Antecipação estratégica

A preocupação dos partidos de oposição em antecipar  para março o lançamento das pré-candidaturas de Aécio Neves e Eduardo Campos, tem explicação. Oficialmente, tais candidaturas só serão válidas depois das convenções. Como porém o período determinado para essas definições pela legislação eleitoral, 12 de junho,  coincide com o dia em que a Copa terá início, um mês será perdido, na medida em que todas as atenções estarão voltadas para a disputa futebolística. Até lá, só o governo continuará a ter espaço nas grandes redes de comunicação, como acontece agora, especialmente com a acintosa propaganda eleitoral nos comerciais da Caixa, com os testemunhais  do sucesso do Nossa Casa, Nossa Vida. A se admirar, a total inação da oposição que ainda não denunciou essa campanha que aquela instituição bancária oficial promove, junto ao TSE.  É razoável que o PSDB tenha escolhido São Paulo para realizar o pré-lançamento de Aécio. Por várias razões: Minas é território de Aécio; São Paulo é o maior colégio eleitoral do país com 32 milhões entre os 140 milhões de eleitores do país; e também por ser o estado paulista governado por um tucano, candidato à reeleição e ser o vice, possivelmente, do tucanato paulista: Aloísio Nunes Ferreira, compondo chapa pura do PSDB, embora a coluna entenda que Álvaro Dias, hoje um nome nacional, poderia agregar mais.  Não por acaso Aécio cunhou o bordão que lá tem repetido: Me dêem São Paulo que eu lhes entrego a Presidência da República, objetivando ficar mais conhecido do povo paulista. Igualmente Eduardo Campos vai ser lançado no Rio de Janeiro em função da força ali demonstrada por Marina Silva que, naquele estado, em 2010, disputando pelo PV, obteve 31% dos votos presidenciais. Vai assim testar a sua capacidade de transferir seu prestígio a Campos. Em verdade, só depois da Copa, que, a depender de seu resultado pode ser um divisor de águas, as campanhas da oposição vão deslanchar. Aí, com melhores espaços na comunicação que  atualmente.

Discussões importantes

A Prefeitura e o IPPUC promovem discussões sobre o metrô a ser implantado em Curitiba. Vários órgãos apresentam sugestões e observações  críticas sobre o edital. Entre as sugestões, uma avaliação do ex-prefeito Jaime Lerner, deveria ser levada em consideração.

Solução discutível

A principal delas diz respeito ao traçado que prejudicaria definitivamente as canaletas hoje existentes no traçado Pinheirinho-Santa Cândida, por onde trafegam os biarticulados, com previsão de receberem também os azulões . Substituição de um modal implantado em Curitiba que faz sucesso em grandes centros no mundo (São Paulo que tem metrô, agora tenta implantar canaleta exclusiva; sem outra alternativa, reservando parte das vias comuns aos ônibus, comprimindo os espaços para carros).

Metrô e canaletas

Como lembrou dia desses um leitor que fez restrições ao segundo mandato de Lerner como governador, não se pode questionar a sua genialidade como urbanista. A coluna concorda que substituir um modal de sucesso por outro, embora mais dinâmico, é uma incoerência. O ideal seria somar  canaletas e metrô com outro traçado. Com o crescimento da frota de automóveis, mesmo com metrô, as canaletas, se substituídas, serão lamentadas no futuro.

Em choque

Um detalhe que deveria ser considerado, embora o erro tenha sido cometido há 55 anos, quando Juscelino optou pelo transporte rodoviário como única alternativa e as fábricas de veículos automotores começaram a ser implantadas no Brasil, em detrimento de outros modais como trens e hidrovias, sucateando a já razoável malha ferroviária que hoje faz falta. A saturação já fez com que o governo fosse obrigado a criar uma política fiscal diferenciada às montadoras em 2013. Medida que logo, logo, precisará ser retomada. É preciso lembrar que Detroit, que já foi a Meca da indústria automobilística americana, está falida como cidade.