O seu domingo e a barulheira

Quando o sossego em casa, não casa com o do vizinho,

devido ao barulho que proporciona, tal pertubação

pode tirar a paz em um dia de domingo”.

Estive Nólocal (b.d.C.)

No penúltimo sábado para domingo esteve bem frio (o dia também). Propício para ficar um pouco mais na cama, bem coberto.

Depois de ter trabalhado como plantonista no sábado, visitado as duas netinhas,(sempre que felicidade!), ido ao mercado, chego em casa. Então vejo televisão, o meu time jogar, depois prossigo com a leitura de um livro. E fui deitar quando já passava uma da madrugada.

A sensação era boa, poderei dormir até mais tarde, descansar tanto o corpo quanto a mente, enfim me desligar de tudo…

Mas não! O pesadelo iniciou quando abruptamente fui acordado pelo barulho da motosserra a fazer poda de uma árvore no quarteirão de outra rua na esquina.

Olhei pela fresta da janela do meu quarto, segundo andar, vi bem. Não eram os vizinhos próximos de onde moro, aliás, nunca existiu qualquer incômodo.

Volto para cama, cobri a cabeça com pesados cobertores. Sonolento imaginei que voltaria a dormir.

Ledo engano! O silêncio típico do amanhecer dominical foi rasgado pelo barulho incessante, creio que o grande ruído irritou o belo canto dos pássaros. Não os escutei naquele dia.

Pertubação do sossego, inoportuno também pela lei, inadmissível.

Não importam os motivos, os que agem em sentido oposto com relação aos domingos, mas violar um direito – que não é coisa de vagabundo – o do descanso, pensam exclusivamente neles, para lá de egoisticamente.

Talvez seja um trabalhador que aceitou a empreita. Ou o próprio dono que tem o domingo para tais tarefas.

Não justifica afrontar o dia de descanso, o único para a maioria das pessoas e famílias. E assim foi, até sei lá quando.

Nos domingos, como pausa, nem olho o relógio, pois na semana as horas ditam os dias e tempo de trabalho, no meu caso, manhã, tarde e noite.

Se não foi alguém para realizar aquele trabalho, mas o morador onde a árvore se situa, talvez fazendo a poda sem conhecimento de causa e autorização.

Fico a imaginá-lo o que julgo provável, pessoa que, fora de hora, chega na casa de alguém a noite, buzina ao seu bel-prazer, estaciona em lugar proibido como na calçada, dá risada em velório, limpa o nariz na frente dos outros, fura fila, coça genitálias sem se importar com as demais pessoas próximas… e por aí vai.

Só ouvi o canto dos pássaros quando iniciou o clarear da segunda-feira. Frio ou não, hora de trabalhar. Sem pensar no próximo domingo, e, sobretudo, no anterior.

Fases de Fazer Frases (I)

Fechar os olhos para não ver é ruim. Pior é olhos abertos fingindo nada ver.

Fases de Fazer Frases (II)

Recompensa da virtude é a de não querer nada em troca.

Fases de Fazer Frases (III)

Viver no esquecimento não é o mesmo que esquecido por viver.

Fases de Fazer Frases (IV)

O amor no desencontro é amor de circunstâncias.

Fases de Fazer Frases (V)

Vejo o percevejo.

Vejo que o percevejo não me percebe.

Só percebo o percevejo só.

Fases de Fazer Frases (VI)

Não confundamos: A serventia da tia; Com sem ver a tia.

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

O advogado Pedro Teixeira Pinto disse ser leitor da Coluna, “sempre atual, muita cultura e informação”, sintetizou. Agradeço, com grande consideração por ele, de há muitos anos.

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

Segundo o Sítio Plural, o prefeito de Foz do Iguaçu, dia 20 passado, na visita do governador Ratinho Júnior (PSD), disse ser aliado do governador. Um dia depois, Moro mostra vídeo no qual o prefeito de Foz, General Silva e Luna (PL) expressa apoio ao senador Sérgio Moro (PL). Quem sabe a Garganta do Diabo possa explicar

Independentemente dos fatos, nesta situação, prefeitos da região da COMCAM parecem cautelosos, e, até agora, não têm feito manifestações públicas claras em favor de quaisquer candidaturas, ao Senado e ao Palácio Iguaçu.

Olhos, Vistos do Cotidiano (III)

Um meio de ocultar quem de fato deseja encomendar uma pesquisa eleitoral – governo, partidos, candidatos – é informar que a pesquisa foi paga pela própria empresa que fez o levantamento. E tem aparecido cada instituto que depois desaparecerão para voltarem nas próximas eleições.

Farpas e Ferpas (I)

O que não foi bem-feito, mas feito foi, é melhor do que o completo malfeito.

Farpas e Ferpas (II)

Deveres são haveres, que deves veres.

Farpas e Ferpas (III)

Para se rastejar tem que saber e gostar do chão.

Sinal Amarelo (I)

Quem se julga apto para tudo, não pode ser surpreendido por ele próprio.

Sinal Amarelo (II)

Palavra não fere, mas quem a profere.

Sinal Amarelo (III)

Balança não se pesa nem se equilibra sozinha, depende de quem a move.

Trecho e Trecho

Na educação dos filhos que se revelam as virtudes dos pais”. [Henrique Maximiniano Coelho Neto].

Pela rua do já vou, chega-se à casa do nunca”. [Miguel de Cervantes].

Reminiscências em Preto e Branco

O sucesso do passado está no presente que soubermos guardar, como a raridade que se torna relíquia.

José Eugênio Maciel | [email protected]

* As opiniões contidas nesta coluna não refletem necessariamente a opinião do jornal