José Eugênio Maciel 03/10
VOTO E FEIJÃO. DEMOCRACIA E FEIJOADA
Os homens sãos mais bem governados pelos seus vícios do que por suas virtudes
Napoleão Bonaparte
Será que o meu voto irá fazer diferença hoje? Eis um bom questionamento. Antes de tudo é fundamental reconhecer a importância do ato de votar, a oportunidade que o eleitor tem de manifestar a vontade dele através das opções que fizer. A vida em nosso cotidiano é constituída de escolhas a serem feitas após um mínimo de reflexão, quando consideramos todos os aspectos envolvidos para a tomada de decisão Assim como esse cotidiano é feito de decisões, a política em sentido amplo está presente em tudo, sem até que facilmente ela seja notada.
Sem dúvida, o voto é o aspecto mais claro e evidente de qualquer manifestação democrática, é quando o eleitor como indivíduo e como ser pertencente a uma determinada sociedade expressa a sua opinião, o seu desejo, o seu posici-onamento. É quando ele tem o poder de escolher, sendo essa mesma escolha um ato de poder. O voto, como o consagrado pela nossa Constituição, é secreto, pessoal e intransferível, e o eleitor poderá jamais afirmar em quem votou como poderá fazê-lo abertamente quando do período eleitoral, utilizando da propaganda e o depoimento para tal expressão.
Independentemente da avaliação que cada um possa fazer a cerca do voto, mesmo tendo uma importância tamanha a ponto da democracia não existir sem ele, é correto afirmar que apenas o voto não é a certeza e o único processo garantidor da democracia. O voto é o feijão da feijoada. Sem o voto, como o feijão, não se faz a feijoada, evidentemente. Entretanto, apenas com o feijão não se faz a feijoada. É preciso outros ingredientes. Os ingredientes são as nossas Instituições como elementos do Estado, os Poderes, os Partidos políticos, a Constituição, os meios de comunicação, a liberdade, para citar apenas alguns. Assim sendo, votar deveria refletir um acompanhamento e participação na vida civil, nas relações institucionais em nível de governo, e lógi-camente os papéis desempenhados pelos ocupantes dos cargos eletivos ou não, como os do Congresso Nacional e dos poderes executivos.
Mesmo considerando uma obrigação, quando eleitor comparece às urnas com o pensamento de cumprir a lei, o ideal é encarar o voto como um direito, o de expressar a sua decisão através da escolha. E, infelizmente não são poucos que atualmente banalizam o ato de votar, criticam com veemência tudo e a todos cruzando os braços, tapando os ouvidos e depois são os primeiros a reclamarem que estão sendo governados por quem não gostam. Embora existam motivos para a repulsa e indignação e mesmo como protesto, anular o voto ou votar em branco é omitir, é acovardar-se e esconder-se dentro de um conformismo silente. E é bom lembrar, os políticos que estão aí e o que estarão depois das eleições, obterão mandatos provenientes do resultado das urnas, da vontade e da má vontade do eleitor. Eles, os políticos, são da sociedade e retratam o grau de omissão político de uma boa parte do eleitorado, infelizmente.
Todo voto fará sim diferença e muita, à medida que ele resultar primeiramente do interesse em buscar uma consciência crítica, a escolha pensada. Mas o voto é somente o feijão da feijoada. Deste modo, ao levar a colinha, guarde-a depois, o papel ou na memória, acompanhe a atuação dos representantes, avalie, exija, cobre faça política no cotidiano, os ingredientes estão aí prontos para serem empregados quando há consciência e participação coletiva. Afinal, quando viramos as costas assim que saímos do local de votação e consideramos missão cumprida, que poderá virar as costas são aqueles que nos deram gentis tampinhas nelas. O esquecimento de ambos resultará ainda mais em atraso político.
Fases de Fazer Frases
O poder mais tirano é aquele em que todos se deixam ser governados pelo medo.
Olhos, Vistos do Cotidiano (I)
É impressionante a quantidade de veículos (do tipo vans) que transportam estudantes e, repentinamente, têm estampadas enormes propagandas de candidatos. Quanta paixão política, sem dúvida um enorme combustível, de graça.
Olhos, Vistos do Cotidiano (II)
Mais uma vez às vésperas das eleições eles ocorrem com decisões tomadas ou mudadas em cima da hora, provando infelizmente a imaturidade das instituições. O título de eleitor literalmente como documento sozinho não vale nada. Em cima da hora entendeu o STF – Supremo Tribunal Federal. E as propagandas alertando a todos para comparecerem munidos de um documento oficial com foto? Não valem mais nada, mas o contribuinte é quem pagará a conta de todas elas.
Olhos, Vistos do Cotidiano (III)
E os candidatos fichas sujas? O STF – Supremo Tribunal Federal irá decidir a respeito apenas depois das eleições. Confusão que poderá ser geral, estúpida, desgastante e comprometedora do próprio processo eleitoral. Caso um dos fichas sujas seja eleito mas tenha o registro cassado, os votos deles não serão computados. Na prática, eleitos e suplementes poderão mudar de posição. Baderna geral. O Brasil é o país vergonhosamente do jeitinho, da última hora.
É possível afirmar que muitos atos solenes de diplomação serão uma verdadeira cena circense, entregarão aos eleitos diplomas que poderão não valer nada. É como as formaturas escolares que ainda se fazem por aí antes das provas finais e da aprovação ou não. Mas em geral o estudante não tem a cara de pau de ir à formatura. Mas na política, claro que sim.
Reminiscência em Preto em Branco
Quem não escolhe direção alguma é levado pelos outros para qualquer caminho.
