SÓ A (HÁ) SÔNIA

Avião sem asa,

Fogueira sem brasa,

Sou eu assim, sem você

Futebol sem bola,

Piu-Piu sem Frajola,

Sou eu assim, sem você…

Fogueira sem brasa

(…).

Porque é que tem que ser assim?

Se o meu desejo não tem fim

Eu te quero a todo instante

Nem mil auto-falantes

Vão poder falar por mim…

Eu não existo longe de você

E a solidão é o meu pior castigo

Eu conto as horas prá poder te ver,

Mas o relógio tá de mal comigo…

(…)

            Existem pessoas indissociáveis de outras e dos fatos. Elas proporcionam sentidos mútuos de entrelaçamento que só é possível distinguir e não separá-las. A curitibana de nascimento e mourãoense por afeto há mais de três décadas, Sônia Sekscinski compunha uma tríade cristalina com o jornalista Aroldo Tissot e com o Jornal Gazeta do Centro Oeste. Essa trilogia inseparável é mais que a trajetória de um casal e do tempo de um jornal, ela faz parte de uma rica história dos meios de comunicação da nossa região, digna de registro, ainda que extremo nesse momento indizível no derradeiro adeus a ela, ocorrido na última segunda-feira, dia 21.

            A Sônia da Gazetinha, A Sônia do Aroldo, expressões populares que também foram empregadas em face da repercussão da morte dela. A canção de Claudinho e Buchecha intitulada Fico Assim Sem você, alguns versos que abrem o texto desta Coluna, se tornam oportunamente emblemáticos e alusivos ao preito. Sônia, Aroldo e Gazeta do Centro-Oeste – não necessariamente nesta ordem – refletem a canção, que, noutro trecho menciona Romeu sem Julieta/Sou eu assim, sem você/Carro sem estrada,/Queijo sem goiabada, (…).

            Antes de conhecer Tissot e com ele se enlaçar, Sônia não fazia ideia como funcionava um Jornal, a rotina de uma redação. Há 30 anos ao fundarem a Gazeta do Centro-Oeste Sônia passara a ser a companheira fiel e lutadora como quem cai na água e apreende a nadar, ela passou a assinar a coluna social, desenvolvendo paralelamente relações públicas que foram decisivas para viabilizar o Jornal. Os tempos, muitos dos quais difíceis, encontraram na Sônia mulher determinada capaz de ser maior do que as adversidades. Tanto é assim que é conhecido o episódio da agressão covarde e criminosa que eles foram vítimas, custou a ela a perda da visão de um olho. Poderiam ter sucumbidos, mas não, sem soçobrarem, sacudiram a poeira e deram a volta por cima.

            Nas páginas do jornal, graças à Coluna social, a Sônia sempre foi para comigo muito generosa, publicando acontecimentos sociais que me fiz presente, sem esquecer-se do meu aniversário, sempre carinhosamente lembrado. Numa dessas ocasiões, por causa da solenidade da Academia Mourãoense de Letras eu fiz uso da palavra. Ela fotografou aquele encontro e registrou: Maciel, um dos mais brilhantes oradores…. Como das outras vezes, liguei para agradecer a gentileza e dizer que ela tinha mesmo exagerado naquele registro.

            O que mais dizer? O sorriso aberto, os olhos vivazes fazem do luto a dor insuperável. Porém, permite à advertência, a vida tem que prosseguir, mesmo que não seja da igual maneira. Cabe citar o poema de Cora Coralina:                  

 O tempo muito nos ensinou.

Ensinou a amar a vida,

Não desistir da luta,

Recomeçar na derrota,

Renunciar as palavras e pensamentos negativos,

Enfim, acreditar nos valores humanos.

Ser otimista!!!.

Fases de Fazer Frases

            O pensar só é livre quando o pensamento liberta o ser que pensa.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Não se pode afirmar que o governador Beto Richa realizou uma reforma no secretariado, quando muito ele fez mudanças de nomes e de posições. A experiência de ter bem administrado Curitiba não é simplesmente a mesma coisa do que governar o Paraná.

Reminiscências em Preto e Branco

            Olhar o passado com as vistas cansadas é tão desafiador quanto vislumbrar o futuro com o sentimento idealista esmorecido. Mas é preciso viver e não apenas sentir o tempo.