Livro (me)
Tenho um ótimo paladar. Conheço e aprecio uma enorme variedade de pratos, sei distinguir temperos e preparos. Quando adentro um restaurante sei fazer minhas escolhas, habituais ou com paladar ávido para saborear novidades. Porém, não entendo absolutamente de cozinhar.
Também me considero um ótimo leitor de livros, sei fazer escolhas. Tenho fome e sabor de ler. Porém, não sei escrever absolutamente nada que valha como livro.
José Eugênio Maciel
O fato aconteceu há mais de quinze anos. Evidentemente que nenhum detalhe de nome ou circunstância será mencionado para evitar constrangimento desnecessário e imerecido. Trata-se de um lançamento de livro. Ao chegar ao local do lançamento, cheguei a imaginar ter me adiantado em relação ao horário marcado, mas não.
A situação foi embaraçosa na medida em que o tempo ia passando, minutos, meia hora, uma hora a mais do previsto e somente eu estava presente, além da pessoa autora do livro.
Fiquei até o final. Um final sem começo. A pessoa que escrevera o livro e um único presente, um leitor que se tornou ilustre em meio ao nada com lugares vazios, pilhas de livros. Procurei transmitir a importância do evento como se aquele momento não existisse tal como se apresentava, embora fosse trágico e foi por isso que não poderia deixar o escritor a sós com os seus livros. Inesquecível e cruel fui solidário até o fim.
Foi por isso talvez que certo alguém saiu na madrugada jogando livros nos jardins, portarias de várias casas, na esperança que eles fossem livros. Um fato a ser contato num outro dia destes.
Fases de Fazer Frases
Que frio! Calafrio. Roupa de fio. Pássaro sem pio. Vento apaga a chama do pavio.
Olhos, Vistos do Cotidiano (I)
Novos registros a seguir em virtude dos 24 anos de existência desta Coluna, completados no último dia 10 e lembrados no domingo passado. Ao mencionar as novas manifestações, com satisfação agradeço publicamente o carinho dos caros leitores.
É sempre uma surpresa agradável ler a sua Coluna. Surpresa que começa pelo tema escolhido, que pode ser de política, economia, cultura, educação, história… O conteúdo é fascinante, nos permite ampliar conhecimentos, refletir diante do que está à nossa frente e que nem sempre nos dávamos conta. 24 anos não é para qualquer um! É comum eu ler e reler, ora para absorver melhor o conteúdo (especialmente as frases de fazer frases), ora para ter novamente o prazer de saborear tuas palavras. Parabéns!, escreveu Maria Beatriz Fontenelle Benz, estudante de medicina em Cascavel.
Olhos, Vistos do Cotidiano (II)
Ilivaldo Duarte, membro da Academia Mourãoense de Letras – AML, na última reunião da entidade, quinta passada, enalteceu os 24 anos desta Coluna, ficando registrada nos Anais da Academia.
Olhos, Vistos do Cotidiano (III)
O historiador e blogueiro Pedro da Veiga fez o seguinte comentário no espaço dele na internet – onde é republicado o conteúdo desta Coluna: José Eugênio Maciel, meu amigo Gudé, parabéns pela sua persistência contínua na elaboração dos textos para compor sua Coluna no jornal ‘Tribuna do interior’ pois você, com muita objetividade, trata os assuntos elencados com perfeição de estilo e execução real daquilo que escolheu para materialização de seus escritos, transmitindo a sua sapiência aos leitores, do rol do qual faço parte. Continue sempre deliciando-nos com suas matérias dominicais.
Olhos, Vistos do Cotidiano (IV)
Desta Tribuna (da redação) o amigo Clodoaldo Bonete parabenizou esta Coluna, por mais essa marca importante para você e principalmente para o leitor. Ano que vem é bodas de prata. Sucesso sempre.
Em viagem de férias, a conceituada professora de língua portuguesa Vera Ávila escreveu: Abraço-o pelo tempo profícuo no exercício das letras. Que continuemos nas leituras de suas bem recebidas laudas. Cumprimentos fraternos, parabéns! Outra destacada professora, Rosângela Nagima, enfatizou a data: … Conseguir uma coluna é relativamente fácil se formos contar quantas existem, continuar melhorando-a cada vez mais. Essa permanência se deve antes de tudo a responsabilidade em trabalhar com as palavras.
Olhos, Vistos do Cotidiano (V)
Para encerrar os cumprimentos recebidos, transcrevo também parcialmente as palavras de dois diletos irmãos, Maria do Desterro e Elio, respectivamente moradores em Curitiba e Florianópolis. Professora aposentada, Maria afirmou: não nos envaidecemos por esses anos de convivência e enriquecedor que tuas palavras-mensageiras de teus pensamentos – nos tem trazido, verificar que, no passar dos anos, vão se solidificando tuas mensagens sempre animadoras e positivas, sem deixarem de ser críticas onde necessário, nos é motivo de orgulho! Para o Elio o conhecimento só tem sentido de o passarmos adiante e Durante24 anos de Coluna rimos, choramos, sofremos, mas acima de tudo, aprendemos! (…) Acima de tudo pelo amor que tens pelo ensinar. Esperamos viver por (pelo menos) mais uns vinte e tantos anos para poder deleitar de teus ensinamentos e da Coluna.
Reminiscências em Preto e Branco
Olivo Adamo transformou-se em saudades, aos 87 anos. Figura singular na generosidade, afeto, sabedoria e simplicidade, sempre trilhou, indicou e liderou caminhos da decência e da honestidade. Entre outras importantes iniciativas comunitárias de grande relevo, fundou e presidiu o Rotary Club de Moreira Sales, também o CEMIC, tendo sido vereador, exercendo o mandato de maneira sempre proba e desprendida de interesses que não fossem os públicos. Na semana passada compareceu na semana passada na inauguração de um posto de saúde, o que lhe era habitual ter ou apoiar iniciativas que visassem o bem comum. Ao mesmo tempo em que está triste Moreira Sales certamente tem muito que se orgulhar do seu Olivo, especialmente a bonita e numerosa família dele e seus muitos amigos.
