Ela nunca se sentirá ofendida. E nós?
“A inteligência artificial começa onde termina a humana”.
Alan Turing
“Manifestamente inexistentes”, sentenciou o juiz de Direito da Vara Criminal, Cláudio Santos Pantoja Sobrinho, Comarca de Juazeiro, Bahia. Ele condenou a advogada por ter utilizado como ferramenta de trabalho a Inteligência Artificial, “com citação a acórdãos falsos de tribunais superiores e menções deturpadas”. Ainda, segundo o magistrado, “tal uso é de má-fé”.
O processo corre em segredo de justiça, segundo a página virtual “Migalhas”, [edição de 30 de julho deste ano]. O nome da advogada não foi mencionado. O juiz a condenou pagar dez salários-mínimos.
Ao pedir desculpas ao juiz, ela alegou ter sido culpa do estagiário, “com intuito de mostrar serviço”, ressaltou a advogada condenada, “houve uma falha de supervisão”, acrescentou.
Perante o juízo, a culpa não é do estagiário, pois o que constou é a assinatura da advogada. O estagiário de Direito utilizou a Inteligência Artificial e transcreveu integralmente o que ela produziu, sem tirar nem pôr.
Como professor, nos trabalhos de pesquisa, enfatizo aos os estudantes para que façam a conclusão escrevendo com as próprias palavras.
Entretanto, tem os que agem como o estagiário, copiam tudo! E o pior, sequer leem o conteúdo que passou a constar no trabalho.
Certa ocasião – já fiz mais de uma vez – apanhei trabalhos e, diante de algumas palavras que eles sequer ouviram falar, indago o que elas significam, e mesmo quanto a outras partes do texto, para que explicassem. Ninguém soube responder.
A nossa ignorância anda tão natural que poderá ser engolida pela artificial.
Fases de Fazer Frases (I)
A voz a vós é.
A avós de vós.
Fases de Fazer Frases (II)
Para a cumplicidade, basta um olhar.
Fases de Fazer Frases (III)
Se eles ficarem para depois, não são planos.
Fases de Fazer Frases (IV)
Não confundamos: Para tanto com pára tanto.
Olhos, Vistos do Cotidiano (I)
O porteiro e recepcionista de um hospital de Campina da Lagoa é quem aparece no contrato de prestação de serviços médicos que estão sob investigação da Polícia, cerca de três milhões de reais. A DECCOR – Divisão Especializada de Combate à Corrupção (Núcleo de Cascavel) fez busca e apreensão, em apuro às irregularidades licitatórias, segundo a Tribuna. Passaram pelo porteiro? Foram recepcionados?
Olhos, Vistos do Cotidiano (II)
Em proveito do tema principal, que abre hoje esta Coluna, digitei, na Inteligência Artificial, o que ela escreveria para o subtítulo da Coluna denominado Fases de Fazer Frases. Leiam como ficaria: “Etapas para criar frases”. Perderia o efeito que existe ao juntar palavras com escritas e sons parecidos. Ainda bem que foi “etapas”, e não tapas.
Olhos, Vistos do Cotidiano (III)
Será 45% a redução do valor a ser pago no próximo IPVA – Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores no Paraná. O anúncio foi do governador Ratinho Júnior (PSD). É o menor imposto do Brasil, garante. No início do ano ele isentou motocicletas até 170 cilindradas que não pagam mais imposto.
Farpas e Ferpas (I)
Quem muito faz de conta, perde a conta.
Farpas e Ferpas (II)
A ilusão não pega desprevenido o sonhador.
Farpas e Ferpas (III)
O aproveitador sabe a ocasião a agir, sem criá-la.
Sinal Amarelo (I)
Tempo passará, quer estejamos a espera, ou não.
Sinal Amarelo (II)
Se o mal é necessário, o bem é imprescindível.
Trecho e Trecho
“A lembrança só dói quando fresca. Depois de curtida é um consolo”. [Raquel de Queiroz].
“O que você faz, faz a diferença, e você tem que decidir que tipo de diferença você quer fazer”. [Jane Goodal].
Reminiscências em Preto e Branco – Antonio Colchon, no fio do bigode (II).*
Ele chegou a Campo Mourão em 1958, era paulista de Guariba, nascido em 28 de novembro de 1928.
Foi motorista de caminhão, profissional autônomo durante 78 anos a percorrer Brasil afora. Continuou a dirigir (então veículo leve) para entregar as estopas que fabricava. Ao longo da vida e das estradas, nessas viagens conhecia lugares e principalmente pessoas, se relacionando com singular simpatia e respeito. Apenas deixou de dirigir aos 94 anos.
Como o escrito na Coluna anterior, em Reminiscências em Preto e Branco, Antonio era referência de uma família tradicional e exemplar, Colchon é sinônimo de trabalho, correção e humildade.
Teve cinco filhos, Irineu e Jurandir, falecidos, Lourdes, Isabel e Antonio Carlos. Casado (1950) com a inseparável e digna esposa companheira Maria Rodrigues Colchon.
Seu Antonio, aos 96 anos, tornou-se saudade desde o último dia 10. Segundo a filha Lourdes Aparecida Colchon, o pai, avô e bisavô, a perda da esposa, 35 dias antes, foi um baque implacável, levando-o a retribuir do céu o aceno vindo de lá, pela amada.
* Como tive que encaminhar o texto antes do prazo por motivo de viagem, optei enviá-lo, tendo escrito sobre o querido Antonio, sem os dados da biografia dele, gentilmente providenciados pela querida Lourdes, razão pela qual presta-se agora homenagem a um homem repleto de exemplos, vida na memória naqueles que o conheceram.
José Eugênio Maciel | [email protected]
* As opiniões contidas nesta coluna não refletem necessariamente a opinião do jornal

