Quer ela e querela?
Quem pouco viu, muito se maravilha
[Provérbio chinês]
Nem tanto a terra nem tanto ao mar, o ditado é muito popular no Brasil. Largamente praticado correndo solto por conta da chamada mistura étnica indígena, portuguesa e africana. Tal mistura – sem pejorativo do termo – está muito presente nos nossos falares, língua e linguagem. O vocabulário oficial e o não oficial podem tanto estarem tão próximos que se fundem, como tão distantes que se dissociam.
Em termos de brasis muito passou e passa a ser termos relativos. Chega de fazer voltas com as palavras, pois elas, mesmo em círculos que vão se fechando, poderiam demorar em se alcançar o ponto central. Desde quando se confirmava o fim do segundo turno para as eleições, qual seria a designação correta: presidente ou presidenta?
Nem tanto a terra nem tanto ao mar, ou seja, ambas as designações estariam corretas, informam os dicionaristas. Entretanto, não se pode negar que os sufixos ante, ente ou inte, derivados do grego independem do gênero, masculino ou feminino. A presidente Dilma tem o direito de manifestar a preferência para ser chamada por presidenta, sem, no entanto, obrigar a todos a assim tratá-la.
O professor teria que chamar a aluna de estudanta? O médico a enferma assistida de pacienta? O pai de chamar a filha dele de adolescenta?
A presidente pode não gostar quando não a chamarem de presidenta. Mas Dilma não teria o direito de ficar descontenta.
A colunista Dora Kramer, a mais talentosa jornalista da análise política, na última sexta, no artigo publicado no Jornal O Estado de S. Paulo discorreu sobre o tema, entre outros assuntos abordados na ocasião. Em Titularidade, cabe a transcrição:
É uma idiossincrasia vã essa exigência de Dilma de ser chamada de ‘presidente’. Isso se for mesmo exigência dela e não invenção de marqueteiro.
Não foi por implicância que a imprensa decidiu tratá-la por ‘presidente’: é o originalmente correto – o termo ‘presidenta’ – foi incorporado ao idioma por dicionarista -, soa muito melhor e segu3e a regra de substantivos usados para os dois gêneros.
Mesmo auxiliares da presidente têm alguma dificuldade de se referir a ela segundo a nova norma. Sem contar que é constrangedor ver gente adulta tentando se adaptar só para agradar ao poder.
No lugar de tentar impor a sua regra, mais adequado seria o governo se adequar à prática idiomática comum no país. Inclusive porque não é isso o que fará a afirmação feminina, muito menos determinará o sucesso ou fracasso da primeira mulher presidente do Brasil.
Bom senso é como caldo de galinha: mal não faz.
Fases de Fazer Frases (I)
O nascido com dom não deve dispensar o talento, que poderá matá-lo.
Fases de Fazer Frases (II)
Quem jamais duvidou de nada tem todas as certezas inúteis.
Olhos, Vistos do Cotidiano (I)
A sensibilidade de um cronista singular, publicada na última quarta homenageando o grande cronista Rubem Braga, propiciou manifestações dos caros leitores. A estudante de Letras de Maringá, Luísa Fernandes Veiga, escreveu: Embora estude em Maringá eu acompanho o que você escreve quando morava em Paranavaí. Lá eu pude assistir há alguns anos a suas palestra quando em fazia outro curso. Fiquei encantada com a sua inteligência, grande conhecimento e o como você encantava a atenta plateia. Não pude vê-lo pessoalmente desde então, mas eu passei a acompanhá-lo esses anos todos e tudo o que você escreve. Admiro o seu grande conhecimento e o modo como escreve. Tenho aprendido muito. A homenagem ao Rubem Braga me encorajou a te escrever. Tenho colecionado as tuas Frases de Fazer Frases. Você tem o dom das palavras, a capacidade de se expressar que sempre me encantou, sempre.. Tive que resumir o texto dela, mas não suprimir o meu profundo agradecimento.
O publicitário Rodrigo Corrêa de Barros, de Curitiba, dileto sobrinho e leitor assíduo, afirma que temos em comum o fato de apreciarmos uma boa leitura, o Rubem Braga é dos maiores dos nossos literatos.
Olhos, Vistos do Cotidiano (II)
Tem mais manifestações: O funcionário do Banco do Brasil Claito Macedo lamenta que alguma coisa tomba ao esquecimento até que deixa de existir, se referindo aos valores da nossa literatura, sucumbidos, segundo ele, enquanto que aquilo que é ressuscitado mas que não deveria. A economista Estter Ribeiro de Moraes afirma: Sou uma pessoa mais rica, desde que o conheci aqui, podendo beber na fonte da sua inteligência, por acompanhar os textos através da Internet.
O blogueiro Juma Durski, sem dúvida um dos maiores apaixonados e cultores das boas coisas da nossa terra, escreveu assim para o outro blogueiro mourãoense Ilivaldo Duarte: Maciel! Na minha opinião, um dos maiores filósofos do Paraná! Sua ‘Fase de fazer frases’ sugere-nos: Faz aquilo que nunca faz, faz sua fase de fazer frases, fazer-se eterna! Parabéns Maciel!! Campo Mourão tem duas fases: Antes de Maciel e a fase Pós Maciel!… Parabéns e abraços!.
A todos agradeço, sempre.
Reminiscências em Preto e Branco
Décadas passadas, tendo que extrair um dente, colocar um de ouro em seu lugar era sinal de status social. Ainda se vê alguns raros que possuem dente de ouro, a maioria com mais de oitenta anos. Época de ouro, literalmente, superada pelo tempo.
