De novo a autofagia!
A autofagia, que sempre foi apontada como característica da política praticada no Paraná, tem mais uma vez a oportunidade de se revelar. Em qualquer estado brasileiro, especialmente os do nordeste, constantemente assolados por fenômenos climáticos como a seca, os políticos nordestinos quando isso ocorre falam a mesma língua, reivindicando ajuda do governo federal, normalmente em forma de recursos financeiros, nem sempre bem aplicados, acrescente-se. Em todo o caso, são citados como exemplo de unidade pela causa comum. No Paraná, que passa por um momento difícil provocado pela discriminação que, endossa a coluna, sofre pelas decisões induzidas da Secretaria do Tesouro Nacional, ela mais uma vez se faz presente. Sob a justificativa, aceita até por boa parte dos paranaenses, especialmente por seus representantes junto ao governo federal que tinham poder para isso, um dos quais, ministro Paulo Bernardo, argumentou em sua participação em programa do PT regional, avalizando a atuação do STN por não ter o governo estadual feito o dever de casa, esquecido de que nada fizeram para ajudar a resolver as pendências. Causaram assim só prejuízos políticos ao governador, já que ele, Beto, pessoalmente, independe de ações governamentais. Os recursos advindos dos empréstimos, por óbvio, não se destinavam a seu bem estar; iriam beneficiar a agricultura, a educação, a saúde, a infraestrutura. Mesmo que saiam depois da mudança de governo, na hipótese até de haver uma mudança de comando, tudo que se originar desses recursos, virá com atraso. Com o agravante de, enquanto as dívidas sobre a seriedade do governo anterior forem dirimidas, velho vício de novos comandantes, tudo ficar paralisado. E há quem diga que a autofagia foi relegada ao passado. No Paraná, continua presente, sim!
Baixa estatura política
Os de boa memória hão de lembrar: talvez os dois únicos governos que não ficaram, ao assumir, demonstrando como preocupação inicial, chafurdar o governo anterior à procura de malfeitorias que pudessem denegrir suas imagens, foram Emílio Gomes e Jaime Canet Jr.. Todos os demais demoraram a se entrosar, preocupados inicialmente com enterrar o conceito moral do antecessor.
Seara alheia
Não há como resistir, dar um pitaco em assunto que não diz respeito ao normal desta coluna. Os torcedores do Flamengo, depois da fraquíssima exibição de seu time ante o Corinthians, vencida pelo primeiro com os calções na mão, e a exuberante exibição do Atlético, longe de sua torcida por obra de um grupo belicoso e irresponsável de torcedores, deve ter deixado os flamenguistas com o coração na mão para o jogo de amanhã!
Polêmica
Para o presidente da Câmara Municipal de Curitiba, Paulo Salamuni, que em 2011 quando foi aprovada a concessão do décimo-terceiro salário para os vereadores, votou contra o projeto que, aprovado, virou lei, não cabe ao Tribunal de Contas impedir sua vigência; só à Justiça. Ao fazer essa afirmação deu o mote para a entrada em juízo de ação contra o pagamento. Quem se habilita!
Questão delicada
A admissão pelo ministro da Justiça José Eduardo Cardozo de que a denúncia apócrifa sobre a corrupção de políticos do PSDB em obras do metrô de São Paulo, chegou a ele pelo deputado petista Simão Pedro, Secretário de Serviços da Prefeitura paulistana hoje comandada pelo PT, e das suas mãos para a Polícia Federal, pode se transformar num outro caso dos aloprados (o apelido foi dado por Lula) que compraram em dinheiro vivo, um dossiê (falso) contra José Serra.
Em choque
Para o líder tucano na Câmara Federal, deputado Carlos Sampaio (SP) a trama foi urdida na mesma semana da prisão dos mensaleiros, para desviar o foco do PT. Isso é extremamente grave. O ministro precisa esclarecer de forma clara qual foi sua participação nesse processo, já que ele é o comandante da Polícia Federal.
