Ameaça generalizada

A egislatura nacional que se inicia, tem tudo para ser complicada. A entrada do novo presidente do Senado, Renan Calheiros, em situação absolutamente constrangedora para ele e sua esposa, ao subirem a rampa do Senado, foi a mostra. Saudados por populares aos gritos de ladrão, safado, fora Renan. Completada pela frase de Lobão Fº, por óbvio, filho do sarneysista Edson Lobão, Ministro de Minas e Energia, que avalisa as afirmações da presidente Dilma de que não haverá colapso na energia, confiantes  em que Deus é brasileiro e virá em socorro de nossas hidrelétricas assoladas pela seca. Pois é de Lobão Fº esta preciosidade: a última vestal nesta Casa (Senado) foi desossada pela imprensa (Demóstenes Torres).  Ao afirmar isso colocou todos os demais senadores no mesmo patamar que Renan Calheiros, a quem não admite se levante o dedo! Admirável é que gente como Pedro Simon, Álvaro Dias, Roberto Requião, Suplicy e tantos outros tidos como sérios, tenham aceitado esa afirmação, sem reação. A frase remete a outra dita por Lula quando deputado federal por São Paulo: Há mais de trezentos picaretas na Câmara, ou algo assim, sem que os restantes cobrassem que ele desse nome aos bois. Como quem cala consente, os 81 senadores, inclusive ele próprio, Lobão Fº, estão devidamente encapuzados. A que ponto chegamos! O que não dá para aceitar é a ameaça de Lobão estender-se à maioria do povo brasileiro que critica a malfada escolha feita pelo Senado. Com apoio inclusive da oposição, especialmente o PSDB,  que preferiu esse apoio a Renan em troca de um carguinho na Mesa Diretora do Senado. Como diria Boris Casoi: Isto é uma vergonha.

Cobrança explícita

O governo federal já começou a colher o que plantou: ficar nas mãos do PMDB no Congresso, partido especialista em tirar castanha do fogo com a mão do gato, começa a ter efeito nas palavras do deputado Benedito de Lira (PP-AL – por coincidência da terra de Renan), justificando não terem votado o Orçamento de 2013, pela não liberação de emendas: O governo tem que ser parceiro do Congresso. É só mão única? A via do Congresso é de mão dupla.

Momento dífícil

De parte da oposição a cobrança pela redistribuição das verbas do pré-sal, é uma refinada bobagem que o governo só não autoriza para não se desmentir. Dado como a salvação da lavoura, o óleo do pré-sal, ainda muito longe e caro de ser extraído, pega a Petrobras em momento difícil. Sem produzir o suficiente para abastecer o país, tendo que importar gasolina e gás, a empresa vê a confiança em seu desempnho ir pelo ralo.

Ainda pior

A situação ficará ainda mais difícil pela queda de confiança dos investidores, o que já fez com que a petrolífera brasileira que esteve no topo, hoje perca para a boliviana, com suas ações que já bateram recorde quando do anúncio do pré-sal (R$ 50 reais), hoje em seu pior desempenho (R$ 16,40), ainda sofram o efeito Graça Foster, com sua previsão pessimista de ano ainda pior.

Visão de futuro

A atual situação da Petrobras dá razão a um brilhante economista brasileiro Roberto Campos (já falecido), que teve a  coragem de defender a privatização das estatais brasileiras, incluindo a Petrobras, Banco do Brasil e Caixa, sujeitas como prevía à manipulação dos governantes de plantão. Mais cedo ou mais tarde a sociedade se daria conta de que essas empresas seriam mal usadas pelos governantes, previa ele, num momento em que todos o contestavam. 

Em choque

O próximo dia 20, quarta-feira posterior à de Cinzas, vai reunir os petistas de alto coturno, entre eles a presidente Dilma e o ex-Lula, para comemorar os dez anos do partido no poder. Os feitos de seus dois governos e meio serão ressaltados. Defenderem-se dos ataques da oposição ao partido no campo ético, já é demais. Nessa área os aloprados, os mensaleiros e a assessoria paulistana da Presidência, não deixam margem a dúvidas sobre desvios.