Moraes sem morais
“A primeira impressão que se tem de um governante e de
sua inteligência é dada pelos homens que o cercam”.
Nicolau Maquiavel
Resta ao Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal, a renúncia do cargo. Renunciar é ato voluntário e unilateral. Abrir mão da condição de ministro se refere a ato exclusivo de quem o faz, sem barganha.
Mas, a considerar que Alexandre por vezes extrapola os poderes como juiz da mais alta Corte do Brasil, notadamente nos pronunciamentos sentenciais monocráticos, exorbitando comportamentos tais como o de, ele próprio, iniciar investigações como supostamente vítima, para julgá-la. Afronta constitucional, pois toda e qualquer impulso processual cabe ao Ministério Público Federal. Deveria se declarar impedido, como preceitua a Constituição.
As circunstâncias é que podem – no máximo que se consegue hipoteticamente lobrigar – forçá-lo à renúncia, é a opinião pública, é a sociedade civil organizada e é o colegiado do Supremo Tribunal Federal.
Para mencionar alguns meios de comunicação, os jornais Folha de São Paulo, O Globo e O Estado de São Paulo através dos editoriais, se posicionaram clara e firmemente, exigindo a rigorosa apuração dos fatos com o devido processo legal. Também entendendo que a renúncia é o único caminho que resta. Evidentemente com a condenação de todos os incriminados.
A chamada sociedade civil organizada também se posiciona, com indignação, ante aos já conhecidos escândalos do bandido Daniel Vorcaro e o seu embuste Banco Master.
A sua rede de corrupção, favorecimentos de toda ordem, incluem gente do Executivo, Legislativo e do Judiciário.
Entre Vorcaro e Alexandre as relações são promíscuas, sobretudo no contrato firmando entre o banco (bando) e a esposa do ministro, cujo escritório de advocacia é de 131 milhões.
O próprio Moraes, nas indas e vindas, reuniões e uso de mensagens já divulgadas, é quem fez a minuta, redigiu o milionário contrato.
A hecatombe iniciou em Brasília e vai se espraiando Brasil afora. Moraes contamina o STF, enredando outros ministros.
E quem estiver imune a qualquer comprometimento que posição tomará, quando e como?
Para considerar uma Corte vacilante, cabe mencionar o chamado código de conduta ética, pífio, genérico, para não ser cumprido na prática com rigor e transparência.
Entretanto, é possível, devido a opinião pública, que o Supremo provoque uma distopia e a Justiça, como Poder maior, recupere a credibilidade abalada.
O regime democrático passa por uma prova de resistência, inerente aos três poderes, e a política em sentido estrito e amplo, agudizada tendo em vista principalmente as eleições presidenciais de outubro.
O tapete nos três Poderes está repleto de sujeira por debaixo dele.
Fases de Fazer Frases (I)
Não confundamos: O mito político; com o minto do político.
Fases de Fazer Frases (II)
Quando o silêncio grita, a consciência pesa, ou o que resta dela.
Olhos, Vistos do Cotidiano (I)
Moradores de Campo Mourão são vítimas da incompetência das donas Copel e Sanepar, falta de luz e água. A dita eficiência da iniciativa privada evidencia ser uma privada entupida, pelo menos nestes casos.
Olhos, Vistos do Cotidiano (II)
Muito boa a qualidade das perguntas dos profissionais no Jornal Meio Dia Paraná, ao entrevistarem os candidatos ao Senado. Os jornalistas foram objetivos, embasados em fatos e não interromperam os candidatos, ainda quando eles tentaram fugir de algumas respostas. O mesmo não se pode dizer do Jornal Nacional, perguntar não ofende, mas em alguns momentos, eles foram grosseiros nas indagações aos postulantes à presidência da república.
Farpas e Ferpas (I)
Cheiro podre da política? A culpa é do nariz.
Farpas e Ferpas (II)
Secreto implica em ser discreto, mas discreto pode não ser secreto.
Sinal Amarelo (I)
Por vezes o duro da vida é não dar mole.
Sinal Amarelo (II)
Nem tudo que é anulável se torna nulo.
Sinal Amarelo (III)
Tudo que já é nulo não se torna anulável.
Trecho e Trecho
“Brasil: este estranho país de corruptos sem corruptores”. [Luis Fernando Verissimo].
“Todos têm encanto: os santos e os corruptos. Não há coisa, na vida, inteiramente má. Tu dizes que a verdade produz frutos. Já viste as flores que a mentirá dá?”. [Mario Quintana].
Reminiscências em Preto e Branco
A propósito do tema que abre a Coluna de hoje, e considerando a palavra-chave renúncia, vale fazer dois registros históricos, no caso de dois presidentes brasileiros do regime republicano.
O primeiro deles, mais conhecido e emblemático, é o do Getúlio Vargas, que renunciou cometendo o suicídio no Palácio do Catete, na então Capital do Brasil, Rio de Janeiro. Há 72 anos, 24 de agosto de 1954. O Getulismo é referência destacada na história, que o diga os seus herdeiros. “Saio da vida para entrar na História”, escreveu no testamento.
Outra renúncia que infelizmente teve com desfecho um golpe cívico-militar, foi a do Jânio Quadros, também em agosto, em 1961. Alegou forças estranhas. João Goulart, democraticamente eleito vice-presidente, quando a eleição e vice eram separadas, Jango tinha sido reeleito como vice, mas, qualificado de esquerdista, ficou sitiado no Palácio Alvorada, obrigado a renunciar “para evitar derramamento de sangue”. De Brasília foi para exílio no Uruguai.
José Eugênio Maciel | [email protected]
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