Choque elétrico

Os recentes milagres operados pelo governo para evitar o aumento da inflação e melhorar o desempenho do PIB como, redução do IPI de carros e linha branca industrial, sem resultado esperado, e a maquiagem de números da economia, gerando inclusive na imprensa internacional um apelido jocoso ao nosso ministro da Fazenda, fizeram com que na quarta-feira, quando a presidente apareceu na televisão para falar sobre o saco de bondades elétricas  preparado por sua equipe, muita gente desligasse a televisão. Com razão, na medida em que antes mesmo de sua fala, economistas já anunciavam o quanto tal medida custaria aos cofres públicos. Isso mesmo, aos cofres públicos pois com uma economia justa, na medida, sem sobras, assemelhando-se a cobertor de pobre, cada vez que se cobre a cabeça, descobre-se os pés. Previam os entendidos  que o Tesouro Nacional arcaria com a bondade:  R$ 3 bilhões. Como a redução das contas de luz aumentou dos prometidos 16% previstos o ano passado, para 18%, bondade elétrica que passa a valer ainda este mês (para a agricultura, a indústria, comércio e serviços passa dos 30% previstos para 32%), o furo para o Tesouro será ainda maior. Ainda por cima com a garantia de que não haverá cortes de energia (apagões). Menos mal que a arrecadação do país ultrapassou  o trilhão de reais e esses 3 bilhões e pouco sairão na urina. A medida teria sido possível pelas renovações das concessões mais baratas junto às concessionárias (as da Copel entre elas),  e pela redução e eliminação de encargos federais. Além do efeito político (governo não prega prego sem estopa), objetiva-se melhorar a competitividade da indústria brasileira, cujo desempenho tem sido medíocre. Nada que reformas tributárias e  trabalhistas não resolvessem melhor. Afinal, se as concessionárias não investirem mais em novas usinas hidrelétricas e outras fontes de energia, com o crescimento do país, a medida logo terá efeito negativo.

Luta inglória

A presente postura governamental diminuindo na marra as contas, provando que as concessionárias, a maioria absoluta delas estatais governamentais, cobravam muito caro a energia que forneciam, bota por terra os argumentos da luta que os paranaenses promoveram contra o governo de Jaime Lerner, que supostamente tentava privatizar a Copel. Seria ela, tanto quanto Eletrosul, Eletrobrás, Cesp, Cemig e outras,  pelos argumentos de agora, exploradoras do povo.

Novas privatizações virão

Medidas tomadas ao acaso por governo que assume o poder, acabam por desmoralizar as próprias teses que quando os governantes estavam na oposição, defendiam. Assim está ocorrendo com os governos petistas, que antes abominavam as privatizações do período FHC. Já se privatizou  aeroportos, rodovias e ferrovias, e pelo andar da carruagem, como apesar de aumentar a cada mês a arrecadação (já passamos do trilhão) não sobra dinheiro para investimentos, outras virão.

Credibilidade abalada

As recentes afirmações do presidente do Banco Central Europeu, garantindo a compra dos títulos dos países que enfrentam dificuldades, em caso de agravamento da crise, restaurou a confiança de investidores. As bolsas de Portugal (30%), Espanha (35%) e Grécia (60%) tiveram crescimentos espantosos, embora os problemas estruturais desses países continuem. Prova que investidor quer garantia. Descrédito foi o que causou quedas nas ações de Petrobras e de companhias de energia. Provocadas pela  percepção lá fora de que a credibilidade do Brasil está em baixa.

Em choque

O bombardeio de denúncias por parte de jornais e revistas  nacionais contra os prováveis futuros presidentes da Câmara e do Senado, se não muda a postura de seus eleitores (deputados e senadores favoráveis ao quanto pior, melhor), já teve um efeito: o governo não apoia (nem desapoia). A deliberação é autônoma e soberana do Congresso, afirma Ideli Salvatti.