Casuísmo disfarçado

Na ânsia de matar no ninho a possível candidatura de Marina Silva que poderia repetir em 2014 a expressiva e inesperada votação obtida em 2010, o governo usou de todas as armas para evitar o surgimento da sigla que a ex-senadora alinhavava: a Rede. Depois de ter apoiado o surgimento e o encaixe do PSD, devidamente comprometido com o governo, nas verbas do Fundo Partidário e, nos tempos ditos gratuitos que a Justiça Eleitoral concede aos partidos em rádios e tevês (em realidade pagos pelo contribuinte), essa medida soa casuística. Obrigando companheiros como Jorge Viana, Paulo Paim, Wellington Dias a engolirem em seco e recuarem, deixando o dito de véspera, pelo não dito! Do mesmo modo o secretário-geral da Presidência,  Gilberto Carvalho, com  ar de seminarista arrependido vir a público defender cinicamente a legitimidade da medida que nada tem de eleitoreira. Essa postura do Palácio forçando um projeto que demonstra a preocupação de tentar garantir antecipadamente uma vitória, minando o caminho da oposição, pode ser um tiro que sairá pela culatra. Coloca em alerta os três potenciais adversários, Aécio Neves (PSDB), Eduardo Campos (PSB) e Marina, hoje sem partido. Se não conseguir viabilizar a sua Rede, poderá ela até setembro ingressar em qualquer  que lhe ofereça espaço. Ou compor-se com um dos possíveis concorrentes. O fato palpável é que, embora afirme não ser do seu interesse antecipar a disputa por ter ainda um ano e cinco meses até a eleição, Dilma age com a mesma sem cerimônia que seu padrinho político agia. Ele hoje, com suas digitais nas negociações que são feitas por empresas brasileiras no exterior, deve estar tendo pouco tempo para se dedicar à política. Empanturrado de recursos, voltará a atuar quando lhe aprouver. Por ora a preocupação é fechar todos os condutos que possam levar a oposição a se reforçar. Sempre que possível, fazendo ar de paisagem!

Não combinaram

Faltou ao governo, nessa preocupação de fechar as portas a novos partidos, combinar com o STF. Decisão liminar do ministro Gilmar Mendes bloqueia o projeto votado em regime de urgência na Câmara e que encontrou resistência no Senado, onde o governo pretendeu usar a mesma estratégia. Derrubada pela obstrução da oposição e pelo baixo quorum que interrompeu a sessão.

Renan encurralado

Outro óbice a criar problema para a liderança do governo na Câmara, é a posição do líder do PSD na Casa, deputado Eduardo Sciarra. Pretende  obstruir as votações até que o presidente do Congresso, Renan Calheiros promulgue a PEC 544/2002, que cria Tribunais Federais no Paraná, Minas, Bahia e Amazonas. Para Sciarra, o projeto nada tem de inconstitucional ou de irregular. Ele (Renan) é presidente do poder Legislativo e não pode se curvar à pressão do Executivo ou do Judiciário.

Pendengas eleitorais

Com atraso, algumas situações deixadas pendentes nas instâncias da Justiça Eleitoral após a recente campanha municipal, começam a tomar rumo. O caso de Colombo foi revertido em favor da prefeita Bete Pavin. A situação de Araucária ainda tramita em instância superior. Outra pendenga, envolvendo a eleição de Marechal Cândido Rondon acaba de ser encaminhada ao TSE pelo TRE do Paraná.

Dívida parcelada

Aos poucos o prefeito curitibano Gustavo Fruet vai encaminhando para solução os problemas deixados pela administração anterior, especialmente as dívidas de R$ 517 milhões, R$ 403 milhões sem empenho ou previsão orçamentária. Crédito suplementar inicial (fevereiro) de R$ 63,7 milhões saldou as dívidas mais urgentes. Novo crédito de R$ 114 milhões atenderá credores menores. Aos  de mais de R$ 100 milhões, a prefeitura reconhecerá o débito, a ser pago em parcelas até 2016.

Em choque

O Judiciário anda agressivo. Seus dirigentes podem negar-se a falar com a imprensa mas não devem extrapolar para a grosseria. Caso recente de Joaquim Barbosa (que depois desculpou-se) e do desembargador Clayton Camargo.