Aniversário chocho

Em meio a dificuldades e dúvidas, Curitiba comemorou ontem mais um aniversário. As dificuldades surgidas por uma transição política impactante, consequência de um desacerto entre forças políticas antes unidas. Tudo começou com o pai de Gustavo Fruet, oriundo do PMDB que ajudara a fundar (anteriormente MDB, velho de guerra),  pressionado por Roberto Requião que subira no partido com apoio de José Richa e outros companheiros, que via em Fruet, um perigoso concorrente. Tanto que foi o primeiro prefeito curitibano nomeado, depois da ascensão de José Richa ao governo, em 1982. Pressionado Maurício deixou o partido e foi se juntar ao grupo que formara o PSDB, Richa, Scalco, entre eles. Com a morte súbita do pai, que disputava uma cadeira na Câmara Federal, Gustavo Fruet, então vereador em Curitiba, assumiu sua campanha e em poucos dias elegeu-se federal. Teve brilhante passagem pela Câmara, sempre apontado pela imprensa que cobre Brasília, entre os melhores deputados da Casa. Em 2010, Beto Richa, candidato a governador pelo PSDB,  viu em Gustavo um nome capaz de ombrear-se com   Gleisi Hoffmann e Roberto Requião, candidatos às duas vagas que se abriam no Senado. Por menos de 10 mil votos, Gustavo, pouco prestigiado pela cúpula tucana, deixou a vaga escapar. Colheu porém uma votação muito expressiva em Curitiba. Capaz de alavancar uma candidatura natural à prefeitura em 2012, pelo PSDB. Aí veio a ruptura: Beto optou por apoiar seu ex-vice Luciano Ducci. Sem opção, Gustavo bandeou-se para o PDT e venceu a eleição. Pela primeira vez,  a rivalidade entre governo e prefeitura curitibana, fez-se acentuada. Num momento difícil, com dívidas herdadas, apoio do PT na vice de olhos na governança, obras imprevistas de uma exigente FIFA para sediar Curitiba quatro jogos inexpressivos da Copa. Além de problemas sérios como o transporte coletivo, com solução pendente e greves de toda ordem. Pela primeira vez, pouco a comemorar. 

Visibilidade oculta

Uma curiosidade brasileira que só economistas com visão global da situação nacional são capazes de explicar. Embora o crescimento do país, seja pequeno, demonstrando que a maioria dos setores têm apresentado resultados pífios, a arrecadação do governo não para de crescer. A cada bimestre  as arrecadações batem recordes. E os gastos públicos também, embora não apresentem resultados visíveis, que identifiquem aplicações em setores essenciais. A arrecadação de fevereiro bateu em R$ 83,137 bilhões, corrigido pelo IPCA, 3,44% superior a fevereiro de 2013.

Desenvolvimento dirigido

Quando mais uma indústria é inaugurada, metalúrgica Metalkraft (peças para o setor automotivo)  num município da Região Metropolitana de Curitiba, um dos menores por sinal, Quatro Barras, o que é interessante, a comemoração é merecida. Indústrias em locais menos favorecidos, trazem maior desenvolvimento. Caso que vai ocorrer quando a  Klabin inaugurar sua nova planta, em Ortigueira, município com baixo IDH. Pelos investimentos ali realizados, uma explosão de desenvolvimento.

Investigação saneadora

Empenhado em conseguir apoio à CPI da Petrobras, o deputado Rubens Bueno (PPS) não vê prejuízo possível à estatal com a investigação. Prejuízo o que causa todos os dias é a má gestão afirma o parlamentar. Rubens entende que a CPI pode provocar  uma ação moralizadora na empresa e frear a queda do conceito da estatal, visível na depreciação de quase 200% na cotação de suas ações: de R$ 29 para R$ 12 reais.

Em choque

As versões correntes em Brasília, aparentemente à partir do Palácio do Planalto para intimidar parlamentares que têm alguma coisa a temer, podem virar contra o feiticeiro. Homens bombas como ex-diretores da Petrobras, se resolverem abrir a caixa de ferramentas, podem comprometer muita gente, rezam as versões. Paulo Roberto Costa, se tiver o que dizer, o dirá à PF de Curitiba, onde está preso. Nestor Cerveró, ainda em férias na Europa, afirma a amigos: vai reassumir seu cargo de funcionário na estatal. Se convocado a falar no Congresso, não tem o que esconder.