Voto, o elo capaz de governar-se e ser governado
Afirmo, pois, que a soberania, não sendo senão o exercício da vontade geral,
jamais pode alienar-se, e que o soberano, que nada é senão um ser coletivo,
só pode ser representado por si mesmo. O poder pode
transmitir-te;não, porém, a vontade
Rousseau
Quantos irão às urnas hoje compreendendo que o voto se caracteriza por ser obrigatório? Quantos que votarão hoje entendendo que o voto, mais do que um dever, é um direito?
Quantos efetivamente irão expressar a vontade de um eleitor, vontade tal que virá a ser um somatório geral chamado vontade coletiva e majoritária?
Quantos os eleitores que avaliam que o seu papel político acontece hoje, com as eleições, e que consideram que caberá aos eleitos governar e aos votantes voltar para a casa e esperar que a vida passe a ser melhor ou melhore ainda mais?
Quais são os motivos que determinam a escolha de nós brasileiros eleitores? Somos movidos pela emoção? Pela razão? Levamos em conta as nossas vontades individuais ou as coletivas?
Politicamente hoje, devemos considerar mais o passado, o presente ou o vislumbrar o futuro?
O que exigimos dos governos em outras eleições, como honestidade e competência como marcas da ação política governamental, exigimos de nós mesmos em nossas vidas públicas? No trânsito, no uso do patrimônio público, numa fila, na conduta profissional, somos éticos, primamos pela lealdade, a mesma ética e lealdade além da eficiência que exigimos dos governantes? Somos capazes de autogoverno?
E talvez a pergunta mais importante que bem poderia aparecer no início do texto, mas aqui é feita para que o fim se possa encontrar a resposta, uma resposta que seja o começo de um novo comportamento como exercício da cidadania: Assumiremos a responsabilidade pelas nossas escolhas sacramentadas nas urnas?
Fases de Fazer Frases (I)
A Inteligência artificial não é artifício para os ignorantes.
Fases de Fazer Frases (II)
Vim só avisar.
Vim suavizar.
Vim só a visar.
Vim, só, azar.
Fases de Fazer Frases (III)
O tato na escuridão esclarece.
Fases de Fazer Frases (IV)
O suspiro que aspiro me inspira no calor da pira.
Olhos, Vistos do Cotidiano (I)
Ao contrário do conteúdo predominante das propagandas eleitorais veiculadas no horário gratuito e dos debates anteriores, o encontro dos candidatos a presidente teve na última sexta um bom nível. Dilma e Serra se comportaram com equilíbrio e sensatez, o confronto não conteve elementos da baixaria anterior. Na Rede Globo, o máximo que mencionaram, Serra e Dilma empregaram basicamente as seguintes expressões: No governo anterior; ou no governo atual.
Olhos, Vistos do Cotidiano (II)
Continua rendendo comentários que até mesmo impede o brasileiro, ao menos por um longo tempo, de fazer piadas de português. A estupidez de não se poder votar somente com título eleitoral, mas votar com qualquer outro documento oficial, sem precisar do título (por ele não ter foto) é efetivamente uma piada sem graça e nada ficcional, realidade brasileira, pura.
Mas para que a foto do eleitor no próprio título? Quem aparece na telinha da urna são os candidatos, ainda que eles hoje ou depois não venham ou virão a retratar o eleitor.
Olhos, Vistos do Cotidiano (III)
No Brasil os partidos sempre se partem. Partem para a conquista do voto. Partem para a conquista do poder. Partem e repartem, dependendo do poder que têm ou do poder que perdem.
Reminiscências em Preto e Branco (I)
Os relógios de bolso necessitavam de dar corda. Eram do tempo devagar, as horas não deixavam embolsar a calmaria das pessoas nem desapontavam os ponteiros.
Reminiscências em Preto e Branco (II)
Quem não tem o que lembrar não viveu. Mas não se vive só de lembrança.
