Expectativa de mudanças

Respeitado por grande maioria dos brasileiros pelas posições firmes demonstradas no julgamento do mensalão, o ministro do STF, agora seu presidente, Joaquim Barbosa, salvou-se da frustração causada pela atuação de alguns, ao que seria o final do longo julgamento e acabou se transformando numa protelação com fortes possibilidades de virar pizza. Continua a marcar pontos com suas destemidas opiniões sobre a própria Justiça da qual faz parte. Ao revés de muitos juristas que insistem em tapar o sol com peneira, Barbosa tem dito com todas as letras o que pensa sobre o atual estágio, pelo emaranhado de leis que estabelecem normas para o país. Para ele, não existe sistema judiciário mais confuso que o brasileiro. Nosso sistema legal  precisa desesperadamente de simplicidade, eficiência e eficácia. Reconhece por isso ser justa a desconfiança do cidadão em relação a Justiça do Brasil. Entre outras ponderações feitas em recente palestra proferida a empresários em São Paulo, Joaquim Barbosa defendeu a necessária mudança, com que a coluna faz coro, na indicação para as cortes superiores, evitando-se assim que ministros fiquem submissos aos que os indicaram. Situação patente nesse momentoso julgamento. Vai-se além: igualmente na ascensão da carreira jurídica em que prevalece nos tribunais brasileiros o DNA do juiz candidato à ascensão. Daí tantos sobrenomes repetidos na hierarquia dos TJs. Embora reconhecendo que a solução para superar os obstáculos que levam à morosidade da Justiça é responsabilidade conjunta dos três poderes da República, é de se esperar que, ocupando hoje a chefia de um deles, Barbosa encabece movimento para mudar o atual estado de coisas que desmoraliza perante os cidadãos, a Justiça brasileira.

Contraditório

A propósito: a fala do ex-presidente Lula afirmando que não houve muito critério na escolha de ministros para o STF (sem mencionar a quais se referia) mereceu resposta do senador Aécio Neves. Se na nomeação de ministros do Supremo o presidente Lula não foi criterioso, imagine-se com seus demais assessores.

Eleição delicada

A delicada situação em que se viu envolvido o ex-presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Clayton Camargo, cujo pedido de aposentadoria foi suspenso pelo CNJ, mesmo depois de aprovado no TJ, certamente vai ter reflexo na eleição de hoje para escolha do novo presidente do Tribunal paranaense. Afinal, Clayton fora eleito, verdade que pela idade, em função de empate na eleição, mas recebendo 56 votos de desembargadores que conheciam as dificuldades que enfrentava junto ao Conselho Nacional de Justiça.

Tiro pela culatra

Discutíveis as dificuldades enfrentadas por  Marina Silva na implantação de sua Rede Sustentabilidade, junto ao TSE. As facilidades oferecidas a Gilberto Kassab para a criação de seu novo partido, o PSD, prematuramente anunciado como de apoio ao governo, não estão sendo oferecidas ao partido capitaneado pela ex-senadora. Suspeitíssimas as maciças anulações de adesões de eleitores do ABC paulista, área de influência do PT, ao partido que daria condições à candidatura de Marina à Presidência.

Dificuldades que podem criar um clima de revolta nos eleitores da Rede.

Saída antecipada

Mais cedo do que se esperava, Luiz Carlos Haully vai deixar a secretaria de Fazenda. Transfere na segunda-feira o cargo a Jozélia Nogueira, verdadeira coringa do governo de Beto Richa, que a menos de um mês assumira a Procuradoria Geral do Estado (PGE). Quem perde espaço é Pedro Guerra que devolve o mandato de deputado federal a Haully.

Em choque

Haully deixa a Fazenda que assumiu no início do governo Beto Richa, convencido de que proporcionou ao Paraná um ambiente de desenvolvimento econômico e de crescimento da economia, conjugando incentivo a cadeias produtivas. Mesmo enfrentando problemas, afirma que conseguimos fazer com que o Paraná tivesse um crescimento e geração de empregos acima da  média nacional.