Deslumbramentos momentâneos
No princípio das gestões municipais, nem tudo é choro. Há momentos de deslumbramento quando, por exemplo, os prefeitos reuniram-se por três dias com o governador e sua equipe, em Foz do Iguaçu. Do mesmo modo, nesta segunda-feira, milhares de prefeitos entre os 5.563 do país, estiveram frente a frente com a presidente Dilma e seu governo. Para ouvir promessas e afirmações como as de que não faço demagogia ao se referir à sua proposta de colocar 100% dos royalties (do pré-sal) sejam colocados na educação e a de que R$ 66,8 bilhões serão aplicados nos municípios brasileros, especialmente em creches. Só não se referiu ao fato de que 3,5 prefeituras estão impedidas de assinar convênios com o governo. Em realidade esse encontro promovido pela Secretaria de Relações Institucionais da Presidência, fura a Marcha Para Brasília, uma promoção nacional da CNM e aumenta o poder de fogo da ministra Ideli Salvatti. Quem também aproveitou bem o episódio foi a Ministra Chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann que demonstra mais uma vez não estar brincando em serviço, quando o objetivo é o governo do Estado em 2014. Reuniu-se com os prefeitos paranaenses no jantar oferecido pela bancada federal, colocando-se à disposição para atender aos interesses das municipalidades do Paraná. Aos da Região Metropolitana de Curitiba, através o prefeito Gustavo Fruet e do prefeito Luizão Goulart, petista de Pinhais, eleito para presidir a Assomec, com apoio explícito de Gleisi. Inclusive telefonemas pessoais dela a prefeitos da Região Metropolitana de Curitiba foram disparados de Brasília. Não por acaso Luizão empatou com o candidato apoiado por Beto, vencendo pela idade.
Política peso pesado
Essa disputa pela presidência da Assomec, com esse apoio da ministra Gleisi e de outros nomes do primeiro escalão do governo Dilma, é a preliminar de 2014 mas, a demonstração clara de que Gleisi trabalha politicamente para valer. É de se imaginar um prefeito de cidade como Pien, ou Contenda, recebendo um telefonema da Ministra, colocando-se à disposição do prefeito e pedindo seu apoio. Com um abraço extensivo à esposa, cujo nome ela tem. Por mais betista que ele seja, fica no mínimo abalado.
Medidas paliativas
A grande verdade porém, apesar das promessas que raramente se concretizam, é que medidas pontuais como as anunciadas pela presidente nesta semana, amenizam problemas dos municípios mas não os resolvem definitivamente. Para isso, seria necessária uma reforma tributária que aquinhoasse melhor as municipalidades, que são afinal onde as fantásticas arrecadações federais são geradas (agora já no trilhão de reais). Brasília não gera nada! Só consome.
Obras físicas
A prometida criação de milhares de creches nos municípios brasileiros, se apenas com as estruturas físicas, será um presente de grego do governo federal. Mal das pernas em sua maioria, os municípios, se não vierem junto verbas para a sustentação das creches, não terão como mantê-las. O que se reclama hoje, é da transferência de responsabilidades para os municípios brasileiros pelos governos federal e estaduais, sem recursos para a manutenção.
Jogada política
Vale repetir a frase do presidente da Confederação Nacional dos Municípios, Paulo Ziulkoski, agora ainda mais irritado com a assessoria da presidente Dilma que acaba de lhe tomar, com essa reunião dos prefeitos em Brasília, uma de suas armas de luta: a Marcha dos Prefeitos. Cada vez mais os prefeitos são vitimados pelos engodos federais. A reunião de segunda-feira nada mais foi que uma jogada política visando 2014.
Em choque
No plano estadual a maior dificuldade no acerto do governador com o PMDB reside na anulação parcial da lei 15.433, pelo Tribunal de Justiça. Votada em 2007, ela permitia que o deputado convocado para uma secretaria mantivesse seu gabinete na Assembleia. Com isso sua equipe estaria garantida.
