Decisões não definitivas

Pelo adiantado da hora em que os resultados finais aconteceram, a coluna não pode noticiá-los. As duas alternativas do PMDB apontavam caminhos diferentes. A vitória de Rafael Greca, apoiado por Requião que apelara por uma disputa amena, coisa que foge inclusive ao seu estilo, dará realmente uma candidatura própria competitiva no projeto de poder. Rafael conhece a cidade  como poucos e sua oratória inteligente certamente confrontará a Curiti ba de hoje, com a (por incrível que pareça) de Jaime Lerner que afinal é a sua origem política. Nisso os que o hostilizam têm razão: ele é hoje requianista por divergir em 1994, quando pretendia ser candidato ao governo e foi impedido pelo apoio do grupo a Beto Richa. Já a vitória de Reinhold Stephanes Jr., igualmente arrivista no PMDB,  com o DNA de seu  pai na Arena, poderá redundar num apoio posterior a Luciano Ducci, em que a moeda de troca seria a vice-prefeitura. Já a candidatura de Gustavo Fruet ocorreu de forma tranqüila de vez que se tratava apenas da consolidação da chapa com a advogada Mirian Gonçalves na vice. No PSD, com a presença do presidente nacional e fundador do partido, Gilberto Kassab, a confirmação do apoio a Luciano Ducci. Tenta o partido fazer o vice da chapa oficial, oferecendo os nomes de Ney Leprevost e Luiz Carlos Martins. Outra confirmação de apoio ao atual prefeito virá do PTB, se o deputado Fábio Camargo que defende a candidatura própria (a sua) não conseguir transferir por decisão judicial, a convenção. Hoje a definição virá dos partidos mais à esquerda que tentam formar uma frente com Psol, PCB e PSTU. Para marcar presença!

Mais tempo

Até o final desta semana que entra as definições de candidaturas em Curitiba devem estar resolvidas. Inclusive a disputada vice do prefeito Luciano Ducci. PSD, DEM, PSDB– todos pleiteiam o cargo.

Vices

O PPS, embora o seu presidente, deputado federal  Rubens Bueno tenha afirmado ter sido convidado para compor a chapa majoritária, ainda estuda a possibilidade de candidatura própria. Possivelmente com a vereadora Renata Bueno. Outra vice complicada é a da chapa capitaneada por Ratinho Jr.. PCdoB, PR, PTdoB e PSC disputam o cargo.

A perigo

No PMDB, outro vereador curitibano, o radialista Algaci Túlio vive mais uma vez o inferno astral. Depois de ter sido envolvido numa série de reportagens da Gazeta do Povo, Negócio Fechado, com denúncia de distribuição de verbas para programas de rádio, agora seu nome é citado por suposta devolução de parte do salário de seus funcionários. A primeira denúncia já motivara integrantes da Jovem Guarda peemedebista a pedirem sua expulsão.

FOLCLORE POLÍTICO

Duas convenções marcaram época no Paraná: a de 1965, quando o PDC oficializou a candidatura de Paulo Pimentel, com apoio ostensivo do governador  Ney Braga (apoio do qual viria a se arrepender) contra seu ex-secretário de Interior e Justiça, já vice governador biônico, Affonso Camargo Neto.  Com todo poderio de Ney, uma disputa acirrada em que a vitória, com mais de 1500 convencionais, se deu por 59 votos. Outra convenção foi a de 1985, com dois peemedebistas disputando a candidatura a prefeito de Curitiba. De um lado o advogado Amadeu Geara, preferido de Richa, Canet e outras forças políticas e econômicas do PMDB. De outro o vigoroso deputado Roberto Requião, jovem advogado eleito parlamentar em 1982. Com seu grupo aguerrido, contando com gente especialista em guerrilha política que hoje questiona sua opção por Rafael Greca; Doático Santos, Lineu Thomaz, Edson Feltrin e outros, criou-se um clima de guerra. O  discurso de Geara foi saudado por uma chUva de moedas simbolizando o apoio do poder econômico. Escolhido e pouco conhecido, Requião transferiu a Richa e ao partido a responsabilidade por sua eleição. Um trabalho hercúleo para vencer o cultuado Jaime Lerner.