Doar-se: Darcy

A Câmara de Vereadores de Campo Mourão entregou o Título de Cidadania Honorária ao Darcy Deitos. A outorga é fruto da decisão unânime do Legislativo e espelha o sentimento maior do povo mourãoense a uma importante personalidade política da nossa terra e região. A iniciativa do vereador Sidnei Jardim foi subscrita por todos os integrantes do Legislativo.

É extensa e substancial a contribuição pública do mais novo cidadão honorário, tanto nos cargos eletivos quanto naqueles para os quais foi convocado, ambos foram voltados para a realização de obras e serviços em favor da população regional.

O primeiro destaque se relaciona à elaboração e promulgação da Constituição Federal em 1988. Darcy foi parlamentar e constituinte, a contribuição dele foi essencial ao bem representar o sentimento cristalino do povo, com um conjunto de leis que espelhou a configuração da democracia e o fim do entulho autoritário inerente aos 21 anos do golpe e ditadura militares. A sétima Constituição, chamada por Ulysses Guimarães de cidadã, tem o Deitos como um dos signatários.

A trajetória política do Darcy se iniciou na plenitude do autoritarismo brasileiro, os anos de chumbo não o  intimidaram. Pelo contrário, o discurso contra o cerceamento da liberdade de expressão fui contundente. Na década de 70, quando funda e lidera em Campo Mourão o MDB – Movimento Democrático Brasileiro, época que só era permitido dois partidos, e a ARENA – Aliança Renovadora Nacional, governista, compunham o bipartidarismo. Darcy exerceu uma liderança essencial, de resistência contra o arbítrio e na pregação de um regime democrático. Certa ocasião, numa das reuniões, dos tempos que se vincular  à oposição aos generais significa sérios problemas, ao ser perguntado como se caracterizava a democracia, Deitos respondeu, é a convivência dos contrários, para justificar, se não existir oposição, a liberdade se restringe ou, no caso da ditadura, é aniquilada.  

Na política nem sempre uma derrota eleitoral é um revez definitivo. Nem todas as vitórias se tornam políticas, se limitando a apenas sucessos circunstanciais do pleito. A propósito, Darcy disputou duas eleições e foi derrotado. Mas a derrota foi eleitoral, e, mesmo não tendo obtido a vitória em 1976 na disputa pela prefeitura mourãoense, saiu da eleição fortalecido politicamente,  tanto é assim que em 1978 se elege deputado estadual. O nome dele foi novamente indicado para disputar a prefeitura em 1982, mas a forte máquina governista arenista o derrotou. Porém, novamente ele sai daquela disputa ampliada a sua base eleitoral,  que o levaria à vitória como deputado federal constituinte em 1986, à época a maior votação: 57.805votos.

Catarinense de Jaborá, os pais do Darcy, de saudosa memória, se tornaram mourãoenses  desde quando aqui fincaram suas raízes no principiar dos anos 50. A família Deitos, vocacionada para o trabalho árduo, incansável e marcado pela retidão de caráter, são sempre lembrados com enorme carinho e saudade,  Sabino Deitos e Norma foram e continuam referência inspiradora e terna de todos os filhos. Aliás, além do Darcy, é notável a vocação, habilidade, competência e prazer com que todos dirigem o hotel da família (Paraná Palace), sempre hospitaleiros, genuínos.

A homenagem leva-me a congratular toda a Câmara e cumprimentar o Darcy, também numa alusão ao  velho MDB de guerra, da amizade entre o meu saudoso pai Eloy e o Darcy (ambos contabilistas), companheiros de Partido nos tempos em que ser oposição implicava riscos, o que não intimidou Darcy, Rubens Luiz Sartori, Luiz Gonzaga, Dorival Gorski, para mencionar apenas alguns diletos militantes daqueles heroicos tempos.   

Ao doar-se, exercendo a política com convicção em mais de quatro décadas, o  título é um  reconhecimento legítimo, maior que bandeira político-partidária, superior a posições ideológicas, condizente à contribuição do Darcy, digna de exemplos notáveis.            

Fases de Fazer Frases (I)

Na madrugada gelada o silêncio repousa com o zunir do vento.

Olhos, Vistos do Cotidiano

Com temperaturas tendo chegado a baixo de zero em Campo Mourão, a edição eletrônica da Tribuna premiou seus leitores com belíssimas imagens tão bem retratadas pela turma deste Jornal – Ana Carla Poliseli, Valter Velozo e Walter Pereira – do frio rigoroso, a geada, o branco a cobrir a vegetação, em meio ao belo sol. Bom mesmo é ver as fotos sem carecer estar lá com eles, por causa da tão baixa temperatura. 

Reminiscências em Preto e Branco (I)

Dominguinhos, instrumentista, cantor, compositor e sanfoneiro, contribuiu para que a música nordestina (ele nasceu em Garanhuns, Pernambuco) se tornasse mais brasileira. O Rei do Baião Luiz Gonzaga o nomeou príncipe. Eles se conheceram quando Dominguinhos tinha oito anos e aos treze ganhou a primeira sanfona. Morto aos 72 anos, Dominguinhos se apresentou pela última vez em dezembro do ano passado, na homenagem ao centenário do Gonzagão, (Em Exu, terra natal do rei, também pernambucano). 

Reminiscências em Preto e Branco (II)

O grande feito dele foi desbancar o Santos de Pelé, ao ser campeão paulista pelo Palmeiras em 1959, 1963 e 1966. Jogou na Portuguesa e encerrou a carreira no Atlético Paranaense. Foi absoluto na lateral-direita e disputou quatro Copas do Mundo (1954,1958, 1962 e 1966), bi-campeão nas duas últimas. Com forma física invejável, dedicou-se à profissão com correção, igualmente ético fora de campo. Djalma Santos era maior que as grandes torcidas dos times que defendeu, é referência do nosso futebol e do mundo. Tinha 84 anos.