Irmão Egídio

Eu me lembro com saudade

O tempo que passou
O tempo passa tão depressa
(…)
Mas em mim deixou
Jovens tardes de domingo
Tantas alegrias
Velhos tempos
Belos dias
(…)
Canções usavam formas simples
Pra falar de amor
Carrões e gente numa festa
De sorriso e cor
(…)
Hoje os meus domingos são doces recordações (…)

Tardes de guitarras, sonhos e emoções.

O que foi felicidade me mata agora de saudade. (…).

Erasmo Carlos e Roberto Carlos – Jovens Tardes de Domingo

A saudosa mãe Elza entrega a guitarra, presente esperado por você. A guitarra e o violão faziam parte do cotidiano do meu irmão, a música, pelas cordas, cantar, discos de vinil. Você jovem, eu menino, 11 anos de diferença. Fui influenciado pelo que você ouvia como Renato e seus Blue Caps, Milton Nascimento, Jovem Guarda, Chico Buarque, música clássica. Na nossa casa e depois na sua, tudo era música, e livros, revistas, jornais, rádio compunham cenário de muita cultura.

O início profissional foi na Rádio Colmeia de Campo Mourão, 1965-67 então começo de jornalista. Em 1968-69 serviu o Exército. Como eu nasci em 1963, você era o irmão adulto. Minhas próprias recordações principiam com o casamento, 1971, você com a sua sempre namorada Ilda do Amaral Brizolla Maciel, companheira de toda uma vida até o momento derradeiro. No ano seguinte foram morar em Curitiba, quando trabalhou na Receita Federal até 1973, ano em que nascia o filho Alexandre Augusto Frederico do Amaral Brizolla Maciel, hoje advogado em Santa Catarina.

Mudaram para Londrina, foi um dos primeiros profissionais do Jornal Panorama, com Délio César. Depois começa a laborar noutro jornal, a Folha de Londrina, 1977 a 1986. Voltou a trabalhar lá em 1995 até 2003. Era o responsável pelo fechamento do jornal. Lá, menino ainda, vi a maior redação de um jornal, salão imenso, repleto de profissionais, o som intenso dos teclados das máquinas de escrever. Tudo tinha hora, fechar o jornal, diagramá-lo, mandar para impressão e depois os “fuscas” saírem velozes para chegar nas sucursais por todo o Paraná.

A Folha de Londrina, na mesma sede até hoje, conheci pessoalmente o então proprietário do Jornal, saudoso João Milanez e noutra ocasião o prestigiado colunista Oswaldo Militão, dos mais antigos da impressa paranaense em atuação.

A profissão de jornalista é uma das que mais causam comprometimento a saúde, devido ser tensa, desde coletar todas as informações, redigir e a corrida contra o relógio, a apuração dos fatos e redação, a tempo de garantir a sua publicação. Talvez por este motivo vieram os problemas coronários, somados ao cigarro que depois de cirurgias abandonou de vez. Tais problemas culminaram na aposentadoria em 2012. Outro fato que afetou foi a perda da filha do coração Carolina Mariana da Graça Brizolla Maciel, a Carol.

Admiro o vasto e diversificado conhecimento que tinha, não só o jornalismo, mas da língua portuguesa, literatura. Sempre era bom conversar contigo, um aprendizado que é momória viva. Na profissão e na vida pessoal era implacável, rigoroso com a ética, costumes e pensamentos, muitos dos quais foram se modificando conforme a convivência e circunstâncias com as gerações sucedâneas, principalmente com relação a neta Beatriz Heloísa Cristie dos Santos Brizola Maciel.

Em referência ao tempo recente, tenho uma enorme gratidão. Em dezembro, dia 20, você veio para o meu casamento com a Tânia Regina, nossos padrinhos. Afinal, entre idas e vindas de hospitais, internações e cirurgia, existia comprometimento quanto a saúde. E você queria estar aqui. O objetivo dos noivos era reunir todos os irmãos, e talvez você não viria. Mas veio, alegre, elegante e com todo o afeto. Pude te dizer o quanto estávamos felizes com a sua presença singular, você se reencontrou com irmãos que há muitos anos não via. Fotografias, imagens de todos reunidos, irmãos, toda a nossa enorme família. Éramos 12, mas sem o Eloyzinho e Enio, agora também sem você.

Fica a última imagem. Mas a posteridade é a do coração. Obrigado!

Entre as manifestações sobre você, destacam-se a do Oswaldo Broza, que por muitos anos foi o responsável pela Sucursal em Campo Mourão do Jornal Folha de Londrina, colegas na empresa: “,Recordei dos bons tempos da Folha e dos bons momentos que passei com o Egídio. Devo muito a ele a minha trajetória na Folha… foi um grande jornalista, um dos melhores que conheci. Um verdadeiro gentleman – fui na casa dele algumas vezes – e sempre elegante, até nos seus últimos dias. Saudade!” E da Dirce Bertotti Salvadori, professora e integrante da Academia Mourãoense de Letras: “Egídio foi um dos meus amigos mais queridos na adolescência. Nos dávamos tão bem! Gostava de conversar sobre nossas leituras (…). Descanse em paz”.

Adeus, Egídio José Brizolla Maciel, aos 74 anos, 10 de janeiro. “O que foi felicidade me mata agora de saudade”.

Fases de Fazer Frases (I)

Quem perde o medo não quer encontrá-lo.

Fases de Fazer Frases (II)

Terminada a vida, ela não leva tudo e tudo não fica.

Olhos Vistos do Cotidiano

Até onde vai a estupidez dita humana? Para as guerras.

Farpas e Ferpas

Se experiência não servir para nada nem experiência é.

Sinal Amarelo

Guarde o silêncio em recipiente a prova de som.

Trechos e Trechos

“Não nascemos apenas para nós mesmos”. [Cícero].

Cada lágrima ensina-nos uma verdade”. [George Patton].

Reminiscências em Preto e Branco

Bagagem do tempo, memória. Passado, nó que não desata data.

José Eugênio Maciel | [email protected]

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