Descaminhos

Como a fruta não cai longe do pé, João Cláudio Derosso há muitos anos ocupa uma cadeira na edilidade curitibana.  Sucedendo ao  pai que por 25 anos representou o Xaxim e imediações na Câmara, sem um deslize sequer. Cometeu um erro: reeleições sucessivas como presidente da Casa, deram-lhe um poder que o conduziu a supostos desvios. Coisa que é comum na política. Muito poder,  conduz  à sensação de onipotência! Foi assim com Getúlio Vargas, em outro nível; com os presidentes militares nos 21 anos da revolução; recentemente o ex-todo poderoso presidente da Fifa, João Havelange,  pediu afastamento voluntário para se livrar de acusações de corrupção; seu ex-genro, eterno na  CBF, Eurico Miranda, também está afastado;  não seria diferente com um vereador que ficou 14 anos no comando da Câmara. Poder demais venda os olhos para as malfeitorias. Caio Derosso, com a submissão que obtivera de grande número de vereadores entre antigos e novos, bem aconselhado, poderia ter intercalado suas gestões. Não o fez e agora paga o preço. As acusações levantadas contra ele, até por veículos de comunicação que se locupletaram nas desnecessárias e absurdas verbas publicitárias da edilidade curitibana, levaram a uma falsa CPI, montada para tentar mostrar sensibilidade dos assim chamados representantes do povo ao clamor popular. Em vão: a emenda ficou  pior que o soneto. Outros interesses estão representados. Pena que tais fatos se somem a outros que contribuem para o desencanto com a incipiente democracia que se pratica por aqui, conduzindo a muitos descaminhos.

 

Co-responsáveis

Os vereadores curitibanos, em bom número, também são artífices do desagradável conceito que a Casa agora desfruta. Tivessem permitido uma ação conjunta do Ministério Público e do Tribunal de Contas (que de certa forma também tem responsabilidade de vez que mantinha na Câmara um seu funcionário-fiscal que também pode ter entrado no canto da sereia), sem tentar manobras como a CPI para blindar Derosso, as responsabilidades sobre decisões recairiam sobre esses.

 

Tempo instável

Neste cenário de desencanto na ante-véspera de uma eleição municipal em que muita coisa está em jogo, inclusive em boa parte o prestígio de Beto Richa, pelo apoio que dá a seu ex-vice e atual prefeito, candidato à reeleição, o humor popular não recomenda que se apresente nenhuma perspectiva como favas contadas.

 

Minutos de burrice

Outro fato a descontentar a opinião pública foi a infeliz iniciativa de vereadores curitibanos, a exemplo do que fazem outros do Estado (os de Londrina acabam de aumentar os futuros salários em 109%), em votar agora os novos vencimentos válidos para a legislatura que se inicia em 2013. Poderiam ter deixado o assunto para época menos tensa. Teriam todo o ano de 2012 para isso!

 

Gestão…

Com todos os defeitos que se possa apontar em função de situações anteriores que se perpetuavam, ficou patente a  coragem da Comissão Executiva da Assembleia Legislativa, que  merece destaque. Rossoni, Plauto Miró e Reni Pereira, mesmo que por vezes pressionados pelas denúncias da imprensa, tiveram a coragem de tomar medidas sérias.

 

…elogiada

A mais recente, a eliminação das verbas de convocação e desconvocação, impropriamente denominadas como salários, uma invenção implantada na Câmara Federal e no Senado e copiada por aqui, gerou descontentamentos. Alguns líderes por não terem sido consultados (a Comissão Executiva ficou com os méritos) e outros pelo prejuízo real que tiveram. Em torno de R$ 40 mil reais. 

 

Em choque

Entre os assuntos que turvaram os últimos dias deste 2011, um deles veio de onde não se poderia esperar: do mais alto grau judiciário do país. A infeliz ideia de reduzir poderes do CNJ, foi um recuo que só vai beneficiar juizes sem vocação para a seriedade. E os há!