Assessoramento desajeitado
As dificuldades vividas pelo governo da presidente Dilma em seu relacionamento com o Congresso, a se confirmarem as intenções demonstradas pelo senador Renan Calheiros de votar hoje os vetos encaminhados pelo Palácio ao Senado, desde julho, vai custar muito caro. Em apenas quatro de onze vetos, pelos cálculos feitos em Palácio, o impacto no orçamento federal será de R$ 28 bilhões. O fim do adicional de 10% do FGTS que o governo recebe cada vez que um empregado é demitido sem justa causa (além do que é pago ao funcionário), custará ao governo R$ 3,5 bilhões. Segundo o governo isso comprometeria investimentos em programas sociais como o Minha Casa, Minha Vida. Verdade que falta jeito aos assessores do governo, no trato com os parlamentares. A frase do ministro-chefe da Secretaria Geral, Gilberto Carvalho, é um exemplo: Apelo para o Congresso para que tenha bom senso e não olhe as disputas ou a pressão de eventuais financiadores de campanha, mas que olhe para a pressão do povo que precisa de mais casa, de ampliar o programa Minha Casa. Maneira bem pouco republicana de se dirigir aos parlamentares! Embora, pelo andar da carruagem, uma boa parte dos deputados, ao que se constata, receba o apelo com indiferença. Algumas atitudes, passado o impacto das manifestações populares já começam a demonstrar que as coisas voltaram à normalidade, isto é, ao espírito que comandava as ações legislativas antes do povo mostrar a cara. Inclusive no que diz respeito à legislação eleitoral, que todos imaginavam, finalmente sofreria alterações, para melhor. Se não vingarem medidas como as propostas pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, nada acontecerá.
Suspeitas
A CPI em andamento na Câmara de Curitiba, para verificar a realidade do transporte coletivo na Capital e sua Região Metropolitana, parece que começa a enveredar por trilhas que levarão a alguns fatos inesperados. Suspeitam os vereadores que o edital de licitação de 2009, balizando a contratação de empresas para operar o sistema tenha duas versões, o que teria direcionado o resultado.
Ainda no papel
O depoimento dos contadores responsáveis pela contabilidade dos consórcios que operam o sistema desde 2010, traz a surpreendente versão de que as empresas estariam operando desde então, acumulando um prejuízo de R$ 26 milhões. O que leva à conclusão de que estão realizando um péssimo negócio, sem sequer se queixarem à Urbs. Empresários generosos! Para comprovar as versões entregaram à CPI a contabilidade do período em 2000 páginas. Para eles, planilhas eletrônicas não existem.
Confirmação
O senador Álvaro Dias, confirmou em entrevista à rádio CBN, o que já adiantara a esta coluna: não aceitou os convites para mudar de partido, com o direito de disputar qualquer cargo (inclusive a Presidência da República, se lhe conviesse). Vai insistir na reeleição ao Senado, contando com o compromisso dos tucanos regionais. A incomodá-lo apenas, o desejo do irmão Osmar de disputar o mesmo cargo.
Novos rumos
A preocupação de Álvaro parece mais distante. Com as pesquisas da Paraná Pesquisas divulgadas domingo pela Gazeta do Povo, e os acontecimentos do final de semana dando como quase certa a presença de Ratinho Jr. como vice, na chapa de Beto Richa à reeleição, a oposição precisará unir suas forças para tentar derrotar o atual governador.
Em choque
Apenas três nomes apresentam cacife eleitoral já provado, para se oporem a essa fórmula: Gleisi Hoffmann, Osmar Dias e Roberto Requião. Este, além de altíssima rejeição detectada pela pesquisa (34%), enfrenta a resistência de seus ex-companheiros de partido para viabilizar sua candidatura. A solução oposicionista será uma chapa Gleisi-Osmar ou vice-versa. Ainda a depender do comportamento futuro da candidatura petista à Presidência. Se Requião conseguir impor sua candidatura via Diretório Nacional um novo cenário será desenhado.
