O sátiro Emílio
Um poeta encontrou Emílio em uma confeitaria (os bares da época) e lhe disse:
? Ontem escrevi dois sonetos. Um deles está aqui. Vou lê?lo e gostaria de
ouvir as tuas impressões. Amanhã trarei o outro, para tua apreciação.
Depois de ler o soneto com ênfase, o poeta fez a pergunta:
? O que você achou? Emílio, que tinha ouvido com
atenção, disparou: ? Prefiro o outro.
Hoje faz exatamente 147 anos que nasceu um grande nome da literatura, o paranaense, Emílio Nunes Correia de Meneses, quatro de agosto de 1866, em Curitiba. Poeta por vocação, jornalista movido pelo prazer e necessidade de se manter economicamente, é notável e atual pela crítica mordaz nalguns poemas e sobretudo na crônica cotidiana , sátiro, ácido e com estilo próprio.
Emílio de Menezes foi o primeiro paranaense e o único a integrar a Academia Brasileira de Letras, também em de agosto, 1914. Não chegou a tomar posse devido à enfermidade que o levou à morte aos 51 anos, dia seis de julho de 1918. Por causa da ironia dele, acadêmicos de então temiam que o discurso de posse viesse a ser ocasião para Emílio desfilar costumeiras provocações. Na realidade o texto preparado para ocasião não contém zombarias, ao contrário, a saudação é elegante, diplomática.
Além do diálogo produzido logo abaixo do título de hoje, a seguem outros fatos engraçados que protagonizou, além do humor, a crítica:
(I) Praça Osório, centro de Curitiba. Postado em sua mesa, em um bar, com vista para a praça, Emílio vê uma senhora bastante obesa a tentar acomodar sua massa corporal em um banco de madeira. Mas o assento não suporta o peso e cede, para susto da untuosa dama. Emílio não demora a fazer sua observação:
– É a primeira vez que vejo um banco quebrar por excesso de fundos…
(II) O poeta visitava uma exposição agrícola e deteve-se a examinar alguns exemplares de espigas de milho, no pavilhão de cereais. Aparece a seu lado um amigo espirituoso que, sabendo das qualidades de Emílio como trocadilhista, quis antecipar-se e disse:
– É milho!…
Emílio nem sequer sorriu pela blague a ele dirigida e logo respondeu:
– Hum, está com a veia, hoje?
O humorista improvisado percebeu que não poderia concorrer com a veia cômica de Emílio e fez menção de despedir-se e sair de fininho. Mas o poeta o interceptou:
– Não, não se evada.
E puxou-o até uma cadeira próxima, colocando-o sobre o assento.
– Pronto: sentei-o. Mas não te preocupes. A ti não intrigo, somente humilho.
(III) Certo médico, conceituado na profissão, há muito se candidatara à uma vaga na Academia Brasileira de Letras. Em uma roda, comentava-se sobre se ele conquistaria a cadeira.
– É mais que certo, – opinou Emílio, – Vocês compreendem: há muito tempo, que F. Está fazendo uma cabala única para entrar para a Academia! Não há acadêmico que adoeça, mesmo levemente, que ele não se ofereça para ser seu médico assistente e de graça…
– Cavando o voto!… – interrompe um dos circunstantes.
E Emílio explica:
– Qual voto! Cavando a vaga…
Fases de Fazer Frases (I)
O olhar é a esperança. O enxergar é a certeza.
Fases de Fazer Frases (II)
O guarda guarda o guarda-chuva no guarda-roupa com a roupa de guarda.
O tempo muda. O guarda tira do guarda-roupa o guarda-chuva. E uma muda de roupa guardada. Que muda.
Olhos, Vistos do Cotidiano (I)
Quero agradecer as palavras elogiosas referentes a minha pessoa na Tribuna. Talvez não fosse merecedor de tantas. Lembrastes bem do seu seu velho pai Eloy, exemplo de dignidade e honradez (…) do ‘velho MDB de guerra’ (…). Que o grande Arquiteto do Universo continue sempre a iluminar sua cabeça privilegiada. Abraços do amigo de sempre. Darcy Deitos. Registro o afetuoso agradecimento do Darcy, a propósito do Artigo do domingo passado – – sobre a justa entrega do título de cidadão honorário mourãoense.
Olhos, Vistos do Cotidiano (II)
Sobre a última Coluna, o promotor aposentado Rubens Sartori se manifestou, afirmando que a homenagem ao Darcy é merecida, e o seu texto bem retratou. O engenheiro agrônomo e produtor rural, enalteceu o Darcy e o conteúdo da Coluna , parabéns!, concluiu Álvaro Massareto.
Olhos, Vistos do Cotidiano (III)
Por falar do Álvaro Massareto, que cultiva o bom hábito da leitura, ele conhece bem a sátira do Emílio Menezes. Certa ocasião emprestei a ele a obra completa do referido poeta e jornalista. E, caso tenha outros que conheçam o literato paranaense, caberá o registro.
Reminiscências em Preto e Branco
Palavras não perdem acento. O acento é tirado delas. Palavras continuarão tendo o acento nos dicionários. Ainda que em desuso, estarão abrigadas na etimologia, todas elas, é bom acentuar.
