Amor (nem tão) eterno

A inesperada, para os companheiros de Roberto Requião, atitude do Diretório Estadual do PMDB, dissolvendo 72 diretórios municipais, entre eles o de Curitiba dominado pelos deputados federais João Arruda e Marcelo Almeida, além de outros importantes como o de Londrina, de Cascavel, Ponta Grossa e Foz do Iguaçu, deixou a situação do partido, do jeito que o diabo gosta. Mais dividido que nunca. Dominado agora pelo estadual Reinhold Stephanes Jr.,  na companhia de Orlando Pessuti,  Alexandre Curi, Doático Santos e Rocha Loures, entre outros, em 2014 vai virar um polaco de cada colônia. Curi, Romanelli e Doático vão com Richa; Rocha Loures, Pessuti, embora este ainda pense em candidatura própria, a sua, por óbvio, tenderão a  levar o partido  a apoiar o  PT de Gleisi; Arruda, Marcelo e o próprio inconformado Requião e os poucos seguidores que lhe restam no Diretório estadual  deverão inicialmente lutar por uma intervenção do Diretório nacional, já que enxergam irregularidades na maneira que a dissolução foi conduzida; em seguida, que caminho resta a tomar? A maioria deles precisa de uma posição que lhes permita disputar a reeleição, utilizando o prazo que resta para isso: final de setembro deste ano, prazo para uma mudança de legenda. Como Requião ainda terá quatro anos pela frente deste mandato senatorial que lhe foi dado em 2010, é o único que não precisa mudar de posição. Daí a desejo demonstrado de disputar o mandato de governador. Situação que pode interessar ao partido em nível nacional, como previsto ainda ontem por esta coluna, na medida em que lá em Brasília, o amor eterno jurado ao PT, está  mais para o cantado por Vinicius de Morais: que seja eterno, enquanto dure. 

Arauto da catástrofe!

Uma coisa é certa: Requião, que segundo o Sílvio Sebastiani, maior autoridade em MDB  do Paraná no passado, nunca pertenceu ao velho de guerra, desde que o PMDB foi formado sempre lhe foi fiel. Daí afirmar no Twitter, seu porta-voz de agora, que, os que tentaram destruir o PMDB na eleição apoiando candidatos de outros partidos por todo o Paraná, propõem e conseguem (…) uma intervenção. É o começo do fim do PMDB.

Do mesmo mal

Para os de boa memória Requião também cometeu essa leviandade de apoiar um estranho no ninho: para a prefeitura de Curitiba. Lançou e depois pouco apareceu na campanha de Rafael Greca, seu lendário adversário anterior, à Prefeitura de Curitiba.

Vingança de pipoqueiro, mal entendida pelos seus companheiros de sempre como Doático Santos, que se bandearam para outra campanha.

Candidatos a mitos

O fato palpável é que com a situação de agora, dois mitos estão sendo enterrados: o primeiro, o lernerismo, pela pouca vocação que seu titular sempre demonstrou para a política; agora o requianismo, pelo abandono a que seu Deus anterior está sendo relegado. Salve os novos rei e rainha: o betismo e o gleiserismo. Até quando, só Deus sabe!

OAB contra 

A depender da OAB-PR, o Sistema de Gestão Integrada dos Recursos Financeiros (Sigerfi) que o governo do Estado começa a regulamentar, ficará restrito aos valores do próprio e da AL, sem a participação de um dos seus, financeiramente forte, Poder: o Judiciário. Com o que este tem de mais tentador: os recursos de depósitos judiciais, que se imagina somarem algo em torno de R$ 6 bilhões. A Ordem entende como ilegal a celebração de convênio entre o Tribunal de Justiça e o governo do estado para transferência dos recursos (que são particulares) dos recursos em depósito judiciais. Recorre ao CNJ, sem descartar recurso ao STF.

Em choque

Dos três  poderes, o governo e seu Caixa Único ficariam assim com os valores integrais do Executivo e do Legislativo, cujo presidente já manifestou apoio, confirmado pela aprovação ocorrida em Plenário. Ainda assim muito dinheiro a ser manuseado com pouco respeito ao Orçamento votado pela própria Casa. Quem anunciou que não abre mão do quanto lhe cabe é o Ministério Público. No TC, assunto em estudo!