuração da operação pelicano e quadro negro da educação. Certo. O governo do Paraná deve explicações e a justiça tem que apurar. A reforma do Ensino Médio já foi rechaçada, mas apenas agora.
Na pauta nacional nenhum item em favor da apuração de escândalos nacionais. Silencio? Mais do que isto: cumplicidade. O rigor exigido no Paraná é só para o que interessa a APP, que se esquece do André Vargas, ex-deputado do PT, cumpre pena, preso, condenado. Já a senadora Gleisi (PT) terá que explicar junto como o marido como enricaram e por valores não declarados ao Fisco. Na greve anterior ele esteve no acampamento, mas agora tem que se apressar, talvez não dê tempo. A Paraná previdência é alvo de crítica da APP que não quer o governador retire uma moeda dos servidores e aposentados. Certo! Mas hoje evitam tocar no assunto, seriam cobrados sobre assaltos nos fundos previdenciários da Petrobrás, Correios, Banco do Brasil e por aí vai. O moralismo da APP só vale para o Paraná.
Deputados do camburão, correto! Só os do camburão? Indago temas esquecidos pela APP, para ela basta o fora Beto, fora Temer. O fora é pelo ângulo de quem está preso ou de quem está em sala de aula?
Fases de Fazer Frases
Tem quem se preocupe com o vazio. E quem deseja preenchê-lo.
Olhos, Vistos do Cotidiano
Dito no palanque do desfile do aniversário de Campo Mourão: se fosse antes das eleições estaria cheio de candidatos. É, até a prefeita Regina não teria faltado!
Reminiscências em Preto e Branco
Do brado (retumbante?) é dobrado quem brado não tem?
