Consumatus est

A expressão famosa que percorre os séculos, atribuída a Cristo em seus últimos momentos na cruz, estará mais uma vez sendo repetida neste domingo: tudo está terminado. Fruto de erros e acertos nas campanhas, cinco cidades paranaenses terão um vencedor e outro derrotado. Os ingredientes que levaram à opção dos eleitores são variados. Vão desde o lançamento dos nomes pelos partidos; desenrolar da campanha; apoios conseguidos; tempo de televisão e rádio; por vezes com elementos estranhos como erros de pesquisa a influenciar os indecisos, aqueles que votam para ganhar. Outras vezes uma frase mal dita num debate e explorada à exaustão, com efeito fulminante. Sem contar a presença nefasta que sempre ocorre dos gênios do mal, a espalhar versões maldosas, emporcalhando uma campanha. De uma certa maneira, um fato ocorrido em 1990 ficou sendo o reflexo permanente dessa postura: o famoso Ferreirinha que ainda hoje enodoa o nome de seu autor. Na campanha de Curitiba, a mudança ocorrida no comportamento do candidato vencedor do primeiro turno, Ratinho Jr., cuja candidatura no estilo paz e amor naquele momento não necessitou aprofundar-se em críticas ao principal oponente, o prefeito candidato à reeleição, já que esse era permanentemente criticado por Rafael Greca, quando este passou, juntamente com esses novos apoios, (referendado pelo Ratinho pai), ao ataque a Gustavo Fruet,  ao invés de capitalizar o apoio dos seguidores de Luciano Ducci (26%) cuja inesperada derrota foi a grande frustração do grupo liderado por Beto Richa, certamente foi um erro. De conseqüências que se fatais, hoje serão  confirmadas. Ratinho Jr. se perder, foi derrotado pela própria estratégia.

O velho estilo…

A mudança de estilo foi pouco aproveitada pelo Gustavo Fruet. Insistisse mais na repetição de que o jovem adversário, inteligente, independente do resultado de hoje tinha um belo futuro pela frente, teria dado mais repercussão negativa às críticas agressivas dos últimos dias da campanha agora influenciada pelos novos apoiadores.

…prejudicando o novo

O estilo de Ratinho Jr no primeiro momento, com a influência marcante de gente como Marcelo Almeida, Renato Adur e sua equipe de marketing, conquistou as simpatias de jovens e até da classe média alta. Aliada ao apoio dos que vieram do interior, por vezes gente de origem humilde como a sua própria, não haveria necessidade de tentar desqualificar o adversário com comerciais agressivos.

Indecisão

Tentar relembrar o que foi afirmado como incoerência de Gustavo Fruet, ao compor-se com aqueles que, na qualidade de deputado federal do PSDB combateu, estava na lembrança de todos. Muitos votos Gustavo perdeu por ter-se unido ao PT. Gente que anulou um voto que seria seu,  simplesmente por não aceitar candidato apoiado pelo PT, acabou relevando o fato, em função da postura agressiva da campanha de Ratinho.

Quem fala!

Rafael Greca, com quem o colunista conviveu e admirou,  desqualificou no primeiro turno a administração de Luciano Ducci (administração altamente produtiva em obras, que sozinhas não ganham eleição): este Rafael criado e transformado num sucesso, a ponto de ser prefeito e ministro por indicação de  Jaime Lerner, bandeou-se para Requião, inimigo figadal,  a quem sempre combateu: tem autoridade para falar em incoerência, do Guga  em nome de Ratinho Jr.? São erros que obrigaram! seus  assessores a cometer.

Em choque

Se hoje ele, superando as últimas pesquisas, vencer, leve  para a prefeitura o estilo jovial do primeiro turno. Uma administração alegre, recuperando a Curitiba que está perdendo muito de seus encantos. Em função principalmente de o marketing dos recentes prefeitos ter-se preocupado com a promoção pessoal, abandonando as bonitas campanhas institucionais que projetaram a capital paranaense, com suas inovações. O mesmo serve para Gustavo Fruet.

Uma coisa é quase certa: o número de votos nulos, hoje possivel aumentar. Muito dos que votaram em Luciano