Amargando a festa

O figurino anunciado foi cumprido à risca: a presença dos dois principais personagens mais representativos do PT, a presidente Dilma que até as últimas horas era incerta, e do ex-presidente Lula, aconteceu, dando mais brilho à festa dos dez anos no poder, decênio que para os petistas, mudou o país. A presença de 1,5 mil partidários no Expotrade de Pinhais, também contribuiu para o brilho. A declaração de Lula, inicialmente, fazendo profissão de fé no reinado de sua sucessora, procurou desmentir quaisquer dúvidas ainda existentes sobre quem será o candidato petista em 2014: Dilma, naturalmente. Não lhe passa pela cabeça  voltar a disputar a Presidência. Para provar que ela está em boas mãos, minimizou as dificuldades de relacionamento político enfrentadas pelo atual governo, e sua base. Eu acho que a presidenta, depois de dois anos e meio, já sabe tranquilamente como cuidar da política. Valeu mais como um recado para tranqüilizar os presentes ao evento, que lêem com preocupação as manchetes sobre as dificuldades enfrentadas por Dilma e sua troupe, acossadas por recentes derrotas no Congresso. Isso sem falar na área econômica em que as dificuldades se avolumam. Ainda agora, um fato pouco destacado, dá conta de situação que, se não resolvida satisfatoriamente, criará problemas na área de combustíveis. A Petrobras, por conta de vultuosa (o escritório jurídico que atende a empresa escreveu assim) dívida (R$ 7,3 bi) com a Receita, teve cancelada a certidão de débitos negativos, o que a impede de importar petróleo necessário ao abastecimento do mercado nacional, de exportar sua produção, participar de rodadas de licitação da ANP, inclusive do pré-sal, além de não receber  benefícios fiscais federais. Trocando em miúdos, de desenvolver regularmente suas atividades. Medida cautelar  tentada junto ao STJ, para suspender os efeitos da certidão de débitos, foi negada.

Propaganda enganosa

A propaganda da melhor Copa do Mundo, a do Brasil em 2014, é muito bonita. A realidade um pouco diferente. Talvez fique mais restrita às reformas  e nova construção de estádios. A infraestrutura de mobilidade, incluindo aeroportos, transporte e segurança, projetos de melhorias nas cidades sede, deixarão a desejar. O melhor desempenho fica, além dos estádios, para os setores de hospedagem e qualificação de mão de obra.

Boa lição

A previsão inicial do governo federal, no entusiasmo da vitória para sediar a Copa obtida pela delegação chefiada pelo então presidente Lula, era de R$ 33 bi para infraestrutura, número que não será alcançado  pelas estimativas atuais. A CGU aponta para um máximo de R$ 26,7 bi. Desse valor, R$ 15,4 já contratados e R$ 6,5 já pagos. Curiosamente, enquanto o governo emprega dinheiro público para construir estádios, Grêmio, Palmeiras, que não sediarão jogos da Copa, reformaram seus estádios com recursos próprios. Além do Morumbi (estádio do São Paulo) que se negou a aceitar as condições da Fifa/CBF.

Câmara contra a parede

Na briga entre o mar e o penhasco, quem sofre é o marisco. Se até o dia 23 não forem votadas as novas regras de partilha de recursos do Fundo de Participação dos Estados, o governo federal já admite suspender os repasses, caso haja uma decisão judicial, já que a determinação é do Supremo. Tudo de que não precisamos agora é ter uma ordem do Judiciário impedindo o repasse, diz o governo através a ministra Ideli Salvatti.

Em choque

A única condição que o governo colocou  (para os deputados – que rejeitaram o texto aprovado pelo Senado em abril) é que, por favor, votem, seja lá o que vocês decidirem votar, pelo critério que vocês colocarem completa a ministra Salvatti, com o governo lavando as mãos. Sem os repasses o Paraná perderá R$ 184 milhões mensais. Pelo sistema atual, R$ 2,208 bilhões anuais.