Comparações inevitáveis

Análises de leitores daqui e das outras praças em que a coluna é reproduzida, trouxeram avaliações certeiras em relação às eleições desparceiradas, a cada dois anos, dificultando administrações positivas. Concordam com a observação feita pelo colunista quanto às dificuldades vividas em todos os níveis: presidente, governadores, prefeitos, sempre pressionados por eleições sucessivas a cada dois anos. Num sistema partidário como o nosso, com trinta atuais e outros partidos que virão, negociando espaços políticos, projetos não podem ser elaborados para realização a longo prazo. Daí os esqueletos de obras inacabadas e outras da importância de Brasília, feitas a toque de caixa. Pior: a qualquer preço, assim como os estádios de agora para Copa e as superfaturadas obras que serão iniciadas em seguida para as Olimpíadas. Pobre Brasil nascido com o DNA da corrupção em suas veias. Ainda agora circula pela Internet um exemplo triste sobre a nossa, na comparação com outras realidades mundiais. A China  inaugurou a uma semana fantástica ponte com inacreditáveis 42 quilômetros de extensão, ligando o porto de Qingdao à ilha de Huangdao. Obra de 4 anos, ao também inacreditável custo de R$ 2,4 bilhões. Há uma semana o DNIT escolheu o projeto para uma das mais vistosas promessas da presidente Dilma: uma ponte sobre o Guaíba em Ponte Alegre. Com 2,9 quilômetros e custo (inicial) de R$ 1,16 bilhões. Rápida comparação do matemático gaúcho Gilberto Flach: se o Guaíba ficasse na China,  a obra seria construída em 102 dias, ao preço de R$ 170 milhões. Faz outras comparações que nem vale a pena citar. Valeria apenas a velha expressão de Boris Casoy: Isto é uma vergonha.

Justiça sem condescendência

Um detalhe da notícia acima repetida,  não dá para omitir: Se Alfredo Nascimento (PR), ministro dos Transportes tentasse fazer na China, uma ponte como essa num  Guaíba de lá,  de iguais extensão e valores, ficaria feliz se o castigo se limitasse à demissão. Em 19 de julho de 2011, o Tribunal chinês sentenciou à execução,  dois prefeitos envolvidos em desvio de verba pública!

Falta o 40º ministério

Nos tempos modernos, na administração pública brasileira, cartórios equivalem ao que portugueses chegados ao Brasil na descoberta, recebiam da Corte: Capitanias Hereditárias. Algumas das vantagens de tais instituições lhes foram confiscadas como a hereditariedade. Outras porém permanecem: ganhar um cartório é como acertar na loteria. Esta depende de muita sorte, aquela de QI – quem indica. Já era tempo de serviços cartoriais serem obrigação gratuita dos governos. No governo de Castelo Branco, pelo menos o reconhecimento de firma, boa fonte de renda de cartórios, já havia sido abolida pelo ministro Hélio Beltrão, da Desburocratização, em má hora extinto.

Julgamento…

A continuar no ritmo atual, o sofrimento do ex-deputado Fábio Camargo, afastado do Tribunal de Contas para o qual fora eleito por seus pares, obrigando-o a renunciar ao mandato de deputado para assumir a cadeira de Conselheiro e posteriormente afastado por decisão judicial liminar, não terá limite. No recurso ele pede para voltar ao cargo, até que outro caso seja julgado pelo Pleno: um mandado de segurança que o afastou do TC.

…sofrido

O julgamento do Órgão Especial do TJ do Paraná, que conta com 25 desembargadores, foi mais uma vez interrompido por pedido de vistas. Desta vez pelo desembargador Luís Carlos Xavier. Quando o julgamento já apresentava 7 votos contra ele e 2 a favor. No andar da carruagem, até todos votarem, um sofrimento inaudito.

Em choque

A agonia sobre a realização dos jogos da Copa em Curitiba chegou ao fim. A decisão foi tomada ontem na visita de Charles Botta, da FIFA e anunciada pelo secretário-geral Jerome Valcke, em Florianópolis. Passa a tensão é hora de corrigir os erros e não se curvarem todos mais uma vez, governo e prefeitura através seus representantes, ao estilo ditatorial do presidente da CAP S/A, Mário Celso Petraglia, que se adonou do projeto, e quando viu a coisa mal parada, atirou pedra em todo mundo.