Do fim para o princípio
As manchetes de ontem, entristecem. A continuidade das greves nas universidades apenas por conta de salários, deixam de considerar o interesse dos estudantes. Não é fácil entrar numa universidade, especialmente a pública por ser mais barata. Principalmente agora que as cotas, de toda espécie, não consideram o saber para privilegiar as castas. Quem hoje vê um ministro Joaquim Barbosa e imagina tudo que ele passou para chegar onde está, dá mérito ao esforço individual. O colunista vem de um tempo em que as famílias, afora aquelas de melhor origem financeira, fruto quase sempre de benesses governamentais, procurava levar o filho até um curso profissionalizante. Medicina, Engenharia e Direito eram para uma elite que morava nos grandes centros. O curso Normal, por mais próximo, professor normalista lecionando em grupos escolares, alí terminava a responsabilidade dos pais. Dali para a frente, ficava por conta do esforço de cada um. Lembro-me bem de uma jovem normalista que concluiu o curso em Botucatu, depois formada em Letras, moradora em Cornélio Procópio e que vim rever em Curitiba, já como Secretária de Educação no governo de Paulo Pimentel. Ele próprio formado a duras penas para seu pai, Públio Pimentel, dentista em Avaré, nas arcadas de São Francisco, na capital paulista. O país cresceu mas profissões como o magistério, base de todas, ficaram para trás. Não admira que professores das universidades públicas, estejam brigando por aquilo que deveria ser seu direito. Policiais com menos qualificações e mais poder de fogo, conseguem no início de carreira, valores que aos mestres é negado, ao final. É a inversão de valores de um país obrigado a investir mais em segurança que em educação.
Preocupante
Num país com tantas dificuldades a enfrentar, até apoio às atividades empresariais cria dúvidas. Investir em atividades que geram empregos com repercussão nos grandes centros, é mais importante que socorrer a agropecuária dispersa pela sua própria característica (terras separadas). Esta só recebe atenção quando falta comida à mesa. Situação que pode ser concreta nos próximos meses a permanecer o tratamento dado a criadores de frangos, suínos e por óbvio (com perdão da redundância), bovinos.
Perdas
O rádio paranaense, responsável por um longo período de lazer e informação, quando a TV iniciava sua expansão, e a Internet nem existia, sofreu neste ano grandes baixas. Para só falar nos de antigamente,quando este colunista andou pelo setor:perdemos Vinícius Coelho (que já sofrera grande trauma pessoal), Jair Brito, Euclides Cardoso e acompanhamos com preocupação o estado de saúde de Ronald Stresser.
Últimas…
A propósito de perda: a fala da ex-corregedora do CNJ, Eliana Calmon, que marcou de maneira positiva sua passagem pelo cargo, cutucando a lenta Justiça brasileira, lembrou uma imagem que este colunista já avançado em anos repete. Disse ela: Tenho 34 anos de magistratura e sou sabida. Porque sou velha, não porque nasci sabida. Parecido com: O diabo não é sábio por ser diabo. É sábio por ser velho.
…palavras
Seu último pedido no cargo de corregedora, para apressar o julgamento do ex-presidente do Tribunal de Justiça do Rio, por omissão em relação à segurança que não foi dada à juíza Patrícia Acioli, assassinada, foi negado. Disse ela: Sei que é um processo contra pessoa que tem importância social. Neste país importância social, econômica, as elites enfim, ainda têm um grande peso. Desembargadores têm segurança e juizes ficam à deriva.
Em choque
Um exemplo de democracia em que partidos (poucos) tentam impor seus programas econômicos e sociais, depois da grande movimentação dos republicanos, os democratas fizeram sua convenção para relançar Barack Obama. O discurso do ex-presidente Bil Clinton, lembra um pouco a pergunta famosa de Kennedy: Não pergunte o que o país pode fazer por você. Diga o que você pode fazer pelo país. Clinton perguntou: Em que pais você quer viver?
