Ética “em alta”
A apologia da ética feita na sexta-feira no Senado Federal, soa irônica. Seria uma perspectiva que encheria os brasileiros de orgulho, não tivesse partido de quem partiu: o presidente eleito do Senado, Renan Calheiros, cinco anos e dois meses de ter deixado o mesmo cargo, pressionado por denúncias de pagamento de despesas pessoais e pensão à filha extra conjugal que teve com a jornalista Mônica Velozzo, por uma empreiteira. Um escárnio à opinião pública. Essa eleição na importante Casa que já abrigou gente do padrão moral de um Mário Covas, para só citar um nome mais recente, e que ainda tem senadores como Pedro Simon, capaz de pronunciar frases como estas, na frente do candidato, dando voz aos manifestantes que defronte ao Senado foram impedidos de acessar as galerias reservadas a expectadores: Não te metes nessa, Renan. (…) Quem vai sair daqui como um grande vencedor é o senador Renan. Se ele retirar a candidatura. Em contrapartida uma voz ainda ressentida pelo golpe sofrido há 20 anos, o agora senador Collor e Mello, descarregava sua frustração sobre Roberto Gurgel que apresentara denúncia no STF contra Renan por peculato e falsidade ideológica. Collor, com sua autoridade moral, já que renunciante à presidência envolto em escândalos, como em outro cargo ocorrera com Renan, classifica Gurgel como chantagista e prevaricador. Uma frase do novo presidente em seu pronunciamento, no entanto, merece ser conferida: O Congresso será uma barreira contra todas as iniciativas que, sob qualquer pretexto, pretendam arranhar nosso modelo democrático de liberdade de expressão. Resta saber se nessa liberdade a ser defendida, encontra-se a de imprensa. Se for, estará batendo de frente com um de seus mais fortes apoiadores, o PT, cujo presidente Rui Falcão, apoiado por outra figura que agora atua nas sombras do governo, Zé Dirceu, preconiza exatamente o contrário.
Frase conclusiva
Frase do pronunciamento do senador Sérgio Souza, um dos 20% de senadores biônicosdo Senado, já que suplente sem ter recebido nenhum voto, fala por si: Ter um peemedebista na presidência do Senado, foi a vontade da maioria dos brasileiros, que escolheu a maioria dos senadores, sendo essa maioria do PMDB. Esquecido que a maioria dos paranaenses elegeu Gleisi Hoffmann, do PT, à qual ele como peemedebista, substitui.
Resquícios da revolução
A frase traz de volta uma velha discussão: a validade de dois suplentes para cada senador eleito, quando o correto seria apenas quem disputou a eleição ter direito ao cargo. Em caso de vacância, por morte ou ter o vencedor aceito um cargo em outro poder, caso atual, o segundo mais votado ocuparia a vaga. Suplente e biônico são invenções de um regime que o povo abominou: a revolução de 64; criados em seus estertores para tentar prolongar sua agonia.
Registro atrasado
A eleição do Senado, nas circunstâncias atuais, eclipsou a da Câmara que ocorre segunda feira e a posse aqui da nova direção do Tribunal de Justiça do Paraná. Pouco espaço sobrou para anunciar a nova direção que tem no comando o desembargador Clayton Coutinho de Camargo, na 1a. vice, Paulo Roberto Vasconcelos, 2a. vice, Dulce Maria Sant’Eufêmia Cecconi e corregedor geral, Lauro Augusto Fabrício de Melo. A corregedoria de Justiça cabe a Eugênio Achile Grandinetti.
FOLCLORE POLÍTICO
As eleições ocorridas e a ocorrerem no Congresso Nacional (Senado e Câmara), mais a da OAB, pela primeira vez com bate-chapa e com candidatos questionados, traz à memória uma frase do governador Jaime Canet Jr., um dos mais sérios governos que o Paraná já teve (senão o mais), embora escolhido e não eleito. Dizia ele, referindo-se à responsabilidade que cabe ao eleitor: Em administração pública, lugar não fica vazio. Se não for ocupado pelos bons, será ocupado pelos outros. Palavras que valeram como profecia para os acontecimentos de agora.
