Duas faces
Dois assuntos em pauta têm a ver com ideia que esta coluna defende: no caso presente, a redução do direito de reeleições para parlamentares numa sonhada e jamais levada a efeito, reforma eleitoral. Trata-se de uma das incoerências dessa legislação! Os parlamentares são por definição, representantes do povo. As seguidas reeleições os tornam distantes das suas atividades profissionais. Isto é, os desqualificam para a profissão que exerciam. A coluna se vale de um depoimento de veterano e conceituado médico que durante 25 anos representou Cornélio Procópio e região, na AL. Dr. Emílio Carazzai confessou ao colunista que, teria que morrer deputado pois não poderia mais voltar a exercer a medicina em sua cidade: estava superado e desatualizado. O assunto volta à pauta no momento em que duas questões, uma da área médica e outra da parlamentar são levantadas. Na medicina a preocupação dos Conselhos Regionais com a qualidade dos médicos que estão sendo mandados ao exercício da profissão. Exigindo maior fiscalização pelo MEC das centenas de faculdades existentes e outras em processo de funcionamento. O outro, mais abrangente por começar a mobilizar a opinião pública através as mídias sociais, diz respeito à aposentadoria que hoje é pleiteada pelos deputados estaduais do Paraná. Seria justo que não existisse a reivindicação, se um ou dois mandatos fossem exercidos de acordo com nova legislação sugerida pela coluna. Nas condições atuais é injusto um parlamentar que já foi profissional de alguma área, médico, advogado, mecânico, motorista, enfermeiro, voltar para casa depois de 20, 25 anos de serviços prestados ao povo, sem nenhuma forma de remuneração. Virou apenas um profissional de mandatos eletivos. O problema é complexo, especialmente por envolver parcela de dinheiro público e a possibilidade de gente com 4, 8 anos de mandato já pleitear aposentadoria. Mas vale ser discutido sem emoção.
Sensibilidade e protesto
Nesta época do ano o HSBC da rua XV em Curitiba, vira o palco de uma das mais bonitas manifestações natalinas do país. Criação e realização do saudoso Bamerindus, através a sensibilidade de Maria Cristina Vieira. Nesses dias, parodiando o evento, funcionários, vestidos a caráter, apresentaram-se pela manhã no local, cantando Sou infeliz, uma paródia à canção natalina.
Ironias à parte
Era o protesto criativo pela demissão de 600 funcionários. Menos mal que o Sindicato não teve a ideia de realizar tal protesto durante a apresentação do coral infantil que encanta milhares de pessoas e que neste ano já sofreu uma discutível intervenção do Ministério do Trabalho preocupado com o trabalho infantil, sem considerar os benefícios paralelos oferecidos a essas crianças. O MT poderia com esse mesmo zelo socorrer mulheres que nas esquinas, com filhos? ao colo, mendigam: ironia à arte, criar a quota-esmola.
Legal mas imoral!
A coluna já teve maior boa vontade com sindicatos. Defendeu porém sempre uma inovação que o ex-presidente Lula, por ter sido dirigente do ramo e como tal, beneficiário, não concordou: deixar os sindicatos uma opção do trabalhador, não uma obrigação Não como hoje, por ter arrecadação garantida no BB, ótimo emprego com mordomias. Já basta terem eles trabalhadores (todos nós) a ‘obrigação de votar’. O que seria válido numa ditadura, não num regime que se propõe democrático.
Em choque
Para garantir a popularidade e a impressão de que tem a economia brasileira sob controle (atitude louvável), num clima mundial de descontrole, o governo tem exercitado toda sorte de mudanças. Corte do IPI para manter a venda de carros que, em excesso, já criam problemas aos municípios e a uma infraestrutura sucateada; corte de ICMS aqui e ali, para movimentar o comércio. Medidas que equivalem a cobertor de pobre: cobre os pés, descobre a cabeça. Ainda agora fala-se em redução de 20% na energia. Sem muitas novas usinas hidrelétricas, um incentivo ao consumo que logo gerará racionamentos.
