Paraná, vexame nacional
Ser paranaense é dizer ‘passa lá em casa’, mas nunca dá o endereço.
Autor desconhecido
O Paraná tem muito que aprender, a afirmação é ruim. Pior é dizer que o Paraná tem pouco a ensinar. Não chegamos a ter complexo de identidade, sequer temos uma, palpável. Do indígena, Paraná significa pará+nã= semelhante ao mar. Mesmo por ser um rio grande, apenas nos assemelhamos ao mar, meramente.
O escrevinhador aqui sempre irá preferir escrever sobre o Paraná para enaltecer a gente que aqui vive com os seus feitos positivos. Entretanto, lamentavelmente existem situações que geram tamanho incômodo que é inevitável colocar o dedo da ferida.
Antes de rememorar acontecimentos relativos ao Paraná, esquecidos – por nós, involuntariamente ou por conveniência – é fato que a nossa imagem no cenário nacional ficou ruim (para não dizer péssima) quanto a iminente ameaça de Curitiba não mais sediar jogos da Copa do Mundo, dado ao enorme atraso da Arena da Baixada. Foi e é notório os atrasos das obras Brasil afora. Contudo, entre os ruins, somos os piores. O estádio do Atlético Paranaense era até então moderno espaço, seria o local que menos exigiria transformação. A realidade é que só em maio a construção deverá ser concluída, na véspera do Copa!
A maior das vergonhas não é o local dos jogos, e sim, as obras de infraestrutura, que melhorariam a vida na Capital, elas não foram todas feitas. Cadê o metrô?
Se o leitor tiver paciência, acompanhe a pequena lista de vexames envolvendo paranaenses, e nós deveríamos ficar veementemente indignados, capazes de tirar lições para não repetirmos deploráveis situações.
Embora nascido em Santa Catarina, o condenado Henrique Pizolato se estabeleceu há anos em Toledo. Dos condenados pelo mensalão, teve a genial ideia de fugir do Brasil para pedir asilo na Itália. Lá chegou com a identidade e passaporte do irmão já falecido. Pelo Supremo a condenação imposta a ele é de 12 anos e 7 meses, por corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro. O sindicalista que foi funcionário do Banco do Brasil era homem de confiança do PT. Ele ainda faz parte do noticiário, pois em definitivo não se sabe se será extraditado, se antes ou após cumprir pena lá na Itália. Ele foi esperto numa coisa, se aposentou antes do julgamento para não perder o direito.
Lembram do ministro que antes de chegar a assumir, passou a ser ex do que nunca foi? (Foi até marcada a data da posse no ministério da agricultura). Os parananenses – ao menos os louvam-tudo comemoraram para depois esconderem ou furarem as bexigas da festa. O então presidente Lula, (PT) dentro da cota ministerial do PMDB, convidou o deputado federal Odílio Balbinoti para ser ministro, em março de 2007. Aí logo veio a ficha corrida do parlamentar, ex prefeito de Barbosa Ferraz. Ele respondia a acusação de ter forjado assinaturas de documentos no Banco do Brasil. Sem desejar esperar o fim do julgamento do Balbinoti, que poderá ser declarado inocente, Lula tratou logo de desconvidá-lo.
A língua portuguesa foi negligenciada, se é que ele a conhece um pouco O bestunto André Vargas, deputado federal por este Estado e vice-presidente da Câmara, agiu feito criança birrenta e sem razão, como se estivesse em um parque infantil. Na sessão solene de abertura dos trabalhos legislativos, Vargas não cumprimentou o presidente do STF – Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa. O deputado gesticulou levantando o braço com o punho fechado. Ele expressou o inconformismo pela condenação dos mensaleiros, solidário com a corja de aloprados. Vargas escreveu mensagem no celular a palavra cutovelo, quando o certo é cotovelo. O cu no lugar errado revela a ignorância do deputado que só foi notícia devido a dupla falta de educação.
A reminiscência leva a recuar no tempo para chegar a 1995. O deputado federal Matheus Iensem ocupou páginas no noticiário e muitos holofotes focaram o então ilustre desconhecido parlamentar do Paraná. Ele foi o autor da emenda à Constituição que assegurava o mandato de cinco anos para o presidente José Sarney (o tempo era de seis anos, Sarney abriu mão de um ano).
O presidente Sarney recompensou muitos parlamentares que votaram favoráveis à Emenda, brindando com fartas concessões de emissoras de rádio e televisão. Iensem já era do ramo, possuía rádios.
Tem um episódio sobre o Paraná em que o ele é vítima do azar, embora tenha também culpa. Trata-se de um político que teve um escândalo contra ele, mas ele tem a favor uma importante lei, de inegável alcance social. Como o espaço acabou, quem sabe na próxima coluna ele seja narrado, ainda que nós paranaenses não gostemos de saber, lembrar e principalmente tirar lições.
Fases de Fazer Frases
O tempo certo da vida é o das incertezas vividas.
Olhos, Vistos do Cotidiano
No Baú do Luizinho foi reproduzido parte do Artigo do domingo passado – Armação Política – ou vice versa. Sobre as cabeças que poderiam ser decepadas, o Luizinho considerou interessante a possibilidade de se usar um machado para o corte.
Reminiscências em Preto e Branco (I)
Para recordar a política paranaense, Aroldo Leon Peres, governador nomeado pela ditadura militar, só ficou sete meses (1971) no cargo. Radicado em Maringá, ele teve que renunciar após uma conversa gravada em que pedia um milhão de dólares ao empreiteiro Cecílio do Rego Almeida (também falecido). Na iminência de ser defenestrado do palácio Iguaçu, ele pediu a conta para não ser cassado. O Paraná foi notícia nacional negativa.
Reminiscências em Preto e Branco (II)
O deputado federal condenado pelo STF (formação de quadrilha) recém cassado pela Câmara, Natan Donadon (Roraima) continuava deputado mesmo preso. Quando a votação passou a ser aberta, ele foi cassado. O que o Paraná tem a ver com isso? O bandido nasceu em Porecatu.
