À flor da pele

Ao encerrar a coluna ontem, este colunista afirmou, referindo-se à maneira como foi votado o discutível auxílio moradia para a magistratura: Milton Luiz Pereira deve ter-se virado no túmulo. Caberia mais dizer: Já não existem tantos Miltons Luiz Pereira como o aposentado ministro do STJ que faleceu em 2013. Para os que não tiveram o privilégio de conhecê-lo uma informação: quando ministro do STJ e o auxílio-moradia foi implantado aos ministros da Corte, ele simplesmente negou-se a recebê-lo alegando que já era bem pago. É preciso também esclarecer que a coluna foi contra o açodamento e a pressão feita por magistrados para aprovação da benesse, sem discussão. Bem explicado, o projeto seria mais palatável. Além disso, se os que pressionaram deputados tivessem o mesmo empenho na agilização dos processos sob suas responsabilidades, o conceito da Justiça seria melhor. Imagina-se que se refira o auxílio a beneficiar juízes que, nas comarcas interioranas moram em imóvel alugado pela prefeitura local. Situação constrangedora pois tais  municipalidades que sediam Comarcas, hoje vivem em grande dificuldade. Não terá o mesmo sentido na capital, onde juízes e desembargadores, muitos deles pertencentes a tradicionais famílias, não têm a mesma dificuldade de juízes e desembargadores de outras origens e bens. Nenhum caso porém guarda semelhança com residências do projeto Minha Casa, Minha Vida. Viram como ficaria muito mais fácil explicar o projeto do que enfiá-lo goela abaixo de uma população que ainda lembra os maus momentos vividos pelo Tribunal de Justiça do Paraná no ano que passou, acossado que foi por situações constrangedoras! Pode-se ainda questionar a afirmação feita por um parlamentar de que os recursos destinados ao auxílio são do orçamento do TJ, esquecido porém que esse orçamento é abastecido pelas contribuições da população.  Daí talvez, a inoportunidade de tal projeto, num momento em que a população, irritada igualmente com outros fatores, anda com os nervos à flor da pele.

Greve …

A infeliz iniciativa do Sindicato dos motoristas e cobradores que atuam no sistema integrado de Curitiba e Região Metropolitana de transporte coletivo, de promover uma greve que deixa milhões de usuários entregues à própria sorte, greve que deveria ser realizada contra os patrões, se como alegam, a reivindicação for por melhores salários.

A ideia válida seria concitar tais funcionários a circularem com seus ônibus com catracas abertas.

…infeliz

Essa forma de protesto que atinge uma população já prejudicada de todas as formas, com sistemas precários de saúde, educação de má qualidade, insegurança total, carga tributária de primeiro mundo sem recompensa, só interessa ao nababos do transporte coletivo. Assim  como a ação dos black-blocs interessam ao governo, na medida que que intimida os demais manifestantes.

Mudanças, já!

O sistema sindical brasileiro, com  beneplácito do governo federal desde os dois governos do presidente Lula,  protegido que foi quando mudanças eram tentadas, certamente receberia aplausos da população se encontrasse forma de beneficiar as categorias profissionais que representam, sem causar ainda mais dificuldades a essa já sofrida população brasileira.

Em choque

Jornalista é como alfaiate: quem sabe fazer o direito, sabe fazer o avesso. Daí enxergar os dois lados de uma mesma moeda. Nestes tempos em que se expõe o lado negativo da revolução, especialmente as vergonhosas torturas, é interessante lembrar que ela teve momentos a serem exaltados. Exemplo: no momento em que Lula defendeu seu filho pelos milhões recebidos da Telemar, uma atitude do primeiro presidente revolucionário, Castelo Branco foi rememorada. Ao ler nos jornais que seu irmão, funcionário com cargo na Receita Federal, recebera um carro Aero-Willys, presente dos colegas pelo apoio que (como irmão do presidente) dera na lei que regulamentava a carreira, Castelo telefonou-lhe, pedindo para devolver o presente. O irmão argumentou que ficaria desmoralizado em seu cargo. Castelo interrompeu-o: Meu irmão: afastado do cargo você já está. Estou decidindo se você vai preso ou não. Como dito ao início desta coluna, são poucos os Miltons e Castelos na atual realidade brasileira.