Censura explícita
Não há necessidade de uma Lei de Imprensa específica, para que jornalistas e mais modernamente blogueiros, twitteiros e outros que tais, possam responder a afirmações feitas por eles, entendidas pelos atingidos como falsas. Há recursos na Justiça comum que podem ser acionados por calúnia, difamação ou outras agressões comprovadamente injustas. Aqui no Paraná por exemplo, muitas multas foram imputadas, até a autoridades do primeiro escalão governamental. Requião tantas vezes foi condenado que chegou a defender a necessidade do retorno de sua aposentadoria de governador, suspensa por Beto Richa (por sinal liminarmente concedida), para fazer frente às muitas ações que lhe foram desfavoráveis, somando centenas de milhares de reais! A censura agora imposta pelo TSE ao comentarista da CBN, Arnaldo Jabor, cujas crônicas beiram à ironia, o que deve fustigar ainda mais aos atingidos, caso do ex-presidente Lula que pediu a interdição. Funcionou o pagamento da dívida que todos os ministros do STF, STJ e do TSE têm, com os que os nomearam. Deve ter sido esse o mecanismo que funcionou nessa decisão: menos lei e mais gratidão. Sorte do Brasil que o mesmo não aconteceu no julgamento do mensalão, por um STF em que 9 dos 11 ministros foram nomeados nos últimos dez anos. O que os senhores ministros do TSE não lembraram é que sua decisão pode até procurar amparo na legislação eleitoral, mas fere o preceito constitucional da liberdade de imprensa. Tanto quanto as colunas de Jabor, normalmente ácidas, quanto as que este e outros colunistas escrevem, porém, não mexem uma palha no comportamento desmoralizado de grande número de políticos. Cinicamente dão de ombro como quem diz: o que vem de baixo não me atinge.
Classe irritada
Uma das últimas deliberações da Urbs, no mandato da diretoria comandada por Marcos Isfer, foi estabelecer a obrigatoriedade de revisão dos táxis a cada ano, ao preço de R$ 120 reais. Valor considerado aviltante pela categoria. O ônus da irritação da classe está caindo indevidamente sobre o novo prefeito Gustavo Fruet que recebeu apoio maciço da categoria.
Despropósito
A propósito: está em vias de aprovação a obrigatoriedade de revisão de todos os carros anualmente (se já não está em vigor). Decisão extensiva inclusive a carros semi-novos, o que é uma aberração. Deveria vigorar em relação a carros mais antigos, tirando algumas carroças (a expressão é de Collor, quando presidente) das ruas. Outra aberração é a absurda incidência do DPVAT (seguro obrigatório) sobre carros cobertos por seguro total. Alguém está se beneficiando e não é de hoje.
Conceito retomado
Entre os institucionais a serem retomados, como os muitos que criaram a marca Curitiba, um novo tem que ser acrescido: o combate inteligente aos pichadores. A pichação na capital já tem característica de epidemia, tal a sua extensão, deixando os seus imóveis com cara de total abandono.
Em choque
Com Gustavo não vai ser diferente. Com as dívidas recebidas, seu primeiro ano de mandato será dedicado a corrigir rumos e pagar atrasados. Entre as medidas já definidas e que devem ter repercussão negativa junto aos interessados, a mudança do projeto de calçamento da Avenida Batel. Com um hábil negociador, o projeto original pode ser mantido, se a fortíssima comunidade empresarial da região bancar o restante. Trabalho semelhante ao desenvolvido pelos empresários da revitalizada Praça da Espanha.
