Mistura do polaco e do negro: Leminski
Amor, então,
também?acaba?
Não, que eu saiba.
O que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
Ou em rima
Paulo Leminski
O dia 24 deste mês é a data de nascimento de Paulo Leminski. Foi em 1944, Curitiba. Filho de pai polonês e mãe negra morreu aos 45 anos, deixando como legado uma diversificada produção literária, recentemente reunida e lançada em obra completa. Aliás, Toda Poesia Paulo Leminski rapidamente ocupou o topo entre os mais vendidos por diversas semanas, espelhando o grande interesse do público, então carente em ler/reler viver/reviver os escritos deste paranaense que muito cedo conquistou projeção nacional.
É comum dizer quanto alguém morre jovem e tenha produzido muito no campo da sua atuação, que a pessoa parecia adivinhar que a vida dela seria mesmo curta e, como premonição, encontrou um modo de fazer tudo com uma intensidade tamanha para deixar tudo pronto antes da derradeira partida.
Paulo Leminski expressou cabalmente o desejo de viver intensamente, incluindo a poesia, amealhando grandes goles, bebidas utilizadas quando tudo fosse o melhor da vida, a felicidade, ele então fazia o seu brinde para saudar a alegria; também erguia o copo para menosprezar ou brandir a tristeza e os desencontros da vida.
A lembrança que tenho agora é do tempo em que morei em Curitiba, fui para lá estudar Sociologia e trabalhar. Numa daquelas noites de sexta para sábado, no famoso Bar Bife sujo, após fazer um lanche para terminar a noite que começou com a ida ao cinema, alguém comenta de outra mesa de maneira que eu pudesse escutar (e os demais também, a fala era entusiástica) olha o Leminski aí!
Sabia muito pouco sobre quem ele era, mas tinha noção, por causa da poesia, a importância dele no contexto literário. Passei por ele e a sua turma, todos bebiam e começaram a declamar poemas, fazer piada de tudo, jogar conversa fora. Tudo indicava que amanheceriam naquela noite já cinzenta com a queda da temperatura, tudo era fator para a boemia. O Bar Bife sujo sempre foi famoso por reunir pessoas interessadas e fazedoras de cultura, jornalistas, intelectuais, poetas, músicos, escritores, velhos e moços entrelaçados pela criação e pela manifestação literária.
Evidentemente que agora – é só o que está ao meu alcance – fazer este registro para lembrar Paulo Leminski sem a pretensão, que seria estúpida, de analisar criticamente a obra dele. Entretanto, me atrevo a mencionar o meu gosto preferido por ele – sem diminuí-lo – o grande frasista. Original, direto, incisivo sem doer e provocante, sintetizada tudo sem perder o lirismo, o encanto, falava tudo tão rapidamente se esgotando por si só e tudo numa frase. Frases tantas vezes reveladoras que podiam nos fazer desconfiar, pensar o dia inteiro… Afinal, o que quis dizer o poeta? Ele quis, ou disse?
Para terminar, como que principia, eis algumas das suas frases e frases em meio a poesia:
Haja hoje p/ tanto hontem.
Tudo me foi dado./Nada me foi tirado./O que um dia foi meu/nunca vai ser passado.
O que o amanhã não sabe,/o ontem não soube./Nada que não seja o hoje/jamais houve.
Ameixas/ame-as/ou deixe-as
Fases de Fazer Frases (I)
A densidade de uma linha de pensamento é a extensão de um novelo.
Fases de Fazer Frases (II)
Pensar dói. Não pensar é anestésico.
Olhos, Vistos do Cotidiano (I)
Intitulada A Honestidade Descortinada, Coluna do domingo anterior, ocasião em que relatei um exemplo autêntico e notável de honestidade, o proprietário Nivaldo Correa e a esposa dele Neusa, escreveram para agradecer: Gostaríamos de agradecer o espaço cedido em sua Coluna em prol dos funcionários da nossa empresa e dizer de coração que estas atitudes de elogio e reconhecimento dos bons serviços por nós prestados que nos dão ainda mais forma para enfrentar os desafios do dia a dia! Muito obrigado Maciel, os meninos ficaram contentes com a sua atitude. Não precisava que eles agradecessem, mas registro a manifestação, acolhendo-a com a maior consideração.
Olhos, Vistos do Cotidiano (II)
Infelizmente está longe de ser a última vez que vira notícia. Desta vez uma senhora, que mora na Vila Urupês em Campo Mourão deu 11 mil reais em troca de vir a receber 200 mil reais de um bilhete premiado. O golpe do bilhete continua uma ardilosa ação que encontra terreno fértil. Várias vezes repeti um ditado mineiro, esperteza quando é demais, vira bicho e come o dono. Sem fazer apologia ao crime e precisamente a tais golpes, não tenho a menor pena de quem cai no conto do bilhete, pois também pretendia tirar proveito de uma situação, de levar vantagem indevida. Bem feito!
Reminiscências em Preto e Branco
Foi-se o tempo que a primeira flor ganha do pretendente ou namorada, era por ela guardada dentro de um livro. Não se dá tantas flores hoje? Quem lê um livro e que possa guardar uma flor? O passado é perfume sutil no botão espremido e seco.
