Enamorar, no coração de quem ama
Namorar não é loucura, é mostrar que você
não é louco de querer ficar sozinho.
Cristiano Deon
Amar é aspirar. Inspirar. Respirar. Transpirar. É perder fôlego. É ter fogo.
Quando o amor acontece, tudo acontece. E nada acontece.
O amor faz o ser amado se tornar um imenso jardim. O coração é a flor amada.
O amor é conquista, não uma luta. É batalha armada pela sedução, ganha quem se entrega, preso pela liberdade alcançada.
É esquecer a vida e apenas lembrar-se da pessoa amada. É querer sempre. Sempre sem querer de parar de querer.
Amar é olhar para todos os olhares que o ser amado olha. Enxergar-se em cada olhar que o seu amor dá. É troca de olhares. É fechar os olhos. É abri-los sem se importar o que se vê, mas ver-se em tudo que o amor mostra. É cegar-se para tatear.
O amor é cumplicidade sem subserviência. É ter segredo que apenas secretamente o outro sabe. É abrir-se e fechar-se freneticamente nos braços que se envolvem, nas pernas que se movem, se cruzam.
Amar é ler pensamentos, compreender palavras que ainda não foram ditas e até não serão pronunciadas. Amar é saber o que irá ouvir e desejar enormemente escutar. É ler Romeu e Julieta sem ter medo que o seu final será feliz como a paixão que jamais tem fim.
É cantar e encantar-se. É fazer serenata embaixo da janela e despertá-la com a mais bela canção. Ou inventar na hora uma bela melodia e cantar nos ouvidos, debaixo dos lençóis, para um adormecer sereno.
Amar não é ter dia dos namorados, nem semana, mês, ano. Amar é viver enamorado cada milésimo de segundo como se o dia ainda não tivesse o raiar do sol. Como se a noite não tivesse o luar.
Como se o amor fosse o tempo da paixão intensamente brilho romântico dos namorados feitos lua e sol, ou o sol e a lua no imenso universo infinito sem qualquer separação cósmica. Sejam eles o estrelar e estalar dos beijos como de um só astro.
Amar é o silêncio quando tudo se escuta. É leveza de um pássaro que voa, plana, pousa com a delicadeza da brisa do vento que toca as folhas no momento que os lábios sopram no ouvido do ser amado o sussurro do desejo, da excitação, da volúpia, do gozo.
Amar é pedir. Pender. É perder-se. É pêndulo a pesar a emoção e a razão, tantas vezes invertendo a ordem, transformando a emocionada razão de ser como se não houvesse razão alguma a não ser sentir sem explicar.
Amar é descobrir a outra metade e ser inteiramente amado, sem partir, repartir, e ser não o que antes se era, mas ser o ser amado que agora é, sempre.
Fases de Fazer Frases
Nada espanta mais o medroso do que ele sentir ter alguma coragem.
Olhos, Vistos do Cotidiano (I)
Tem quem acredite existir uma receita para o amor. Então, quando eu tiver uma namorada, ela terá que se chamar dona Benta?
Olhos, Vistos do Cotidiano (II)
Na página dos Classificados desta Tribuna, última quarta, eis o título de um anúncio na Seção Animais: Cão procura namorada. Deu-me vontade de pegar carona no anúncio e colocar o número dos meus telefones, tendo em vista o Dia dos Namorados. Caso alguém venha a ligar, responderei sem pulga atrás da orelha: au-au.
Olhos, Vistos do Cotidiano (III)
Como hoje é o Dia dos Namorados, uma amiga minha me mandou um texto que certamente está rolando na internet: E daí se eu passar o dia dos namorados sem namorada. Eu também não passo o dia do índio com um índio, nem o dia da árvore com uma árvore. Muito menos o dia de finados com um defunto.
Reminiscências em Preto e Branco (I)
A origem etimológica de namorar é espanhola, estar em amor. Daí originou-se o verbo enamorar. E tudo começou – e terminou para começar de novo – com Adão e Eva. Também rola na internet (o som na primeira vogal é aberta, não confundir com rôla, aquele pássaro) que a serpente conseguiu convencer a Eva a comer a maçã com um argumento poderoso: coma a maçã! Maça emagrece! E depois, ainda no Paraíso antes de serem expulsos, Adão pronunciou a primeira expressão pornográfica e logo para Deus, quando o todo poderoso perguntou: Adão, porque comestes a maçã?. Adão então respondeu ao Criador do Universo: A Eva deu para mim e eu comi.
Reminiscências em Preto e Branco (II)
Antigamente toda colegial tinha o seu diário e sabiam escrever. Quando ganhavam uma flor, para eternizar a lembrança, colocavam pétalas nos grossos livros que guardavam entre as páginas o perfume das doces lembranças.
Reminiscências em Preto e Branco (III)
Depois da chuva que pode continuar a cair, o frio se intensifica, levando a cidade a adormecer mais cedo. Portas, janelas das casas, bares, tudo fecha mais cedo. Poucas luzes. O silêncio nas ruas é enorme. Todos se recolhem. Se encolhem. Neblina, cerração, bruma, a visão encoberta. Também de baixo das cobertas. A cidade dorme bem mais cedo. E acorda bem mais tarde, mas ainda a tempo de ver o sol se espreguiçar.
