Imortais pela palavra

O silêncio é um campo plantado de verdades que aos poucos se fazem palavras

Thiago de Melo

A Academia Brasileira de Letras tem dois grandes imortais eleitos, o poeta e jornalista Ferreira Gullar e o escritor e jornalista Zuenir Ventura, dias nove e 30 de outubro, respectivamente. Eles alcançaram o reconhecimento que há muito transcendeu o âmago literário e  cultural, ocupando o ápice do prestígio, notórios intelectuais respeitados que são.

Muito interessante nos dois é o fato de pessoalmente é que não tinham desejo algum de integrar a ABL, se tornaram candidatos pela insistência de amigos e acadêmicos. Eleição tranquila e legítima, cabendo salientar, uma vez que existem muitas escolhas que levaram à reação contrária,  repulsa a nomes que não chegariam aos pés do fundador da Academia Machado de Assis, suscitando dúvidas quanto a interesses que não preconizariam a defesa e o culto da nossa língua.

Particularmente estou feliz, Zuenir e Gullar estão entre os escritores que mais, admiro e aprendo cotidianamente como cronistas (Zuenir no Jornal O Globo, e Gullar na Folha de São Paulo), o texto bem trabalhado, a experiência de vida de cada um, o olhar crítico, humano, a sensibilidade para retratar e analisar fatos. Ao chegarem à ABL, ambos estão na plena maturidade  extraordinária da vida e das letras, Gullar 84 e Zuenir 83 anos.

Nesta Coluna um Artigo inteiro foi dedicado ao Gullar quando ele completou 80 anos,  transcrevi trechos do poema mais conhecido e apontado por muitos como o maior e melhor, Traduzir-se, belo é sempre recitado e cantado, como nas vezes de Chico Buarque e Fagner. Esta Coluna também fez várias referências a Zuenir e destaco agora o fato de ter uma das minhas turmas de Sociologia a tarefa que os estudantes tiveram de ler um livro Cidade Partida. Evidentemente falei muito do autor os próprios alunos perceberam o meu entusiasmo. Foi a turma que comentou quanto a escolha da Academia, até brinquei, viram só, quando eu disse que ele é um grande escritor, a escolha do Zuenir em nada me surpreende. Aliás, 1968, o ano que não terminou, é um dos seus melhores livros devido a narrativa histórica e análise do Brasil da ditadura militar pós-64.

A falta de espaço suficiente, que me desafia a cortar, trocar palavras, suprimir frases e parágrafos, para levar em conta o tempo do caro leitor com texto que seja leve, propositadamente retomarei na próxima semana, para comentar sobre aquela eleição, quanto a um grande nome que ficou de fora, na análise do escritor e colunista da Folha de São Paulo Carlos Heitor Cony, no próximo domingo.          

Fases de Fazer Frases (I)

A razão é luz, sem sombra de dúvidas.

Fases de Fazer Frases (II)

Não é o melhor travesseiro, mas a consciência limpa a garantia do sono sereno.

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

É só trabalhar normalmente, este escrevinhador assim respondeu a um servidor público municipal mourãoense, a respeito do projeto de lei que tramita na Câmara prevendo dia de folga para o servidor na data do aniversário dele. Se o polêmico projeto se tornar lei, existirá um direito, mas não um dever. Ou seja, o servidor que desejar trabalhar no dia do aniversário dele não poderá ser impedido, ele agirá de acordo com a consciência dele. 

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

A eleição para diretores das escolas estaduais paranaenses ficará para o ano que vem. A Assembleia aprovou o adiamento. O mandato dos atuais diretores foi prorrogado em um ano. Resta para aqueles diretores que protestaram contra o adiamento renunciar ao mandato. Se é um golpe a ação do governo é também de quem continuar no cargo.

Olhos, Vistos do Cotidiano (III)

Foram 335 semanas, assinala ele, ao se despedir do público leitor do Jornal Gazeta do Povo, foi muito bom enquanto durou, escreveu Cristóvão Tezza, dia quatro passado. A última Coluna,  – O cronista se despede – o renomado escritor paranaense (embora nascido em Santa Catarina), informa que irá se dedicar só a ficção. A Coluna sempre foi um apreciável espaço da palavra bem escrita original e saborosamente.     

Reminiscências em Preto e Branco

Vida é desfazer-se de alguns pertences da bagagem ao caminhar, é melhor do que não ter nada na bagagem e na trajetória dos anos nada poder colocar nela.