Boca torta

Que o uso do cachimbo deixa a boca torta, a filosofia popular ensina. Depois de entortada, o esforço para abandonar o velho vício para que a boca vote ao normal. Essa a dificuldade vivida pelos políticos brasilienses, mesmo tendo dado provas de que a voz do povo tinha sido ouvida. E segundo a presidente Dilma, entendida. No Congresso, dois fatos, mesmo  dando andamento imediato a assuntos que repousavam nas gavetas de Câmara e Senado, demonstram que há dificuldade para abandonar os vícios arraigados. Os presidentes da Câmara, Henrique Alves, e do Senado, Renan Calheiros requisitaram aviões da FAB para cumprir compromissos estranhos às necessidades das funções que exercem. Renan ainda alega que o casamento da filha de um senador a que compareceu teria característica oficial e por isso se nega a ressarcir as despesas. Uma arrogante  frase sua porém, A FAB não pode dizer (o que não pode ser atendido). Nós é que temos o que dizer para a FAB, pode criar melindres com a Aeronáutica. Já Henrique, que saiu de Natal para o Rio, acompanhado de familiares para assistir ao jogo final da Copa, devolveu R$ 7 mil reais à guisa de ressarcimento. Dos episódios fica a certeza de que vícios arraigados como o desrespeito com que sempre o dinheiro público foi tratado pelos donos do poder, criando benesses como a do próprio STF,  que tem uma cota anual para deslocamentos dos ministros, valor do qual não precisam prestar contas. O próprio ministro Joaquim Barbosa (quem diria!) a teria utilizado para pagar sua passagem aérea ao Rio (onde tem residência) para igualmente assistir ao jogo da Copa. Na companhia do casal Luciano Huck/Angélica (da Globo), no camarote que possuem no Maracanã.

Palavrão

Uma palavra o brasileiro vai aprender, pouco usual em seu vocabulário, de tanto dela ouvir falar: plebiscito. Para muitos, até a semana passada, um palavrão. Agora uma dúvida. Vai ou não dar tempo de ter seu resultado inserido na eleição de 2014! Apesar dos muxoxos da mau humorada presidente Dilma, com o comportamento de gente como o vice-presidente Michel Temer, a quem obrigou a deixar o dito por não dito, uma quase certeza: não haverá tempo hábil!

Consulta inválida

Reforma político/eleitoral por sinal, que é função do Congresso; nunca levada a efeito por negligência  da maioria em votar contra seus próprios interesses, não pode ser feita de afogadilho pela via de uma consulta popular. Pelo simples fato de a imensa maioria dos brasileiros, por desencanto com a política, não acompanhar os temas que a mudariam. Daí a invalidade dessa consulta.

Fora ‘foro’!

Uma coisa o senador Álvaro Dias já conseguiu. O compromisso do presidente do Senado de colocar na pauta de votação sua PEC. Igualmente a concordância das lideranças partidárias com a votação. Resta ver se no Plenário, os senadores concordam. Afinal, não é pouca coisa: Álvaro propõe na sua PEC que esse odioso privilégio (a expressão é dele) que garante foro privilegiado para autoridade que comete crime comum, seja extinto. A conferir!

Atraso inaceitável

Num momento em que o sistema de  escolha de Conselheiros para os Tribunais de Contas estaduais (começou pelo nosso com a entrada de Fábio Camargo na disputa) é questionado, nada pior que a informação de que, depois de 14 anos de implantado o pedágio, com as restrições de sempre, o TC vem a público denunciar que duas concessionárias não  cumprem com os termos do contrato. Para um órgão, de cara manutenção, surgido para fiscalizar as ações públicas, esse atraso ‘tem explicações’! 

Em choque

Basta, para perceber o atraso com que essa fiscalização nas empresas que exploram os pedágios é feita (em apenas duas?), alguns números com as recomendações do TC à Viapar: reinvestir R$ 222 milhões ou, reduzir tarifas em 18,50%; ou ainda, reduzir o prazo de concessão, em 3 anos. À Ecocataratas: reinvestimento: R$ 175 milhões; tarifa: menos  22,3%; redução concessão: 3 anos. Aguarda-se as recomendações às demais e o cumprimento das exigências.