Desculpa inesperada
Por essa, nem o mais entusiasta dos torcedores (o julgamento do mensalão, pelo ineditismo transformou-se num espetáculo televisivo) do ministro Joaquim Barbosa, esperava. Para a maioria, descrente da mão pesada da Justiça, o resultado preliminar, 11 anos de cadeia já estava de bom tamanho. Os 40 anos definidos agora , acrescidos de multa de R$ 2,8 milhões é a recuperação da força da Justiça, por muitos anos ignorada pelos políticos e demais praticantes de atos intempestivos, contrários aos ditames das leis, motivo do descrédito geral. Motivo também de preocupação até para o ex-presidente Lula. Se, como comentávamos ontem aqui, os 11 anos do início da dosimetria (por mais que o colunista implique com essa palavra) representavam um perigo, na medida em que, segundo confissão supostamente feita à revista veja, Marcos Valério tinha pavor de ser preso, podendo por isso mesmo ‘dar com a língua nos dentes’, contando mais do que hoje se sabe e, com isso envolvendo o ex-presidente Lula, um especialista em ‘tirar o corpo fora’, com os 40 anos de cadeia anunciados, representavam muito mais. Por sinal, os demais condenados estão tendo seus prazos de punição anunciados, num debate bem menos intenso que o inicial da dosimetria que, de tão duros, obrigaram o presidente Ayres Britto a suspender a sessão para acalmar os ânimos. Produzindo ao retorno, mais uma cena inusitada: um pedido de desculpa do indômito ministro Barbosa a Lewandoswski, admitindo ter-se exaltado pela necessidade de dar celeridade ao julgamento: semana que vem viaja à Alemanha para tratamento de saúde.
Tejam presos
Entre as homenagens de solidariedade aos companheiros, ex-guerrilheiros José Dirceu e José Genoino em que militantes da esquerda no passado preparam, haverá uma declaração de que todos –os (atuais) amigos de 68 – são prisioneiros políticos de um julgamento de exceção. Ao que se saiba, nos países cujos regimes defendem, jamais se deu tanta oportunidade de defesa.
Efeito Requião ou efeito Ratinho pai?
Eis a questão! Depois de um primeiro turno em que surfou nas ondas críticas dos adversários de Luciano Ducci – Greca e Fruet – a quem esperava enfrentar no segundo turno, Ratinho Jr. neste final do segundo, por determinação de seu pai (ou influência do apoio de Requião) mudou o rumo de sua campanha. Do Ratinho Jr. paz e amor para o Ratinho Ferreirinha.
Tom paternalista
Mudança que beneficiou o adversário. Em tom paternalista. recomendando: Sai dessa, menino. Você tem tudo para um futuro brilhante. Não macule sua imagem de implantador de novas ideias com as velhíssimas atitudes de seus novos apoiadores.
2014
Ratinho pai por sinal andou deitando falação a um blog do jornal Folha de São Paulo.
Embora seu filho afirme que o pai não tem influência maior nas suas posturas (entra apenas com contribuição financeira na campanha, riquíssimo que é hoje), as declarações pegaram mal. Até por afirmar que se Ratinho Jr. não vencer agora será candidato a governador em 2014 (Verdadeiro sonho de Ratinho pai, já anunciado anteriormente aqui – ver um filho governador do estado). Declaração que deixou os secretários de Beto Richa, candidatíssimo à reeleição, que hoje se passaram para a campanha de Ratinho Jr., entre a cruz e a espada.
Em choque
Voltando às frases que marcaram os debates do julgamento do mensalão, vale registrar a do Procurador Geral da República, quando da acusação aos mensaleiros, apropriando-se da imagem do poeta-musical Chico Buarque de Holanda em sua luta contra o regime ditatorial: Vai Passar. Dizia ele e repetiu Gurgel: Dormia a Pátria tão distraída, sem perceber que era subtraída, em tenebrosas transações. Detalhe: não se sabe qual é hoje a posição do Chico, defensor intransigente do governo Lula, com a irmã, Ana, Ministra da Cultura do governo Dilma. Colocada para fora como incompetente
