“Armação política” – ou vice-versa

Criava o rouxinol seus filhinhos; e procurando para eles alimento, apanhou uma cigarra. Não me mates,

disse-lhe esta, pois somos parentes; ambos só no verão aparecemos, ambos cantamos. – 

Insolente! Disse-lhe o rouxinol, pois comparas o teu insuportável ciciar com as

suaves melodias? Só por isso mereceria morrer.

              Moral: Na hora do perigo, quantas vezes, buscando razões que nos salvem, 

 recorremos a coarctadas que nos comprometem

A cigarra e rouxinol – fábula de Esopo

            Se trata de armação política, é a conclusão enfática da prefeita de Campo Mourão Regina Dubay, quando concedeu entrevista coletiva aos meios de comunicação para abordar a chamada caixinha para a qual era destinado dinheiro entregue por funcionários dos cargos de confiança, para colaborar com a arrecadação mensal, com a entrega de um percentual do que recebiam, segundo o flagrante do GAECO – Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado. Na ocasião, o responsável pela operação Elmano Rodrigues Ciriato declarou acreditar na existência de uma pirâmide, ele se referiu que o esquema de arrecadação, envolvia o alto escalão.

            Em síntese, tanto o que seja apurado como fato, quanto o que seja versão sobre ele – cabível uma relação direta a conter verdade ou mentira, é imprescindível a apuração de tudo. A coisa pública, especificamente episódios que evidenciam a Administração Municipal, permite a população comentar, debater, opinar e exigir que as leis estabeleçam a honestidade e transparência de tudo o que é praticado, e qualquer indício de desvio que vilipendie o Erário evidentemente que caberá a Justiça se pronunciar.

            Nem tudo à luz do dia está de fato claro, e, sobretudo o que possa ter ou estar ocorrendo longe dos holofotes e do alcance da observação investigativa por conta ou por atribuição legal.

            Ainda que a prefeita tenha razão quanto a ser armação política, o GAEGO realizou o flagrante e constatou 670 reais arrecadados pelo diretor da saúde Anselmo Junior Camargo, preso no momento e posteriormente. Baseada na presunção da inocência, Regina confirmou que ele será mantido no cargo de confiança. Ainda segundo a prefeita tudo não passa de uma armação, quando argumentou que o GAECO agiu a mando do Governo do Paraná, para prejudicá-la. Se tal motivação foi determinante, não se pode negar o flagrante, ou que teria sido picuinha, encenação mambembe.

            A prefeita tem razão em um aspecto, que foi armação política, ela foi mesmo traída. Pelo menos pelo próprio vice dela, sem dúvida. Rodrigo confirmou a existência de um caixa, que advertiu a prefeita (ela negou veementemente o fato e o alerta do vice). Rodrigo proibiu que na secretaria dirigida por ele até então, fosse feita tal recolhimento. Ficou evidente, nas declarações do vice, o grau de oportunismo e contradição ao tentar de todos os modos demonstrar não ter nada com os fatos que viraram caso de polícia e de justiça. Mas o vice tem a sua cumplicidade exacerbada, que se não comprovar a sua má-fé ficará no mínimo comprovada a sua incompetência e ausência de espírito público, ao saber de um crime, mas não denunciá-lo. Ele não poderia simplesmente ter avisado a prefeita como alega, deveria ter exigido dela providências e, caso ela nada fizesse, ele não poderia ter ficado como ficou, silente o tempo todo, só vindo a prestar esclarecimento, c quando o escândalo já estava público e notório.

            Se ele realmente tentou falar com a prefeita antes de se demitir, como disse – embora a vice contradiga que o vice não a procurou – Rodrigo deveria ter insistido, ao agir por impulso e procurar aparecer que nada tem a ver com os fatos, é curioso e não o isenta de tudo como ele supõe. Rompendo com a prefeita Regina, sem ocupar o cargo, ele fica na condição de vice, como um jogador na reserva, sem função, sem entrar em campo, embora tenha uma sede enorme de exercer o poder, tanto que procurou espaço em outra agremiação, sem refletir com a prefeita. Ele tem o direito de seguir caminho próprio e mesmo de romper com a prefeita, mas faz de um modo oportunista, pessoal, imaginando ter expressão política tal qual a prefeita. Se Rodrigo ajudou a ganhar a eleição, se Regina fosse a vice e ele o candidato, certamente este texto jamais seria escrito.    

            Fora de qualquer dúvida, é possível afirmar que a traição e armação política se não se originou teve o envolvimento dentro do próprio ventre da prefeitura, do substituto imediato dela Quem mais poderia ter maior interesse em desgastar e até levar à cassação da prefeita Regina? A oposição? Só os adversários dela? Evidentemente que não. A armação tem elementos, ações engendradas no Paço Municipal, se no gabinete ao lado do da prefeita, se em outras secretarias, se comandados pelo vice, é preciso aguardar as conclusões.

            A prefeita foi traída, e faz sentido indagar: só se apunhala pelas costas que já estiver bem próximo dela, tendo chegado ou já se encontrado através de um vínculo de estreita proximidade?   

Fases de Fazer Frases (I)

            O vice versa a versão e vice-versa.

Fases de Fazer Frases (II)

            A versão do vice vê-se que ele não é versado

Fases de Fazer Frases (III)

            Vicinal era o vice sem vicejar, e vice-versa.  

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Citar nomes como fez a prefeita de Campo Mourão, apontando o envolvimento do seu próprio vice, comprova que a armação política, é de quem foi eleito para ajudar a governá-la. Mantidas ou se irão rolar cabeças, ainda é cedo, então cabe a pergunta por hora. Se forem decepadas cabeças, será usado um machado? Onde ele fica por enquanto?  

Reminiscências em Preto e Branco

            Levante a mão quem nunca foi na Livraria Roma e deu de cara com a dona Irene, mãe do Zé Carlos e da Istela, cuidando do caixa e fazendo palavras cruzadas… Pois é! infelizmente dona Irene Sales Pinto faleceu nesse final de semana, aos 83 anos, e deixa todos nós muito tristes e já saudosos das boas conversas ‘ao pé do caixa’. Descanse em paz!  Os dizeres  são do Baú do Luizinho, publicados no último dia 11, para homenagear a pioneira dona Irene. Ela se transformou em saudade desde o último dia oito.