Voto é vontade?

Se consciência significa memória e antecipação,é porque consciência é sinônimo de escolha

Henri Louis Bergson

            Há 35 dias as urnas estarão à disposição de todos nós eleitores. Evidentemente que o tempo é bem curto, ao se considerar à distância de grande parte dos brasileiros, desiludidos com a política e, como nas últimas eleições, dispostos a anular o voto ou deixá-lo em branco.

            E como não poderia deixar de acontecer, existe sim o povo que não abre mão de ter opinião, de assumir ou secretamente exercer tal escolha.

            É preciso distinguir o que pode ser esperança e o que pode ser ilusão no cenário em que o poder público cada vez menos dá conta da demanda populacional como saúde, educação, emprego, renda, moradia. A precarização, quando se tem, dos serviços públicos, é retrato revoltante. As notícias sobre a política estão diretamente associadas aos escândalos, investigações, prisões, como também impunidade, privilégios.

            Lamentavelmente é imperioso reconhecer, o quadro de candidatos a presidente do Brasil é composto por uma velha classe política, de nomes ditos tradicionais. E, sem poder ou desejar nivelar tudo por baixo, existem sim exceções. Ainda que tenha existido uma frustração, as expectativas eram de nomes nascidos do ventre de novas políticas, de candidatos sérios, comprometidos.

            Até agora candidatos dizem e se contradizem, discursam apontando as grandiosas mazelas dos governos e discursam também a oferecerem solução para tudo e para todos. O dilema não é só o conteúdo da pregação dos candidatos em busca do voto, o dilema é também nosso para não sermos derrotados pelo próprio pessimismo. Quem votaria em um determinado candidato que tenha que adotar, ao menos inicialmente, medidas impopulares?

            De curiosidade – se é que o termo está bem empregado – é se a propaganda será capaz de mudar preferências e rejeições dos eleitores. E quais seguirão para o segundo turno, devido ao acirramento da disputa.

            Não é possível sequer desconsiderar a importância de um fato que é péssimo, um ex-presidente cumprindo pena e se mantendo como candidato a ocupar o mesmo cargo.

            Se é que aprendemos algo, já são dois os presidentes cassados. O vigor da democracia deveria pressupor competência e honestidade, não como programa de governo, mas o mínimo que deveríamos exigir de nós mesmos, dos candidatos e da nossa parte como eleitores, cidadãos.

            Alguém irá se tornar presidente, homem ou mulher, deste ou daquele partido, com os votos que terá para chegar lá, como também a responsabilidade dos em branco e nulos.

            A história acontecerá, não por acaso, podendo até ser tristemente pelo ocaso.        

Fases de Fazer Frases (I)

            Analise a análise: questão de acentuar.

Fases de Fazer Frases (II)

            Tudo tende a tudo. Tudo tem de tudo. Tem de tudo.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            População da COMCAM encolheu 2,6%, manchete deste Jornal, sexta passada. Perdemos 9 mil e cem moradores. Só Campo Mourão tem aumento, ainda sim pequeno 59 moradores.

            Ao mesmo tempo que existem significativos fatos que habitantes a irem embora da nossa região, cabe indagar, o que poderia ser feito para reverter a diminuição do número de moradores. A acomodação, omissão leva a ter pessoas que até consegue comemorar, achando que a perda poderia ser maior. Cada município perde, nossa região perde, perdemos todos nós.

            Já passou da hora de estudar, refletir, propor soluções? O que está em jogo é a estrutura e processo de desenvolvimento econômico e social.

Reminiscências em Preto e Branco

            Agora em época de eleições, tem uma música que ficou famosa, varre, varre, vassourinha, campanha de Jânio Quadros, 1960. A vassoura simbolizava o compromisso dele em combater a corrupção. Ele foi eleito presidente mas não ficou no cargo depois de sete meses, renunciou. Em 1992 quando tentou ser prefeito de São Paulo, a música foi usada novamente. A vassoura não foi ideia de marqueiro algum. Jânio discursava dizendo que varreria a corrupção, em alguém do povo no comício estava com uma vassoura e deu a ele. Sucesso imediato.

__

Por José Eugênio Maciel | [email protected]