Matérias quentes, notícias fresquinhas

É engraçado porque eu me lembro que no ‘Jornal do Brasil’ a grande mudança foi no nível 

de decibéis na redação. Como a máquina fazia barulho, as pessoas falavam muito alto. 

E eu me lembro que, quando implantaram o sistema de computadores, foi aquele  

silêncio, aquela coisa estranha. Parecia até outra redação, porque ninguém  

mais gritava, todo mundo passou a falar mais baixo.Eu tinha é muita força. 

E fazia muito barulho.

Zuenir Ventura – jornalista e escritor

 

            Quando é possível visito a redação desta Tribuna, e, como sempre, sou bem recebido, inclusive com cafezinho. A prosa flui espontânea, vieram às reminiscências, atualidades e tendências. Colaborador do Jornal há 23 anos, eu acompanhei a trajetória da Tribuna do Interior, incontáveis vezes no interior da Tribuna. Naquela visita de sábado passado, os repórteres Walter Pereira e Clodoaldo Bonete me diziam o quanto é intensa a evolução tecnológica, tudo em tão pouco tempo surge revolucionário e imediatamente é superado, afirmam, contextualizando o que é utilizado para produzir um jornal.

            O início da impressão colorida, hoje corriqueira que pode até passar desapercebida, eu sugeri – não apenas eu, claro –  que a edição de domingo precisaria ter o jeito, a cara dos domingos, quando o público tem mais tempo para ler, prestar atenção, refletir e mesmo relaxar. Valia-me da condição de leitor assíduo dos grandes jornais brasileiros, como sou até hoje, que premiavam já à época o público leitor com um conteúdo digno de um domingo. Nos últimos tempos da atualidade – sem carecer especificamente mencionar as matérias – a Tribuna do Interior tem hoje consolidada tal preocupação, parte em razão do trabalho profícuo de outros profissionais que passaram pela sua redação. A preocupação atual e ações são pautadas na amplitude e variedade de temais que tornam os dias dominicais atraentes, instrutivos, com informação e formação agradáveis, de excelente conteúdo jornalístico, acessível aos mais diversos interesses e gostos. Ana Carla Poliselli, Dilmércio Daleffi, além do próprio Clodoaldo Bonete e o Walter Pereira, cada vez mais oferecem a nós leitores conteúdos jornalísticos primorosos. E tem mais um elemento constitutivo, eles são da casa, exercerem com esmero e brilho a tão importante profissão. 

            Não faço aqui favor algum ao escrever um pouco sobre o que faz a rapaziada da Tribuna, eles atuam em meio à correria para cumprir prazos, tudo para assegurar que a outra meninada jornaleira entregue bem cedo os exemplares, cotidianamente.

            Ao me despedir daquele encontro no último sábado, lembrei da primeira vez que entrei numa grande redação, a da Folha de Londrina, nos tempos do saudoso João Milanez. Conheci o efervescente cotidiano da feitura de um jornal graças ao meu irmão Egídio Brizola, jornalista que lá trabalhou durante décadas na Editoria, e hoje tem o seu jornal em Rio Verde, Goiás. Era um amplo salão, muita gente mergulhada na pauta, a batida nas máquinas de escrever sem parar: notícias acontecendo, registros, gente escrevendo, falando ao telefone, chegando, saindo, teclas e seus ruídos intensos, um barulho que bem ilustrou o jornalista Zuenir.

 

Fases de Fazer Frases 

            Tem a versão do fato e a aversão ao fato. De fato, dê fato.

 

Olhos, Vistos do  Cotidiano (I) 

            Renault amplia produção e ‘dá’ R$ 61 mil a cada empregado, começa assim a manchete da Gazeta do Povo, na primeira página, edição do dia 30 passado. E no mesmo texto foi escrito: E vai criar mil novos empregos. Ora, ninguém cria velhos ou atuais empregos. criar só pode ser algo novo, inédito. Faltou empregar a antiga e atual redação correta.

 

Olhos, Vistos do  Cotidiano (II) 

            Aproveitando a informação acima, é oportuno lembrar que a expressão Vítima fatal é empregada largamente quando se noticia um acidente quanto aos que morreram, como em alguns programas da TV Carajás. A palavra fatal advém da palavra fato, portanto, todas as vítimas são conseqüências do fato, independentemente da condição que se encontrarem, vivas ou mortas.

 

Olhos, Vistos do  Cotidiano (III) 

            Não se trata de implicância com a que comandam programas na emissora local. Assim sendo, cabe citar a Rede Globo. É comum, ao final de mini ou séries, aparecer escrito o seguinte: Este programa está baseado em fatos reais. Ora, todo fato é real, concreto. Se existem os que não acham grave, o fato é um erro, realmente.             

 

Reminiscências em Preto e Branco (I) 

            O saudoso Adinor Cordeiro, que durante muitos anos assinou nesta Tribuna a Coluna dele Jiboiada, em alusão ao próprio apelido, Jibóia. Com humor crítico, escreveu certa vez, jornal é feito para embrulhar.

 

Reminiscências em  Preto e Branco (III) 

            Sou do tempo das velhas máquinas de escrever e logicamente anterior ao computador. A Isadora Lenara, então com quatro anos, me observando digitar, ela sutilmente me fala, porque você bate com tanta força, fazendo um barulhão? Eu não tinha me dado conta, era a força do hábito de muitos anos, de tocar com força as teclas.

 

Reminiscências em  Preto e Branco (IV)

 

            A primeira vez que ouvi a expressão Gilette-press foi o meu irmão Egídio Brisola, à época em que ele trabalhou como jornalista da Folha de Londrina, conforme faço citação no texto que abre a Coluna de hoje. Era referência às pessoas que recortavam o jornal impresso e liam tais notícias nas emissoras de rádio, sem dar crédito, sem ter trabalho algum e sem ética. Tinha aqueles que liam pessimamente.