Portinari, a volta do pintor do povo
Estou com os que acham que não há arte neutra. Mesmo sem nenhuma
intenção do pintor, o quadro indica sempre um sentido social.
Cândido Portinari
Após 54 anos o imenso quadro Guerra e Paz está de volta ao Brasil, em exposição prevista até 2013 no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Guerra e Paz deixa a sede da ONU – Organizações das Nações Unidas em Nova Iorque e poderá ser vista pelos brasileiros. Configurada a sua inclinação muralista, Portinari necessitou de andaimes para pintar Guerra e Paz, iniciado em 1952 e concluído em 1956, medindo cerca de 14×10.
Além da inegável importância do quadro posto na sede da UNU, presente do governo brasileiro, e do retorno ao Brasil na referida exposição, é oportuno ressaltar que os Estados Unidos impediram Portinari de entrar naquele País pelo fato de ser comunista. A pergunta foi feita ao pintor e ele confirmou ser comunista.
Influenciado pelo líder Luiz Carlos Prestes, a quem admirava muito, Portinari se filiou ao Partido Comunista Brasileiro. Pelo PCB e para ajudar ao partido e contribuir pela volta da democracia, Portinari se candidatou a deputado federal em 1945 e no ano seguinte para o Senado, sem sucesso eleitoral. O posicionamento político-partidário não o impediu inteiramente de projetar a arte dele mundo afora, mesmo diante de tais obstáculos.
Outro registro fundamental sobre a vida e a obra de Portinari tem a ver com o também comunista Oscar Niemeyer. O arquiteto, de antes projetar Brasília, fez o conjunto arquitetônico da Pampulha de Belo Horizonte, Minas Gerais, a pedido do então prefeito Juscelino Kubitschek. Niemeyer convidou Portinari para realizar a decoração de tais espaços. Assim sendo, São Francisco e a Via Sacra, na Igreja da Pampulha, reforçaram o caráter social e trágico das obras de Portinari. São Francisco é retratado num cenário brasileiro onde aparecesse próximo ao Santo um cão vira-lata pintado como expressão da miséria da nossa gente. Somando-se o sentido daquelas obras e o posicionamento político, a Igreja Católica recusou a usar a famosa capela, idealizada por dois comunistas!, disseram. Hoje os noivos, mesmo não se casando lá, se dirigem até ela para orarem e tirar fotos.
O trágico era uma forte expressão da arte de Portinari, que o diga Retirantes, pessoas fugindo da seca, pelas estradas poeirentas e áridas com seus poucos pertences, esquálidas. Pintou também os negros e há neles uma particularidade que chega inicialmente a comprometer a chamada estética. Nos quadros sobre as fazendas de café, os pés e braços dos escravos estão pintados enormes e, portanto, desproporcionais ao corpo. Ao ser perguntado sobre qual o sentido, Portinari afirmou que era o olhar sob a ótica dos senhores dos escravos, o que lhes interessava nos negros era a força bruta empregada para a exploração vil, braços, pernas e pés tinham valor como mão-de-obra.
Guerra e Paz, após ficar pronto pelo mais expressivo artista brasileiro, só foi visto pelo próprio Cândido Portinari uma única vez, logo após terminá-lo. Ele morreu logo em seguida, em 1962 no Rio de Janeiro, seis de fevereiro, em consequência da progressiva intoxicação proveniente do contato com as tintas usadas nas pinturas. Portinari foi advertido pelos médicos do perigo iminente, no entanto, disse o pintor, estão me impedindo de viver.
A referida exposição aberta em dezembro, faz lembrar outro dezembro, o dia 29 de 1903, ano de nascimento do pintor, no interior de São Paulo, na pequena Brodósqui, filho de imigrantes italianos, numa fazenda de café. O café e o meio rural da infância seriam comumente retratados nas suas mais importantes obras.
Fases de Fazer Frases (I)
Presente com laço simboliza que a amizade tem lastro.
Fases de Fazer Frases (II)
Minha falta não foi sentida? Então a minha presença foi menos sentida, ainda.
Fases de Fazer Frases (III)
O aclamado logo se aclimata com quem o aclama, mesmo que não se clamem.
Olhos, Vistos do Cotidiano (I)
Registro parte do comentário feito pelo professor Valdair Silva, gosto de ler suas belas palavras e, ainda se referindo ao último artigo sobre Noel Rosa, ele lamenta, é com muita tristeza que vejo o desconhecimento de muitos sobre a nossa boa música brasileira. Segundo ela leitura assídua, não deixo de ler a sua Coluna, registro também a manifestação da professora Vilma Radke, o mesmo fazendo a jovem Camila Módena, os seus textos me inspiram, me fazem aprender.
Agradeço efusivamente, lembrando que também registrarei as críticas ditas negativas, pois elas são sempre de algum modo positivas.
Olhos, Vistos do Cotidiano (II)
O som das palavras e mesmo de frases inteiras podem nos levar a compreender algo totalmente diferente. E se quem recebe a mensagem não a ouve direito ainda, então está feita a confusão, no caso a seguir ainda bem que ela foi momentânea.
Ao comentar com ela sobre uma meta atingida que parecia inalcançável, entendi que a minha querida amiga e colunista do Jornal Gazeta do Centro Oeste tinha me dito: que me apontes. Ouvi, processei a informação, meditei e não compreendi nada dentro do contexto do que eu acabara de falar, fiquei esperando atento a sequência da fala que me fizesse compreender, mas a Lucilene de Araújo tomou outro gole de café e tinha concluído o comentário, continuei sem entender nada!
Então perguntei, Lucilene, o que você quer dizer com ‘que me apontes’, é para apontar o quê?!. Aí disse ela: eu não falei ‘que me apontes’, você escutou errado! O que eu disse a propósito da sua meta alcançada é queimar pontes. Ela me explicou, queimar pontes significa não retornar e passar por elas novamente.
Entre outras tantos confusões que conheço, lembro aquela: Não confunda conhaque de alcatrão com catraca de caminhão.
Reminiscências em Preto e Branco
Na dinâmica registrada do tempo, o novo fica (quando não surge) logo velho, a saudade sentida por antecipação.
