Cortina de fumaça

O que a coluna previu, aconteceu. Nem o otimismo do vice-presidente Michel Temer sobre a reunião ocorrida entre o seu PMDB e o governo, de véspera; nem os apelos do novo Chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante escalado pela presidente Dilma para apagar o incêndio que ocorre na base do governo na Câmara Federal (Gleisi livrou-se de boa);  nem a promessa de Dilma de que estará presente nos palanques de seis peemedebistas em estados em que o PT sonhava ter candidatos; nem a expressão dita no Chile, durante a posse de Michelle Bachelet, de que o PMDB só me dá alegrias,  nada disso foi capaz de conter os amotinados que, liderados por Eduardo Cunha, expuseram o governo a uma grande derrota ao constituir, com os votos de 267 deputados,  uma comissão para investigar a Petrobras. Pena que a revolta se resuma a isto: a suspeita de pagamento de propina a funcionários e intermediários  da empresa, por parte da holandesa SBM Offshore, em negócios envolvendo o fretamento de plataformas. Aquelas mesmas que o comercial de 60 anos da estatal brasileira anuncia estarão funcionando e dobrando a capacidade extrativa nos próximos anos. A dimensão dos negócios da Petrobras, e o nível de aceitação que a corrupção chegou neste país são tamanhos, que em 2009, quando outra CPI da Petrobras foi criada pelo Congresso, um empresário do setor afirmou despudoradamente: Numa empresa desse tamanho, denúncia com valor inferior a US$ 100 milhões, é disfarce de quem não quer discutir o que não tem importância, lembrou Elio Gaspari em sua coluna. Algum desses 267 deputados de agora fez algum pronunciamento quando o escândalo da aquisição da Pasadena Refinery, que gerou prejuízos superiores a US$ 1 bilhão e determinou a mudança de diretores, inclusive o presidente da Petrobras, para outros cargos (a coluna escreveu: quem sabe demais não se demite; transfere-se) foi desmascarado? O colunista espera estar errado mas fica a sensação de que,  implantados os agrados que Dilma se negou a fazer antes,  o assunto se esvazia.

Mais Médicos…

O que pode incomodar mais o governo, se a tropa de choque não conseguir acalmar os ânimos dos insurretos na Câmara, será a convocação do ministro da Saúde para explicar os detalhes do programa Mais Médicos, da forma em que está sendo implantado. Sua indiscutível importância, atendendo locais distantes (e também próximos) onde a assistência médica não chegava, tem sido prejudicada pelas dúvidas nos valores pagos aos cubanos. Entre outras indagações!

…em discussão

Talvez aí se obtivesse resposta a um questionamento que esta coluna faz, sem resposta. Sabe-se de  fábricas de charutos e de rum, como produtos que a ilha famosa dos irmãos Castro exporta. Quantas faculdades de medicina existem, capazes de transformar médicos em artigos de exportação? Enquanto isso aqui continua a vigorar antiga norma que dificulta a criação de novas faculdades de medicina. Antigas como a Mem de Sá, simplesmente são extintas, quando em dificuldades.

Revide

É verdade que gente do PMDB tem gerado rebelião no Congresso. Mas não deixa de ser verdade, igualmente, que gente do PT como seu presidente Rui Falcão tem criado dificuldades ao governo, quando não obedece ao preceito de que jacaré não vai pro céu porque tem boca grande. As críticas do partido a ex-companheiros como o candidato Eduardo Campos, do PSB, chamado de playboy mimado sem que Lula desautorizasse a agressão, deu a ele o direito do revide afirmando que o Brasil não aguenta mais quatro anos de Dilma, acenando aos descontentes (dentro e fora dos partidos) para engrossarem a sua campanha.

Em choque

Amanhã toma posse  o novo secretário da Fazenda, Luiz Eduardo Sebastiani, em quem o governo Beto Richa  ‘joga todas as suas fichas’ para resolver  as dificuldades de caixa que estão minando seu conceito. Ao mesmo tempo esvaziando o entusiasmo dos prefeitos que deverão apoiá-lo na reeleição, e aguardam  ansiosos, recursos  para revigorar com obras o prestígio de suas administrações iniciadas em 2013 com grandes expectativas.