“Mole” é ser mulher
É um dom, uma certa magia
Uma força que nos alerta
Uma mulher que merece
Viver e amar
Como outra qualquer
Do planeta…
(…)
Maria, Maria
É o som, é a cor, é o suor
É a dose mais forte e lenta
De uma gente que ri
Quando deve chorar
E não vive, apenas aguenta…
(…)
Maria Maria – Milton Nascimento e Fernando Brant
A origem da palavra mulher é latina, mulier deriva de mollior, superlativo relativo de mollis, do mesmo latim a significar molenga, fraco. Outra acepção latina considera mulgere como sinônimo de ordenhar ou ainda mulcere, sentido de apalpar.
Se no vocabulário os milênios representam que tais termos ficaram por lá, a designação do significado atual de mulher expressa sentimentos nobres, mais como ideais do que realidades. É lamentável constatar o fato de existirem incivilizadas relações caracterizadas pela inominável estupidez a vitimar mulheres como meros objetos masculinos.
O Dia Internacional da Mulher não permite por si só ser uma data apenas festiva, manifestações ternas de respeito e admiração, claro que sim, elas merecem e sempre será ínfimo a dedicação que pudermos, nós homens, demonstrar em reconhecimento e respeito à alma feminina, singular e autêntica.
Dois fatos cabem a reflexão. 1. Os dizeres, como os colocados nas agências bancárias, que informam terem preferência no atendimento às gestantes, mulheres amamentando ou com crianças no colo. 2. A Lei Maria da Penha, que preconiza a proteção a mulher e a punição ao agressor que tenha praticado alguma violência contra ela. Evidentemente que as duas situações não se constituem privilégios e possuem inegável alcance social. Entretanto, mesmo sendo a favor de tais leis, como brasileiro me sinto envergonhado, afinal é preciso uma lei para que seja assegurada às mulheres respeito, dignidade?
Imagino, ao ceder o lugar em uma fila para uma mulher ser atendida primeiro, e se ela me agradecesse e eu respondesse, não precisa agradecer, eu só estou agindo assim porque a lei me obriga.
O preconceito, a discriminação ante as mulheres brasileiras são tão gigantescos que o noticiário diariamente registra casos de afronta: a violência física, a violência moral, realidade social perversa.
É preciso – e é infelizmente! – de leis formais para respeitarmos a mulher. A chamada lei da natureza feminina é poderosa a ponto de colocá-las em plano tão extraordinário que é inalcançável por nós homens.
Fases de Fazer Frases
O maior defeito das mulheres, amar os homens.
Olhos, Vistos do Cotidiano (I)
Em um prédio com vários escritórios, leio os dizeres de um cartaz, a reclamação é contra quem furta o jornal de um assinante, o dono está sem paciência.
No condomínio onde moro eu e outro morador sofremos com tais furtos. A Tribuna do Interior é comum alguém furtar. O João Lara, que integra (como eu) a Academia Mourãoense de Letras também já colocou recado, dado ao sumiço da Gazeta do Povo que ele assina.
Olhos, Vistos do Cotidiano (II)
Embora seja o olhar do cotidiano, não deixa de serem reminiscências em preto e branco. Na Avenida Capitão Índio Bandeira, na altura do local da reconstrução das Lojas Colombo, observo algo que foi por muitas décadas cenário na calçada, a Banca do Jonas, após fechar, foi retirada. Fraternal amigo do meu saudoso pai Eloy, a amizade continuou entre Jonas e eu. Ainda menino cresci a comprar revistas em quadrinho. Tempos depois, eu levava a então pequena Isadora Lenara, o seu Jonas cativava a criançada como a seus filhos e netos, dava-lhes atenção.
Reminiscências em Preto e Branco
Agora poderia ser invertido, embora seja reminiscências, o olhar do cotidiano. Um ex-aluno meu liga e diz ter se lembrado de mim, quando ele achou que fosse brincadeira quanto a existir de fato o Arnesto, famoso no samba composto por Adoniran Barbosa intitulado Samba do Arnesto. O ex aluno Fernando duvidou de mim, mas nunca me falou, apenas zombou perante alguns colegas, este professor brinca muito, mas essa já é demais, dizer que existe o ‘Arnesto’. Segundo ele, a própria consciência pesou ao ler na revista Veja a notícia: Ernesto Paulelli morreu no dia 26 de fevereiro aos 99 anos. Ele conheceu Adoniran em 1938 e o grande sambista afirmou que iria compor uma música e colocou Arnesto por engraçado. Quase duas décadas mais tarde Ernesto ouvia o rádio quando a música toca: O Arnesto nos convidô/Pr’um samba/Ele mora no Brás/Nós fumos/ Não encotremos ninguém.
O convite nunca existiu, mas deu um belo samba. Ernesto exerceu a profissão de advogado por mais de 60 anos, até os 90 de idade.
