Falsa impressão

A afirmação procede! Quando o Congresso e o Executivo federal fazem ouvidos de mercador ao protesto das ruas, passam recibo: o povo errou nas escolhas. Está escrito no artigo primeiro da Constituição que o poder será exercido pelo povo por meio de representantes ou diretamente. Se esse povo, cansado de esperar por medidas que já se faziam necessárias para moralizar os costumes hoje vigentes no cenário político e jurídico brasileiro, sai às ruas para manifestar seu descontentamento, fica caracterizado que seus representantes não corresponderam às delegações que lhes foram passadas. Por isso se afirma que o voto é um cheque em branco. Em favor  de gente mal intencionada (e como as há!) é uma arma perigosa. Os focos das manifestações dependem apenas de vontade política. A Lei da Ficha Limpa por exemplo já tivera sua constitucionalidade aceita em 2010, num primeiro exame. O poder do CNJ já teria sido retirado, voltando ao antigo corporativismo vigente nos TJs, não fora a manifestação da corregedora Eliana Calmon, afirmando que há bandidos de toga e detonando as manifestações contra, por parte da AMB, e a favor por parte do povo.  O fim do voto secreto recebeu apoio quase unânime na Câmara em setembro de 2006 e de lá para cá repousa placidamente na gaveta da direção da Casa, com a omissão dos  líderes partidários. A justificativa que se faz hoje é que as manifestações populares tiveram pouca expressão por estar o povo com os bolsos abastecidos. Afirmação que talvez encontre ressonância nas que tomam conta do mundo, inclusive em países antes abonados. Confirmando que se o estômago está forrado e o bolso abastecido, tudo está bem no melhor dos mundos como diria Pangloss, o eterno otimista de Voltaire. Não se enganem nossas lideranças. A falsa impressão de paz é como o acúmulo de gás. Só se percebe quando explode. O Rio que o diga!

 

Explicações necessárias

A Caixa Econômica está devendo uma explicação mais convincente à denúncia feita pela Associação Brasileira dos Mutuários de Habitação, sobre cobrança indevida de amortização antes da hora, em seus financiamentos ao setor, sem abatê-la no saldo devedor. Se todos os prejudicados (só no primeiro trimestre deste ano foram fechados 226 mil financiamentos) forem á Justiça, um efeito cascata acarretará uma fantástica indenização.

 

Cassino virtual

Essa instituição que hoje se marca mais por sua atuação importante no financiamento habitacional e na duvidosa exploração de jogos,  atividade que por sinal, legalmente é um delito no Brasil, proibido que foi desde o governo Dutra em 1946, está devendo transparência nos resultados financeiros dessas atividades. As demonstrações contábeis quando existem, são insuficientemente divulgadas. Não por falta de espaços publicitários, já que a entidade em volume de propaganda só perde individualmente para as Casas Bahia.

 

Fim de greve

Os bancos de Curitiba e sua Região Metropolitana voltaram à ativa ontem, independente da decisão que outros sindicatos tomarem hoje. Não sem tempo, na medida em que suas paralisações foram mais danosas aos clientes que às próprias instituições. Bons tempos os que se guardava dinheiro embaixo do colchão lamentarão especialmente alguns aposentados.

 

Leite derramado

Uma medida tomada tempos atrás em Curitiba pela municipalidade, com o desassoreamento do lago do Parque Barigui, se tomada em Londrina, teria evitado a extensão do prejuízo causado pela chuva excessiva que desabou sobre a cidade, transbordando o lago Igapó, um dos cartões postais da ex- Capital do Café.

 

Em choque

Ex-prefeito de Londrina e adversário do atual prefeito, o deputado Eduardo Cheida ao invés de se estender em críticas a seu adversário, discursou na Assembleia pedindo apoio ao governo para socorrer os milhares de atingidos pela  calamidade que se abateu sobre sua cidade. Por sinal, cidade natal de Beto Richa.