Bolhas de sabão
Quanto menos podemos satisfazer nossas paixões
particulares, mais nos entregamos às gerais
Montesquieu
Em Campo Mourão terrenos baldios vão desaparecendo e dão lugar ao progresso. O concreto aumenta na paisagem urbana. Quem mora aqui há muitos anos, ou como eu que aqui nasceu e cresceu, evidentemente que saúda o desenvolvimento da cidade neste sentido. Quando eu caminho por ruas e avenidas, muitas reminiscências têm ligação com aqueles imensos terrenos baldios ou fundo de quintais, que eram gigantes aos olhos de qualquer criança ou menino.
Saudosismo à parte, se as referidas áreas cedem lugar ao progresso, elas estão na memória dos que criaram os filhos a vê-los brincarem eu saudáveis espaços com árvores e pelo menos, um cipó para balanço ou para encenar heróis como Tarzan. Campos de futebol nem se fala o quanto eles eram muitos e a bola rolava o dia todo.
Semana passada, em um final de tarde belo e ensolarado, eu caminho por uma das ruas e vejo um grupo de menininhas brincando em um desses quintais. Elas estavam fazendo bolhas de sabão usando como canudos galhos de mamona. Passei a observar a cena, diminui os passos até que, pelo encantamento que aquelas crianças proporcionavam a elas e que me contagiou rapidamente, não pude evitar, acabei parando para admirá-las, claro, de maneira discreta para não ser um elemento estranho e que até fosse qualificado como mal encarado.
Delicada e atentamente, cada uma soprava e acompanhava a sua bolha, todas maravilhadas com o feito. Elas estavam envolvidas com a brincadeira que deveria ser mais uma entre muitas que praticavam naquela tarde, quem sabe o dia todo.
Ao retomar os meus passos antes de atravessar a rua do lado delas, pude então ter outra prova do que apenas eu imaginava há pouco, a calçada riscada de amarelinha. Eu é que serei enquadrado agora como ingênuo, mas elas, que são ainda bonecas, brincam de bonecas, belas com repleto brilho da inocência, fase da vida tão curta e logo adentrarão no mundo dos adultos.
Não sei mais porque comecei a escrever sobre os terrenos vazios que praticamente não existem mais, felizmente sim, como também felizmente sim eles habitam minhas lembranças juvenis sem serem demolidos.
Fases de Fazer Frases
De pelo ralo, o rato rala pelo ralo.
Olhos, Vistos do Cotidiano (I)
Os 23 anos da Coluna são motivos de novas manifestações, registradas a seguir.
O presidente da AML – Academia Mourãoense de Letras, escritor Gilson Mendes de Góis, me enviou no domingo sábado à noite (quando o texto desta Coluna já tinha sido entregue ao Jornal) cópia em que ele se manifesta através do Sítio Boca Santa. Entre outros elogios, Gilson cobra a necessidade de reunir parte dos textos aqui publicados e editar um livro e ainda analisa, não tenho palavras para expressar meu aplauso a este feito. Como escritor, invejo-te. Como amigo desejo 30 dez de julho!
Também no Boca Santa do dia 11 passado, Lídia Mizote, digna cultora da educação, acentuou: Habilidoso com as palavras, Eugênio Maciel tece críticas como quem desfia prazerosamente o dia-a-dia em linhas (…). Privilégio de quem há 23 anos sabe tirar das reminiscências em preto e branco e dos olhos, vistos do cotidiano, fases de fazer frases!
Olhos, Vistos do Cotidiano (II)
Nestes 23 anos, além de escrever a coluna sempre na Tribuna, pude tê-lo como companheiro de trabalho na Assembleia Legislativa e depois como secretário da educação quando prefeito, escreveu o deputado federal Rubens Bueno. Ao se referir à Administração na área educacional, o parlamentar concluiu, o conhecimento foi levado às crianças e adolescentes, com carinho e a responsabilidade de mestre estudioso e dedicado que você é.
O historiador Pedro da Veiga cumprimentou o aniversário da Coluna, e como faz, republicou o texto no seu blogue, intitulando Sinal Amarelo, numa alusão à Coluna que o meu saudoso pai Eloy Maciel escrevia nesta Tribuna.
Que possamos continuar contemplar teus textos, sábias palavras. Que Deus te abençoe, escreveu Flávia Ribas. E o professor e promotor aposentado, advogado Rubens Luiz Sartori, disse acompanhar a Coluna nesses anos, continue ‘escrevinhando’.
Olhos, Vistos do Cotidiano III)
Ao encerrar os registros e cumprimentos, os quais agradeço com enorme satisfação, transcrevo parte de dois outros comentários de familiares, de Maria do Desterro Brisola Maciel e Rafael Carlos Eloy Dias, respectivamente irmã e sobrinho que são professores.
Estou orgulhosa e comovida, feliz e envaidecida por acompanhar você e tuas palavras sempre tão dignas do nome herdado (…) sempre nos brindando com razões para pensar, reexaminar, conferir, confirmar e, acima de tudo, sempre emocionar. Parabéns!
(…) Ao ver a notícia em que comemora com os seus leitores 23 anos da Coluna da Tribuna, nós é que estamos de parabéns. Vou brindar esta conquista com orgulho!. Maria mora em Curitiba e Rafael em Santa Catarina, Joinville.
Reminiscências em Preto e Branco
Ela tem muitas qualidades e uma delas é o gosto pela leitura. Prazerosamente lê e não carece vê-la com um livro à mão, basta observar o conteúdo dos diálogos, vocabulário que nem chega lembrar que é menina se tornando moça. Dia 14 último ela fez treze anos, atenta e perspicaz, Maria Luiza, que é filha da Céci Maciel e Regis Canteri, recentemente manifestou curiosidade e desejo de receber uma carta pelos Correios, à moda antiga. A avó Rosira Maciel fez a surpresa e, de Campo Mourão, remeteu uma cartinha para ela que mora em Curitiba. Mas antes e sem falar da ainda intenção a vó Rosira disse estranhar uma menina geração internet, e-mail celular querer voltar no tempo. Além da vó materna, a corujice é ampla também do pai e dos avós paternos Sivonei e Iraci Canteri.
